A impressão deixada em Londres pelo Sr. Hopkim, após o seu regresso
aos Estados Unidos, é o de que a confiança dos londrinos no auxílio
norte-americano não se desmentiria; mas, pelo contrário, terá a mais ampla
confirmação.
* * *
Isso resulta na opinião formada pelo representante
do presidente Roosevelt, que teve aliás a mais ampla....
[erro tipográfico] por parte do ex-candidato
republicano à presidência dos Estados Unidos.
A atitude do Sr. Wilikie
e a confirmação de seu modo de pensar, depois de uma viagem à Europa, tornam
mais evidente que os isolacionistas yankees estão
afastados do povo.
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Na Inglaterra, mais que as medidas governamentais, impressiona a
firmeza e resistência da população diante dos bombardeios aéreos.
Nos Estados Unidos, também o Partido Republicano, sentindo o desejo da nação de combater o totalitarismo,
viu-se na contingência de apresentar às eleições um candidato favorável ao
auxílio a Inglaterra a fim de evitar uma fragorosa
derrota. E apontou o Sr. Wilkie, cujo programa muito
se assemelha ao do Sr. Roosevelt.
Apesar dessa confissão de estar contra a opinião
popular, já tacitamente feita, a sanha isolacionista
dos republicanos não esmorece, e todos os entraves são tentados inutilmente
contra a lei de plenos poderes ao presidente para enfrentar a situação mundial.
* * *
A gravidade do momento que o mundo atravessa só não
confrange os espíritos levianos e fúteis. E por isso é digna dos maiores
aplausos a atitude do governo português que, nesta hora trágica, resolveu
proibir expressamente todos os folguedos carnavalescos nas ruas.
Estes folguedos constituiriam uma chocante prova de
inconsciência, quando na maior parte do mundo os lares estão chorando a morte
de centenas de milhares de vítimas da guerra.
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Este gesto, que manifesta sentimento de pesar pelo
luto que o totalitarismo espalha pelo mundo, contrasta infelizmente com as
disposições de caráter racista, infelizmente adotadas pela nova lei portuguesa
sobre o casamento de militares.
Reza o artigo 4º dessa lei que:
“Os oficiais do exército que solicitarem permissão
para se casar, deverão fornecer a prova de que sua futura esposa é portuguesa
de origem, que nunca perdeu essa nacionalidade, que é descendente de
antepassados europeus, que não é divorciada e que os futuros esposos possuem os
meios suficientes de subsistência em relação com o posto do marido na hierarquia
militar”.
É aí digna de elogio a medida moralizadora
que proíbe os casamentos com mulheres divorciadas - moralização que deveria ser
estendida a todo o povo pela proibição geral e conseqüente transformação do
divórcio em desquite.
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Mas qual a extensão dos demais dispositivos? Até
onde deverá ser provada a ascendência portuguesa e que os antepassados são
europeus? A existência de ascendentes brasileiros, por exemplo, constitui para
tal lei um labéu?
O racismo anti-judaico aí
implícito estender-se-ia também ao sangue mouro, e deverá ser provada a
inexistência de sangues dos antigos dominadores da península na ascendência das
noivas dos oficiais do exército português?
São questões que a lei deixa no ar, perigosamente.
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A ingenuidade com que a atitude russa na política
mundial é comentada só se explica pela má fé.
Em cada caso de invasão germânica anuncia-se a
oposição russa, inicialmente. Depois, “para evitar uma conflagração geral dos
Balcãs”, ela recua, deixando
o terreno livre para os nazistas.
Agora, em relação à Bulgária, deu-se a mesma coisa. E ainda mais, ameaça a Turquia, de quem até agora pouco era aliada, os sovietes. Anuncia
um telegrama, a respeito:
“Os russos desinteressaram-se da Bulgária. De fato,
há lugar para acreditar que sua política a respeito da Turquia se desenvolverá
da maneira seguinte: ficarão neutros se a Turquia, atacada, defender o seu
território, não garantindo em absoluto esta neutralidade, se a Turquia sair de
suas fronteiras”.
Apesar disso, há quem acredite ou finja acreditar
em divergências dos nazistas e comunistas.
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Só num terreno os comunistas agem com desembaraço:
é quando sua propaganda entrava o combate ao nazismo.
Em toda a parte, as desordens comunistas são
pretextos para restrições às justas liberdades.
Prevendo a mesma sorte os argentinos reagem a
tempo, e solicitam do presidente Orniz, a sua volta ao poder para apaziguar os ânimos políticos
exaltados e evitar as medidas draconianas que os ameaçam.
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Também contra os inimigos de Stalin os sovietes agem
com igual desenvoltura. E o general Walter Krivitsky foi a última vítima
de projeção de uma bala assassina.
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O Japão fez-se mediador
entre a Indochina e o Thailand. Mas, como ele vai ser o árbitro, exigiu para si a melhor
parte - que as delegações dos dois países, oficialmente, reconhecessem “a
posição preponderante do Japão na Ásia como única potência capaz de assegurar a
manutenção da ordem nessa parte do mundo”.