Sem embargo do que esta folha já afirmou quanto à
plausibilidade de um breve entrechoque nazi-comunista, é interessante mostrar
que as relações entre aqueles dois regimes totalitários continuam perfeitamente
cordiais. E não se trata apenas da cordialidade de relações: a cooperação
política contínua e eficaz que a III Internacional vem prestando ao
desenvolvimento dos planos nazistas, continua efetiva e indiscutível. Assim, o
comunismo continua a solapar
a resistência inglesa à ofensiva do III Reich e a importância dos
manejos comunistas tem sido tal, ultimamente, que se tornaram necessárias
sérias medidas de repressão contra a atividade da III Internacional em Manchester. Se a III Internacional fosse uma inimiga autêntica do
nazismo, ela jamais se prestaria ao papel de sabotadora
das atividades britânicas, exatamente no momento em que qualquer declínio
nestas atividades pode ter conseqüências triunfais para o Sr. Hitler.
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O General Huntziger, comandante em chefe das forças de Vichy,
dirigiu aos sírios e libaneses um longo telegrama em que, enumerando os
incontestáveis benefícios que a França lhes prestou,
mencionou o “estabelecimento no território sírio-libanês
de uma harmoniosa concórdia entre o cristianismo e o islão.”
O mínimo que se pode dizer desta afirmação é que
tem um cunho acentuadamente confusionista.
Evidentemente, é desejável que os muçulmanos e os católicos, desde que devam
conviver num mesmo território, evitem quaisquer conflitos que sejam realmente
estéreis. Entretanto, daí não se deve inferir que a luta entre a Cruz e o
crescente deva desaparecer, e que uma concórdia baseada no sacrifício dos mais
sagrados direitos da Igreja possa legitimamente existir naquela região. A
Igreja, já sendo depositária da verdade, não pode deixar de cumprir sua missão
que, consistindo em pregar às máximas do Evangelho, comporta evidentemente um
ataque a todos os erros que a tais máximas se opõem. A gloriosa missão da
França no Oriente não tem consistido em acomodar doutrinas irreconciliáveis,
mas em se constituir paladina da Igreja Católica.
Assim, não podemos deixar de lamentar uma afirmação tão imprecisa do general Huntziger, afirmação que deixa transparecer a esperança de,
encobrindo a missão histórica e tradicional da França, atrair com mais
facilidade as boas graças dos maometanos.
* * *
Tanto mais digno de nota é a afirmação daquele
militar quanto ele afirma, no mesmo documento, que a França deve “prosseguir na
união fecunda das duas culturas”, cristã e maometana. Como pode haver fusão
entre estas duas culturas? Como não compreender que essa fusão implicaria em
colocar em pé de igualdade a Verdade e o erro?
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Desejamos
ardentemente que seja infundada a notícia procedente de Nova York de que o
governo de Vichy ordenara a
transferência de 40.000 quilos de ouro belga, depositado em Marrocos, para a Alemanha, a fim de ser entregue ao governo nazista. Este ouro
representa uma parte do patrimônio nacional belga, e foi enviado para a França
antes da invasão da Bélgica, permanecendo mais de um ano nas Caixas fortes do Banco
da Argélia. Foram necessárias, segundo a notícia da United Press, que temos em mão,
40 viagens pelo Mediterrâneo para efetuar o transporte desse ouro.
Infelizmente, porém, receamos que a notícia não
seja falsa, e, que constitua mais uma prova da adesão vigorosa que o governo de
Vichy presta ao III Reich.