As previsões desta folha, acerca da política que
haveria de seguir o governo de Vichy, tiveram plena confirmação. Para demonstrá-lo, não é
necessário recorrer às importantes declarações dos srs. Roosevelt, Cordell Hill e Churchill, em que aqueles estadistas revelaram toda a extensão do
apoio prestado pelo governo do marechal Pétain ao nazismo. As
próprias declarações de autoridades francesas são, a esse respeito, iniludivelmente claras, e revelam um propósito de
colaboração que confirma largamente as impressões que o curso dos
acontecimentos nos vinha sugerindo.
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Muito importante é, por exemplo, a declaração do
General Caroux, chefe dos franceses livres do Oriente Médio, que, em
alocução dirigida a seus patrícios estabelecidos na Síria, informou haverem
sido retiradas 800 toneladas de armas e munições dos depósitos franceses de Baalbeck, a fim de serem enviadas a Bagdá, evidentemente para facilitar a ação dos nazistas contra
os britânicos no Iraque.
Como se vê, não se trata, neste fato, de uma
atitude de simples “laisser faire” ou “laisser passer”. É
uma cooperação ativa, de aliado efetivo, que o governo de Vichy
presta à expansão totalitária.
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Não foi menos importante a declaração do General Dentz, alto comissário francês na Síria, que, falando pelo microfone da Rádio Levante, afirmou expressamente que o Marechal Pétain
autorizara o trânsito e o pouso em aeródromos sírios dos aviões nazistas
destinados a bombardear os britânicos no Iraque. Evidentemente, essa faculdade
de pousar implica na faculdade de se abastecer de gasolina, etc., sem o que o
direito de pouso não teria razão de ser.
O general Dentz é o
representante do Marechal Pétain na Síria.
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Tão persuadidos estão os nazistas da eficácia desta
colaboração, que de Paris irradiaram a
notícia de que, se os norte-americanos assaltarem a Martinica, que é colônia francesa atualmente utilizada para guardar
grande parte do ouro do Banco da França, a guarnição daquela localidade preferiria fazer saltar
os depósitos, atirando-os ao mar, a entregá-los aos americanos.
Como se sabe, os depósitos de ouro da França eram
dos maiores do mundo. Que inconveniente sofreria a causa da liberdade e da
independência francesa em que este ouro fosse entregue aos yankees?
O
“Legionário” já tem denunciado incessantemente a formação, em vários países, de
“quinta colunas” compostas não por estrangeiros, mas por nacionais capitaneados
sempre por pessoas do estofo de um Degrelle, um Quisling ou um Seyss-Inquart.
Revelou-se, agora, que também o Egito tinha seu Quisling. Era o general Aziz, ex-chefe do Estado maior do
Egito, que resolveu, na semana passada, fugir de avião de sua pátria,
provavelmente com destino aos arraiais do eixo.
Evidentemente, esta fuga só tem uma explicação: o
general Aziz estava organizando alguma trama que,
descoberta pela polícia, tornou indispensável sua expatriação.
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Um pormenor interessante que se divulgou a
propósito da fuga do Sr. Rudolph Hess, e que não queremos deixar de acentuar, é que esse
político vivia cercado de astrólogos, hipnotizadores,
etc., a tal ponto que nas rodas bem informadas de Berlim chegou-se, em dado
momento, a atribuir a fuga (?) do Sr. Hess à
influência de um desses indivíduos.
O fato é interessante de se notar,
porque os próprios nazistas, que afirmaram a incompatibilidade de dogmas
católicos com a ciência moderna, são agora obrigados a reconhecer que um dos
seus se dobrava ao jugo supersticioso, irracional e aviltante de ocultistas
dessa espécie.
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Mas o fato tem um significado mais profundo ainda.
O nazismo, com suas divindades pagãs, não é apenas uma obra de charlatanice, e
revela singular estreiteza de mentalidade quem supõe. Na sub-estrutura
ideológica do nazismo existe uma forte influência ocultista
e cabalística, que vem agora à tona, incidentemente, a propósito do Sr. Hess.