Os efeitos da aliança teuto-soviética
continuam a se fazer sentir na política interior inglesa.
Como acentuamos em nosso último número, o movimento
socialista assume, na Inglaterra, aspecto cada vez mais bolchevizante,
e a nota característica desse grande avanço esquerdista consiste em um
pacifismo que deve fazer sorrir deliciosamente os funcionários do grande centro
nazista de Wilhemstrasse.
De fato, se se quisesse
imaginar um meio mais pronto e mais eficaz para promover a desarticulação da
defesa britânica outro não se poderia encontrar melhor do que a eclosão de uma
luta de classes e de um movimento pacifista, exatamente quando a Inglaterra se
encontra na fase mais melindrosa de toda a sua longa história.
E quem presta ao nazismo este inapreciável
serviço? A III Internacional.
* * *
Que não são vãos nossos temores, prova-o à
evidência a pronta natureza dos fatos. Ademais o Sr. Wendell
Wilkie, que o Sr. Franklin Roosevelt enviou à Inglaterra
como seu representante extraordinário, recebeu uma incumbência especial no
sentido de se informar muito particularmente sobre o movimento socialista
inglês, e o perigo que oferece para a defesa da Ilha. É este o segundo
embaixador extraordinário que o presidente dos EE.UU. envia à Inglaterra
com tal missão.
Não é plausível que o Sr. Roosevelt
esteja ligando ao fato tal importância, sem que para isto haja poderosas
razões.
* * *
Quer isto dizer que se pode afirmar sem contestação
que o poderio inglês tenha atingido seu ocaso?
Evidentemente, não. O gesto de energia do governo,
ordenando o fechamento de um ou dois órgãos subversivos, e desarticulado assim,
ao menos em parte, a ação subversiva dos emissários de Moscou, prova, de um
lado, que as autoridades britânicas estão vigilantes e, de outro lado, que elas
dispõem de forças suficientes para levar a cabo tal golpe, sem entretanto por
em perigo a estabilidade das instituições.
Por este fato, devem todos os católicos dar graças
a Deus. Radical, fundamental, apaixonadamente anticomunistas, devem eles
receber como um favor especialíssimo da Providência
que o Império Britânico seja preservado da infecção que nele procuram injetar os agentes da III
Internacional.
* * *
Devem os leitores desta Folha estar lembrados de
que o “Legionário” sempre divisou, nos bastidores da política inglesa, a ação
de um importante grupo de banqueiros e políticos que, sob os mais variados
pretextos e emboscados no guarda-chuva do Sr. Chamberlain, desenvolviam uma ação tipicamente nazificante
na diplomacia britânica.
Aos poucos, vão aparecendo indícios confirmatórios daquela nossa impressão. Há dias atrás, um
matutino publicou a história, cheia de aventuras e de lances dramáticos, de uma
húngara de extração plebéia que, de um consórcio de que os genealogistas não
reconheceram, com o Príncipe de Hoenlohe, passou a se intitular faustosamente “Princesa Hoenlohe Waldemburg”. Narra o cronista que esta “dama” desenvolveu, a serviço
da diplomacia nazista, intenso esforço no sentido de persuadir os políticos ingleses
a ceder à Alemanha o “corredor polonês”, e um intenso trabalho preparatório, nos meios políticos
ingleses, para que fosse aceita, com toda a ingenuidade, o famoso “pacto de
Munique”. Essa aventureira, que por suspeita da polícia já fora
expulsa da França, travou em Londres ótimas relações com o Lord
Rothermote, o maior ou um dos maiores proprietários de jornais na
Inglaterra, figura que também já havíamos indicado como simpática ao nazismo.
Segundo ficou apurado nos tribunais britânicos, uma
questão havida entre o Lord a e “Princesa”, esta
recebera daquele, em 6 anos, 250.000 dólares. As relações da “Princesa” com o
nazismo continuavam excelentes. Ao Sr. Hitler, enviou ela certa vez, de presente, um tapete calculado
em 6.000 dólares. Durante a coroação de Jorge VI, a delegação especial alemã foi hospedada pela
“Princesa”, que exibiu nesta ocasião um fausto extraordinário.
Depois de uma série de aventuras, foi ela para os
EE.UU., de onde a expulsou,
com mão vigorosa, o governo do Sr. Roosevelt.
* * *
Evidentemente, seria um exagero atribuir à
exclusiva ação da “Princesa” tudo quanto de enigmático ocorreu na política da Inglaterra.
Não deixa, entretanto, de ser verdade que a série de tramas em que ela andou
envolvida, prova à saciedade que o “Legionário” acertou indicando uma
conivência de políticos ingleses e nazistas como causa profunda da “cegueira”
de Munique.
A história mostrará ainda um dia que havia muitas
coisas ocultas no guarda-chuva do Sr. Chamberlain.