Merece registro que por ocasião das festividades
que assinalaram o 22º aniversário da instauração do fascismo, os tons dos
discursos e artigos dos elementos os mais representativos do pensamento fascista
se revestiram de um cunho acentuadamente revolucionário.
Em Roma, discursou o presidente do Senado, que enalteceu a
“epopéia do squadrismo, e a luta conduzida contra os
burgueses cujo espirito ainda hoje encontra a mais completa expressão no mundo
anglo-saxão”. Em mensagem dirigida ao Sr. Mussolini, o secretário geral do partido fascista qualificou a
guerra movida pelo fascismo a seus atuais adversários de “guerra
revolucionária”. Dias antes, o “Popolo di Roma” acentuara que a atual guerra era sustentada pela “Itália
proletária” contra os “plutocratas”, e que ela constituía em última análise uma
luta “dos ricos, dirigida contra a classe dos trabalhadores”. E, para remate, o
jornal acrescentou que é “contra esta casta de plutocratas que a Itália se bate”.
Para um partido político que ainda se compraz em se
colocar como porta-estandarte do anticomunismo, seria francamente desejável uma
linguagem menos própria a exacerbar a luta de classes que, como se sabe, é o
caldo de cultura para a disseminação dos ideais marxistas.
* * *
Não se suponha, por esta observação, que o
“Legionário” nutre qualquer forma de incondicionalismo
em suas simpatias ou antipatias. Em matéria de
incondicionalismos, só professamos o incondicionalismo
católico, pois que, sendo a Igreja infalível, só este incondicionalismo
é legítimo.
O “Legionário” já tem, com viva insistência,
demonstrado como foi nefasto à causa do anti-totalitárismo
o espírito de acomodação, de imprevidência, de cegueira incoerente, que se
costumou justamente a chamar “espírito de Munich”. Assim, qualquer país que esteja firmemente determinado
a preservar o mundo do flagelo do totalitarismo deve estar igualmente resolvido
a combater como perigo de suprema importância qualquer manifestação do espírito
de Munich. Já disse com muita razão um jornalista que
é este espírito que tem valido ao totalitarismo maiores triunfos de que jamais
poderia ter conquistado com a força das armas que dispõe.
Ora, a Inglaterra, cujos filhos vem lutando com tanta coragem, a Inglaterra
ainda tem na sua retaguarda algo daquele funestíssimo
espírito, sem o qual sua vitória jamais poderá ser efetiva.
Causou-nos pesar, e, mais do que isto, real
indignação saber, por um telegrama recente, que na “BBC” se permite que execute números artísticos certas pessoas
que se encontram ligadas ao movimento comunista inglês, quando tudo indica que
este movimento é, hoje, o nervo mais forte da propaganda de retaguarda
desenvolvida pelo totalitarismo na Inglaterra.
Não é só com sangue e com coragem que se vence. É
preciso ainda, e sobretudo, possuir coerência de ideais, firmeza inquebrantável
de vontade e perspicácia à prova de qualquer dolo.
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Telegrama publicado na semana p.p. nos dá a
dolorosa notícia de que foi fechado pela “Gestapo”, na Alemanha, o convento de São Bonifácio das Virgens da
Imaculada, sendo forçadas a abandoná-lo 110 religiosas. Como os
pretextos até aqui alegados estão muito gastos, o nazismo arranjou, para esta
nova violência, outra alegação: as Religiosas estavam consumindo mais víveres
do que o racionamento permite. Mas quem ainda acredita nestas invencionices?
* * *
É curioso que enquanto as proclamações do
totalitarismo se tornam cada vez mais acentuadamente revolucionárias, e o Sr. Rosenberg, na Alemanha, se compraz em prever a ação profundamente
niveladora que decorrerá na organização social do mundo nazista (?!) de post-guerra, na vitória do Reich, o comunismo se emburguesará acentuadamente.
* * *
Por ocasião da chegada do S.A. Matsuoka a Moscou, soubemos, graças a um pormenor de um telégrafo, que a
Rússia possui um chefe de protocolo, cargo este que,
evidentemente, supõe honrarias, distinções, desigualdades, enfim tudo aquilo
cuja supressão o Sr. Rosenberg e seus
correligionários tanto desejam.
É ainda curioso notar que os detentores do poder da
infelicíssima Rússia não julgam incoerente aceitar os ricos presentes que lhes
oferecem o plenipotenciário nipônico: a Stalin, um valioso quadro japonês do
XIII século, representando cenas de caçada, e a Molotov, uma caixa preciosa,
na qual os japoneses tem o hábito de guardar... suas relíquias de ouro e prata!
Mas quando o Sr. Rosenberg
e os comunistas vociferam pela igualdade, evidentemente não entendem que essa
igualdade se exerça em detrimento deles. Essa igualdade é dirigida não em favor
dos que possuem menos que eles, mas contra os que tem a audácia de possuir
mais.