É com pesar que registramos nesta coluna as
declarações do leader
Henrique Bayma, relativas à liberdade de cátedra. O
Sr. João Carlos Fairbanks manifestou sua estranheza
por ter a Câmara Estadual aprovado uma subvenção à Escola de Sociologia e
Política, uma de cujas cátedras está confiada a um professor que faz em plena
aula a mais clara campanha comunista. Em réplica, o leader
Henrique Bayma afirmou - transcrevemos textualmente o
“Estado de São Paulo” - que “... a
cátedra é livre. A chamada lei de segurança contém um artigo repetindo este
princípio indiscutível: que é livre, a quem quer que seja, pregar idéias sejam
elas quais forem. Só o que não é possível é fazerem propaganda por meios
violentos. De maneira que, em qualquer hipótese, seria uma intolerância
restringirmos a liberdade de cátedra”.
Assim, pois, para o porta-voz do Partido
Constitucionalista na Câmara dos Deputados, só a pregação da violência deve ser
reprimida. Mas se pregar o amor livre, a supressão da propriedade ou a
destruição da Religião por meios pacíficos, a maioria parlamentar estará
disposta a cruzar os braços.
Proceder por esta forma é ignorar as condições
sociais contemporâneas. Faça-se a pregação de qualquer doutrina como quer o Dr.
Henrique Bayma, persuadam-se às massas de que a
família é uma instituição burguesa destinada a perecer. E responda-nos S. Ex.a o que será da moralidade pública, depois de arraigada
esta convicção no espírito do povo.
Convença-se este de que a Religião é a cocaína com
que a burguesia anestesia os padecimentos da massa, e conte-nos, depois, Sr.
Henrique Bayma, em que estado de devastação ficarão
os nossos bons costumes particulares e públicos, já tão débeis.
Persuada-se o povo de que a propriedade é
ilegítima, e responsabilize-se o Sr. Henrique Bayma
se tiver coragem, pela ordem pública material, de cuja conservação S. Ex.a faz a suprema finalidade do Estado. Quem conterá as
massas sem moral e sem Fé, para evitar que elas se atirem contra a propriedade
privada que durante tantos anos lhes foi apontada como iníqua? Por que
esperarão elas pacientemente que se suprima a propriedade individual por via
pacífica e legislativa? Merecem porventura as imposturas tamanha consideração?
E quando as massas se atirarem sobre os lares e as Igrejas, de que forma se há
de lhes levantar barreira? Não se conte com os soldados, que são filhos do povo
e estarão ao lado da massa. Com quem conta o Sr. Henrique Bayma
para empunhar os fuzis que os soldados não quererão manejar? Com alguma
coligação lírica de bacharéis liberais?
Narra-se que quando Bisâncio
foi invadida pelas tropas turcas, em um suntuoso edifício se encontrou um
bizantino, cidadão prestante que em lugar de empunhar a espada na defesa da
Pátria, tocava violino enquanto seus compatriotas morriam no cumprimento do
dever. Com um golpe de espada foi morto sob o riso sarcástico dos adversários e
entrou para a História como símbolo da imprevidência e da inércia.
Ao Partido Constitucionalista incumbem, no momento,
gravíssimas responsabilidades. É nas suas mãos que está depositada a espada
cortante e augusta da autoridade pública. Se, neste momento de perigo, ele a
deixar de lado para vibrar as cordas líricas do liberalismo bacharelesco, não
merecerá ele a celebridade que alcançou o violinista de Bisâncio?
* * *
Parece, em todo o caso, que o violino exerce
atrativo maior que a espada. É ao menos o que nos dá a entender a Prefeitura,
que mais uma vez prepara o Carnaval Oficial.
Uma Comissão de Divertimentos Públicos nomeada pela
Prefeitura, já está preparando todas as providências para que seja bem completa
a devastação dos lares e de honras. (...)
Em um País em que o governo cruza os braços diante
da demagogia e se cinge com a coroa suspeita de Rei Momo; em um País em que a
oposição silencia diante deste espetáculo, julgando dignas de sua atenção
apenas as cifras orçamentarias, o que há a fazer?
Católicos: estais com a palavra, respondei.