É realmente árdua a tarefa do jornalista católico.
Procurando tornar cada vez mais atual “O
Legionário” e relacionando os
assuntos de que ele trata com as questões do momento, não nos tem sido possível
fazê-lo sem formular freqüentes críticas, quer a políticos, quer a escritores,
quer à imprensa. Assim, um órgão destinado ao apostolado, isto é, à aproximação
ao Cristo, dos incréus e dos pecadores, pode parecer
a alguns carregado de fel e de censuras, a procurar atrair de carranca fechada
aquelas ovelhas tresmalhadas às quais o Salvador prodigalizaria certamente os
seus carinhosos afagos. E de si para si perguntarão se porventura “O Legionário” supõe que é desferindo uma ofensiva categórica contra os adversários
da Igreja que ele conseguirá atraí-los ao seu aprisco, ou que se esqueceu ele
daquela judiciosa frase de São Francisco de Salles, que afirmava que com uma colherada de mel se atraem
muito mais moscas do que um tonel de vinagre?
Entendamo-nos. Não é exato, preliminarmente, que “O Legionário” tenha em vista, de modo principal, a conversão de hereges ou de
pecadores. Folha essencial e ostensivamente católica, dedicando-se à critica de
assuntos exclusivamente religiosos, será muito difícil que sobre suas colunas
venham pousar os olhos de um incréu ou de um
indiferente. Se algum dia tal se der ou se tenha dado, e se “O Legionário” puder ter contribuído para aproximar uma alma, uma alma apenas,
da Igreja, daríamos por pagos, e por muito bem pagos, os trabalhos que, até
agora, a luta na imprensa católica nos tem custado.
No entanto, é necessário que não percamos de vista
que a principal finalidade do “O
Legionário” é de orientar a opinião
dos que já são católicos. E estamos certos de que, realizando esta obra, ele
preencherá uma verdadeira lacuna. Realmente, a falta de instrução religiosa em
nosso povo é imensa. E como conseqüência, muita gente há que, recebendo as
informações sobre o que se passa no mundo inteiro através dos jornais diários,
adquire uma noção inteiramente viciada, de todos os grandes problemas
contemporâneos. Assim, a maioria dos católicos ingere sem antídotos todos os
venenos que lhe são ministrados pela imprensa quotidiana.
Há católicos liberais, católicos socialistas,
católicos semi-paganizados. O que revela a existência de tantas tonalidades de
catolicismo entre nós, quando o Catolicismo só tem uma
tonalidade autêntica que é a de Roma?
A falta que faz um órgão que oriente realmente o
pensamento católico, mostrando que o católico não pode ser senão, acima de
tudo, mais do que tudo, antes de tudo católico.
Nossa função é, pois, de preservar contra as
infiltrações do erro os filhos da luz.
Ora, se é certo que é com mel que se caçam moscas,
é com cercas de arame farpado que se devem cercar os campos onde não se quer
que penetre o lobo devorador.
Não quer isto dizer que devamos infringir os
gravíssimos deveres que nos são impostos pela caridade. Há uma certa forma de
se ser caridoso e severo que nos faz alvejar o erro ou o vício, sem atingir
quem erra ou quem peca, ou melhor, levando ao pecador o mais ardente de nosso
afeto fraternal, o mais delicado de nosso carinho em Cristo.
Em segundo lugar, não estamos desencadeando uma
ofensiva, mas tomando uma atitude de mera defesa. Trama-se contra a Igreja na
vida política como na vida social. E sempre que os interesses da Igreja são
ofendidos, aí está “O Legionário” disposto a defendê-los, criticando -
dentro da caridade cristã a mais inalterável - todos os ataques feitos à
doutrina católica.
Ainda agora, por exemplo, vimos que a Câmara se
prepara para rejeitar o excelente veto do Sr. Presidente da República à
regulamentação do casamento religioso. Com a rejeição do veto, o Catolicismo é
prejudicado. E se “O Legionário” critica aqueles que se esforçam em
contrariar a boa doutrina, ele não o faz para alvejar qualquer pessoa, ou
qualquer interesse partidário. Respeitamos e amamos o nosso próximo, e nunca
passaria por nossa mente o desejo de o ferir. Desejamos, tão somente, defender
os interesses da Igreja, mostrando aos católicos quem está com ela e quem
contra ela.
Se é certo, portanto, que “O Legionário” tem
procurado ser um órgão de combate, é certo também que ele só tem procurado
combater o bom combate da Igreja, que é sempre defensivo nunca ofensivo.
E se para este combate nos fosse permitido escolher
um lema, nós o redigiríamos assim:
Para com os católicos, caridade e
unidade; para com os não católicos, caridade para obter a unidade.