Dissemos em nosso último número algumas palavras
sobre a Aliança Nacional Libertadora, recordando especialmente o que se espera dos católicos
na chamada “questão social”. Há,
porém, muito mais a dizer e principalmente depois de apontar com documentos aliancistas o que é a ANL, chamar a atenção do governo e
dos representantes da Nação, que têm assento nas Câmaras, Estadual ou Federal,
para essa organização. É a ANL perigosa para o Brasil, revolucionária e
comunista? Respondam o resumo de um comício por ela promovido no Rio, e notas
de um artigo publicado em um de seus jornais, “A Manhã”, também do Rio de
Janeiro.
Foi desfraldada no referido comício, a bandeira
nacional que acompanhou a coluna Prestes, em sua marcha pelos sertões do
Brasil; uma coisa afirmamos entretanto, sem receio de errar: não o foi para
honrar a nossa pátria, e sim, para homenagear o chefe declaradamente comunista
da ANL, Luiz Carlos Prestes. Nesse comício defendeu-se a unidade sindical, portanto o sindicato único
socialista, como se tem organizado aqui, negando-se existência ao sindicato que
declare ter confissão religiosa ou que alegue outra ideologia política;
combateu-se revolucionariamente a guerra imperialista do Chaco,
e um membro do Sindicato dos Professores protestou contra o ensino religioso
nas escolas, enquanto o estudante Carlos de Lacerda disse que “nem os
bonecos de galões nem os bonecos de papel de imprensa... etc., poderão deter a
massa na conquista dos direitos que ela exige... A massa passará esmagando os “bonecos””. Note-se a sinceridade dos Aliancistas que empunham uma bandeira brasileira e ao mesmo
tempo chamam de “boneco” o Exército Nacional, guarda e defensor desse
pavilhão!... E o interessante é que há militares filiados à ANL, constituindo
uma confirmação daquelas antigas declarações do general Góes Monteiro sobre os elementos
dissolventes que existem no Exército.
Só isso? Não! Os jornais que obedecem à orientação
política da ANL batem todos as mesmas teclas de revolução, de opressão, de
anarquia, e em todos eles a colaboração é extremista. Assim, o já muito
conhecido Sussekind de Mendonça, escrevendo na “A
Manhã”, sobre a “União Feminina”, organização extremista anexa à ANL,
critica todas as outras organizações da mulher brasileira porque estas, diz,
são “focos de um reacionarismo
insuportável” e “se dispõem a fazer
caridade, com grandes tabuletas em latim, seus benefícios nunca chegam à massa
anônima das necessitadas - ficam no meio, distribuídos por tamina
com caráter ostensivo e odioso de favor, às portadoras certas de bilhetes
numerados pelo zelo fiscal das sacristias”. E continua Sussekind: “se propõem a fazer obra social, ainda que
se subordinem declaradamente a trabalhar por tudo o que concorra para o
progresso feminino, seu primeiro cuidado é ficar bem com Deus, com a Pátria e
com a Família, tanto vale dizer: a não contrariar os interesses da Santa Madre
Igreja Católica Romana, a aplaudir todas as bobagens que cisme de ensaiar o
Parlamento e as outras mais Autoridades Constituídas e a fazer causa comum com
todos os que se oponham ao divórcio, à proteção às mães solteiras, ao
reconhecimento ilimitado de todos os filhos ilegítimos, à supressão da infirmitas, e à proscrição definitiva da tutela odiosa às
mulheres casadas, isto é, precisamente a tudo o que procure destruir o atraso
feminino”.
São textos perfeitamente esclarecedores da atitude
de uma organização, que não engana a ninguém sobre os fins que procura. Não
vamos refutá-los aqui, porque não é esse agora o nosso fim. Trazemos apenas a
demonstração escrita de que a ANL é uma organização revolucionária pois, “esmagará os bonecos de galões”
(Exército), e é inimiga do regime, e da Pátria (combate o ensino religioso que
é estabelecido pela Constituição de 16 de Julho, luta contra a família,
batendo-se pelo divórcio, quando a mesma Constituição a declara indissolúvel,
critica as mulheres que se apoiam em Deus, na Pátria
e na Família etc.). Que deve fazer então o governo? Permitirá a sua livre
expansão, deixando que ela produza todo o mal que já se pode prever? Não! Se
muitas vezes para evitar um mal maior ele dever permitir que certas
organizações continuem a existir, não é este o caso da ANL que procura
evidentemente “violar a justiça e minar
as bases mesmas da vida social”, razões estas que Rossignoli acha suficientes
para que uma associação seja proibida. E Leão XIII, na “Rerum Novarum”, não é menos explícito: “Por certo, que a máxima parte dos operários quereriam melhorar de
condição por meios honestos, sem prejudicar a ninguém; todavia não poucos há
que, embebidos de máximas falsas e desejosos de novidades, procuram a todo
custo excitar tumultos e impelir os outros a violências. Intervenha portanto a
autoridade do Estado, e, reprimindo os agitadores, preserve os bons operários
do perigo da sedução e os legítimos patrões de serem despojados do que é seu...
O remédio portanto, nesta parte, mais
eficaz e salutar, é prevenir o mal com a autoridade das leis, e impedir
a explosão, removendo a tempo as causas de que se prevê que hão de nascer os
conflitos entre os operários e os patrões”. Esse, portanto, o dever dos
nossos governos diante da ANL, e se eles não o cumprirem serão grandemente
responsáveis pelo que vier a suceder.
Não basta, porém, uma atitude policial: Leão XIII lembrou aos
governos todos os seus deveres para com as classes desprotegidas, e são esses
deveres que Pio XI, resume na Encíclica Quadragésimo Ano: “Quanto à
autoridade civil, Leão XIII, ultrapassando com audácia os confins impostos pelo
liberalismo ensina impertérrito que ela não deve
limitar-se a tutelar os direitos e a ordem pública, mas antes fazer o possível
para que as leis e instituições sejam tais... que da própria organização do
Estado dimane espontaneamente a prosperidade da nação e dos indivíduos (...).
Aos governantes compete defender toda a nação e os membros que a constituem,
tendo sempre cuidado especial dos fracos e deserdados da fortuna ao proteger os
direitos dos particulares. Porquanto a classe abastada, munida de seus próprios
recursos, carece menos de auxílio público; pelo contrário a classe indigente,
desprovida de meios pessoais, esteia-se sobretudo na proteção do Estado. Por
conseguinte deve ele atender com particular cuidado e providência aos
operários, visto serem eles no número da classe pobre”.
Representam essas palavras a obrigatoriedade em que
os governantes se acham de desenvolver uma política social ativa, organizando a
proteção eficiente e real do operário em
“sua alma, em sua saúde, forças, família, casas, oficinas, salário, acidentes
de trabalho; numa palavra, em tudo o que interessa à classe trabalhadora,
principalmente às mulheres e crianças”. É o que quer Pio XI e que constituindo
uma obrigação para os governos representa também a salvação da sociedade
cristã.