O
valente órgão católico de Porto Alegre “A Nação” publicou uma notícia
sensacional segundo a qual se desenvolve presentemente um grande esforço em
prol da implantação do divórcio a vínculo no Brasil.
Evidentemente,
essa notícia nos deve colocar de atalaia. Se os católicos querem facilitar às
autoridades a obra de reprimir e esmagar essa manobra soez, devem fazer sentir
todo o vigor de sua opinião. Não poderia haver uma lei mais profundamente contrária
ao espírito católico do que a do divórcio. Realmente, introduzida na família a
insuportável desordem do amor livre, que o divórcio necessariamente traz
consigo, estará desorganizada toda a sociedade. E viria acarretar os mais
graves inconvenientes para a vida moral e religiosa do povo.
* * *
Fazemos
inteira e irrestritamente nosso o protesto do
“Osservatore Romano” contra a invasão da Finlândia.
Como
já temos dito mil e uma vezes, consideramos com indiferença os acontecimentos
internacionais, desde que eles não constituam violação dos princípios
católicos, que constituem a base de nossa civilização. Ora, no caso da
Finlândia, essa violação se fez, profunda, irritante e desabrida, pela agressão
do gigante soviético, contra uma pequena república que vivia uma vida
tranqüila, sob a égide dos princípios que constituem a estrutura fundamental da
nossa civilização.
Como
seria possível a um católico considerar com indiferença a sovietização
desse país, a perseguição religiosa que ali se introduzirá, e finalmente a
iminência de correrem os países bálticos idêntico perigo?
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A
este propósito, convém fazer uma observação:
Fala-se
muito, hoje em dia, a respeito do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, e
é bom que a doutrina sublime do Apóstolo São Paulo a este respeito, seja
difundida o mais possível.
Porém,
não basta difundi-la. É preciso compreendê-la. O Corpo Místico de Nosso Senhor
Jesus Cristo não é senão a Santa Igreja Católica. As duas noções se confundem.
E é porque a Igreja é um corpo, que todos os membros devem sentir veementemente
todo o bem e todo o mal feito a outra parte do corpo.
Ora,
os católicos finlandeses sofreram, com a agressão soviética, um grande dano.
Eles, que tiveram o mérito de se conservar incólumes diante das ofensivas
doutrinárias da Rússia durante esses longos anos de vizinhança com o
bolchevismo, são agora esmagados pela mais bárbara das ofensivas militares.
Seria
conveniente agora perguntar: quantos católicos estão realmente “sentindo” o
Corpo Místico de Cristo vibrar de indignação dentro deles? Quantos serão
capazes de dizer que sentem o mal feito à Polônia ou à Finlândia, como se fora
feito contra os próprios católicos brasileiros?
É
um exame de consciência oportuno. E que nos deve conduzir não apenas a uma
atitude interna de veemente protesto, mas ainda e sobretudo a uma verdadeira
cruzada de orações por nossos irmãos tão dura e injustamente perseguidos.