A propaganda nazista se compraz em afirmar que não
existe, no III Reich, qualquer espécie perseguição religiosa. Entretanto, há
dias atrás, em crônica publicada no “Estado de São Paulo”, o Sr. Major Afonso
de Carvalho, que com evidente insuspeição tem
visitado a Alemanha, fez a afirmação de que nesse país é proibido fazer
empresas jornalísticas destinadas a defender a Religião. Preciosa informação
esta, de um jornalista digno de crédito, não só pelo título que tem, ainda pela
simpatia com que tem comentado mais de um aspecto da Alemanha hodierna.
* * *
Anuviando-se cada vez mais a situação
internacional, a guerra ameaça, agora, a península ibérica. Infelizmente,
porém, não é só a guerra que põe em risco os dois gloriosos países de que a
América Latina recebeu a Fé e a civilização. É a heresia, também que, mais
audaciosa do que nunca na realização de seus temerários e nefastos desígnios,
bate agora às portas da Espanha e de Portugal.
O “Legionário” já tem tido ocasião de dizer tudo quanto
experimenta em seu coração a respeito da gloriosa e catolicíssima
Espanha, a qual deu Nosso Senhor tão particulares provas de seu amor. E de
Portugal, o que diremos! O católico brasileiro que não dedicar a Portugal um especialíssimo afeto, nem é bom brasileiro, nem católico
verdadeiramente esclarecido. Basta dizer isto, para que se compreenda com que
interesse acompanhamos tudo quanto se refira àquele nobre país. Assim, foi com
a maior angústia que soubemos, por uma notícia de jornal, que o Cardeal-Patriarca de Lisboa publicou uma
proclamação da qual se deduz que sua pátria está em perigo. Assim, neste mês de
Maria, queremos pedir empenhadamente à Mãe do Céu que
proteja Portugal e a Espanha contra as incertezas do momento presente.
* * *
Deve ser acolhida com reserva a notícia, aliás
auspiciosa, da conversão do pastor Noemoeller ao Catolicismo.
Com efeito, um telegrama da Europa nos informou, na
semana passada, que o Sr. Noemoeller está movendo um
movimento de unificação entre o Catolicismo e o protestantismo, que estaria
encontrando resistência da parte dos Bispos católicos alemães. (...)
* * *
Nada tem o “Legionário” a dizer sobre a formação de
um “governo grego” que entrou em entendimento com o nazismo: a Grécia também teve o seu Quisling, e no momento atual trata-se de encontrar outro
para derrubar o Sr. Churchill e procurar entendimentos
anglo-alemães.