Não tomaremos o trabalho de mostrar aos nossos
leitores o cunho evidentemente comunista da Aliança Nacional Libertadora. A este respeito só podem ter ilusões os tolos ou os mal
intencionados. E nem em uma nem em outra categoria há leitores de “O
Legionário”.
Mas como se está fazendo grande alarido em torno de
tal associação, parece-nos de toda a oportunidade reafirmar algumas verdades a
este respeito.
Parece-nos que maior erro não poderiam cometer os
que se dizem adversários do comunismo do que dar importância à Aliança, que só
poderá ter possibilidades de êxito se for acolhida por seus adversários com
qualquer outra atitude que não seja a do mais rigoroso desprezo.
Realmente, do ponto de vista moral, não merece ela
a menor consideração. As idéias que professa não são as que prega. Nas dobras
de sua bandeira nacionalista, se ocultam a foice e o martelo de Moscou. A
mistificação é sua nota característica. A demolição é sua finalidade suprema. E
a um bando de mistificadores e de petroleiros outra consideração não se tributa
senão a de encaminhá-lo à Delegacia de Ordem Social.
E não é só deste ponto de vista que o descaso se
justifica. Esta corrente que nasceu ontem, e que procura voltar-se para o
operariado com o fito de o induzir à revolução, tudo pode ter, exceto o
prestígio na classe trabalhadora. Quem o seu “leader” no Rio? O burguesíssimo
prefeito Pedro Ernesto, Catilina-mirim, que desertou
das hostes burguesas onde comeu, bebeu e viveu em paz durante toda a sua vida,
para externar através da campanha comunista o seu venenoso rancor de “decaído”
do Clube 3 de Outubro.
Em São Paulo, não é de outro estofo o seu líder,
burguês de grande estirpe e de luxuosa vida, egresso também ele de um partido
liberal-democrático, para incitar à revolta operários a cuja classe não
pertence e de cujas amarguras não participa, no seu esplêndido palacete.
Quais os contingentes que até
agora conquistaram? Quais os adeptos que fizeram? Não se sabe, e eles não
querem dizê-lo, para não esconder a extensão da indiferença com que os recebe o
povo laborioso.
E o perigo comunista?
Devem os católicos desinteressar-se dele?
Nunca.
Mas o meio de combater o comunismo não consiste
apenas em vociferar, principalmente quando, vociferando-se, faz-se a propaganda
do adversário.
O melhor meio de combater o
comunismo consiste em conquistar o operariado, associando-o em organizações
caracteristicamente católicas, em saciar sua alma sedenta de carinho e de
justiça, em lhe suavizar o trabalho, em lhe facilitar a vida.
Do que vale vociferar, em jornais suspeitos de
“burgueses”, contra o comunismo, se
não se vai ao operariado, se não se
procura extirpar de sua alma o câncer da inveja e da revolta, e dar a suas
justas aspirações uma real satisfação?
E não é tudo. É mister, também, conquistar as
elites. Não é só da alma do operário, que é mister arrancar o câncer da inveja.
É necessário extirpar da alma do patrão o câncer não menos devorador de uma
ganância imoderada. É necessário ensinar às “elites” os seus deveres, porque
trabalhará em vão pela paz social quem quiser encarar unilateralmente o
problema, vendo na recristianização de uma das
classes toda a chave do problema, e fechando os olhos à recristianização
da outra.
Não demos, pois, aos nossos adversários uma
importância que não merecem.
Não façamos em seu benefício o
reclame do escândalo. Feitos os necessários esclarecimentos para impedir que os
incautos se deixem arrastar pela mistificação da Aliança Nacional, não cifremos
nossos únicos esforços na campanha pelo clamor. Vamos ao trabalho, ao trabalho
discreto mas eficiente que é o segredo de todas as grandes vitórias no terreno
social.
A Ação Católica tem, no Brasil, uma grande tarefa a
realizar: a reconquista dos dois pólos da sociedade, corrompidos um – “a haute gomme” - pelo espírito burguês, e outro - o
proletariado - pelo irmão gêmeo do espírito burguês, que é o espírito de
revolução.
É a esta tarefa que nos devemos dedicar de corpo e
alma, sem nos impressionar demais com os fantasmas inconsistentes que certo
elemento procura agitar diante de nossos olhos, a ver se nos encaminham para
outras soluções, que não queremos.