A respeito da sensacional “fuga” do Sr. Rudolph Hess pouco temos a
dizer. O assunto é por demais confuso, ou se tornou por demais confuso, para
que se possa formar sobre ele uma idéia clara. Entretanto, o que as agências
telegráficas deixam filtrar até nós, autoriza estas hipóteses que o futuro
confirmará ou desmentirá. Entre essas, há uma para a qual não queremos deixar
de chamar a atenção de nossos leitores.
Está posto fora de qualquer discussão, de acordo
com o noticiário telegráfico, que o Sr. Hess já
conhecia o Duque de Hamilton, com quem travou relações de amizade durante as
olimpíadas de 1936, em Berlim. Por outro lado, parece também inquestionável que o Sr. Hess, quando se dirigiu à Escócia, já teria em vista o castelo do Duque Hamilton, pois que este castelo estava
assinalado com um pequeno círculo azul, no mapa que o Sr. Hess
trazia no bolso, e que indicava o caminho que seguiu para ir da Alemanha à
Escócia. O pequeno círculo azul figurava como ponto final da trajetória. E,
quando caiu o avião, o Sr. Hess não tardou em pedir
para se avistar com o Duque; este por sua vez enviou uma carta ao jornal
inglês, lembrando-lhe a conveniência de um movimento pró paz. Assim, parece
indiscutível que o Sr. Hess não “fugiu” da Alemanha senão para fazer
uma viagem de fins essencialmente políticos.
Até que
ponto o Sr. Hitler estava interessado
nesta viagem? É esta a grande interrogação que as diatribes da imprensa nazista
contra o Sr. Hess não bastam para resolver.
* * *
O fato é que o Sr. Hitler tem encontrado tantos e
tantos asseclas nos mais diversos países, que não reputamos absurdo que o duque
de Hamilton seja um deles.
Estes asseclas, efetivamente, são de uma
pertinácia, uma audácia, um machiavelismo que
espanta. Está neste caso, por exemplo, o Sr. Degrelle, de quem, recebemos através de uma revista belga
publicada na Argentina, interessantes notícias. O Sr. Degrelle
moveu, de acordo com o que informa esta revista, uma forte campanha contra o
Episcopado belga, sob o pretexto de que ele “dá mais crédito a Churchil do que às Sagradas Escrituras”. Este é o antigo
paladino de Cristo-Rei! E, para coroar tudo isto, o
Sr. Degrelle declarou a um jornal fascista, editado
na Itália, que está preparando um corpo expedicionário a fim de bombardear
Londres com aviões e aviadores belgas. Mas felizmente
o Sr. Degrelle não é a Bélgica. Ou, antes, a Bélgica é o contrário do que é o Sr. Degrelle.
* * *
Também a solidariedade do Sr. Serrano Suner com o Sr. Hitler
continua ardente. Para provar isto, basta o telegrama por ele expedido ao Sr. Mussolini, por ocasião da fundação do Império Italiano:
ROMA,10 (S.) O ministro do Exterior da Espanha,
enviou ao “duce”
o seguinte telegrama.
“Por ocasião do aniversário do Império fundado por
vosso gênio, expresso-vos minhas mais sinceras felicitações, meu devotamento, minha amizade inalterável pelo povo italiano e
minha alegria pelas recentes vitórias, assim como votos pela realização da nova
Europa, na qual a falange marchará, ao lado
do fascismo e do nacional-socialismo. (a) A Serrano Suner.”
E ainda há quem se espante, quando dizemos que o
fascismo, o nacional-socialismo e o falangismo tem a mesma base doutrinária. Somos nós que o
dizemos? Não: é o próprio Sr. Serrano Suner que o
afirma.
* * *
Como todos vêem, a colaboração germano-russa
está atingindo seu auge, pela intervenção ativa da Rússia ao lado da
Alemanha, na política asiática.
O “Legionário” já previu longamente tudo quanto se
está passando. E, exatamente agora, quando parece ter chegado a seu zênite esta
colaboração, permitimo-nos adiantar mais uma coisa a nossos leitores, coisa
esta que certamente lhes causará surpresa: no pé em que estão essas relações,
tanto é possível que durem longamente, quanto que de repente a Alemanha agrida
a Rússia. E tudo isso sem que deixe de ser perfeitamente real a simbiose
nazi-comunista.
“Qui vivra verra”.