(...) Cresce, na França, o
movimento de hostilidade ao governo de Vichy. Na
semana passada, noticiou-se que um venerando magistrado, o juiz Didier, de 62 anos de idade, recusou publicamente a prestar
juramento de fidelidade ao velho Marechal Pétain. O
protesto do magistrado foi público, e a notícia nos informa que um verdadeiro frisson de
entusiasmo percorreu toda a sala de audiências em que o fato ocorreu.
* * *
Devemos, dentro
da mesma ordem de idéias, registrar a adesão de 12.000 franceses da Ásia Menor
ao exército do Gen. De Gaulle. Ao mesmo tempo, a reação na França continua.
Segundo telegrama da A.P., publicado nos jornais
desta Capital, afixou-se em Paris o seguinte edital das autoridades germânicas
de ocupação.
“No dia 22 de
Agosto último, verificando-se o assassínio de um membro do exército alemão, foi
anunciado que se se verificassem quaisquer novos
ataques, reféns franceses seriam fuzilados. A despeito dessa advertência, um
membro do exército alemão foi vítima de um novo ataque no dia 3 do corrente. O
inquérito procedido demonstrou que o culpado não poderia ser senão um comunista
francês. Em represália a essa ação covarde foram fuzilados três reféns
franceses”.
Na noite de
sábado para domingo da semana passada, ocorreram três incidentes de sabotagem
em Paris. Foi a própria agência do Sr. Pétain que os
noticiou: um incêndio em uma garagem requisitada pelos nazistas, um ferroviário
nazista foi molestado por dois indivíduos, e um oficial também nazista recebeu
na rua vários tiros de revolver.
Quanto à origem
comunista de tais atentados, o “Osservatore Romano”
já mostrou que, se bem que alguns elementos comunistas se possam ter envolvido
neles, é um flagrante erro achar que o comunismo é a causa única de uma
inquietação que tem tantas outras causas. Aliás, é curioso acrescentar que
tanto os russos monarquistas como os russos comunistas estão sendo presos em
Paris.
* * *
Ainda a insuspeitíssima agência do Marechal Pétain
distribuiu aos jornais desta capital o seguinte comunicado:
Nantes, 8 (H.T.M.) – O
jornal “Phare de la Loire” publica a seguinte sentença da Corte Marcial:
“Por ter
favorecido, como cúmplice, a fuga de prisioneiros de guerra franceses da zona
não ocupada, e ter com isso contribuído para reforçar as forças inimigas, visto
que os referidos prisioneiros tinham possibilidade de se reunir aos partidários
de De Gaulle, ou ao exército inglês, o marinheiro Poirie, preso em Nantes, foi
condenado pela Corte Marcial à pena de morte, tendo sido fuzilado em 31 de
Agosto de 1941.”
* * *
É curioso que,
segundo telegrama da A.P., as altas autoridades
alemãs de ocupação receberam o partido único fundado pelo Marechal Pétain para apoiar na França o governo de Vichy. O que significa isto senão a confessada
solidariedade do Sr. Pétain a Berlim?
* * *
Merece a máxima atenção o
telegrama que abaixo transcrevemos:
Londres, 6 (De Gervilie Reache, da A.P.I. para a
Reuters) – Personalidades eclesiásticas neutras, que
acabam de regressar do Vaticano, anunciam que o “eixo” está fazendo uma formidável
pressão junto ao Papa no sentido de que Sua Santidade adote uma posição
favorável à Alemanha pelo menos com relação à cruzada anticomunista.
Em seus
esforços, os diplomatas do “eixo” lançaram mão de zumbaias e promessas,
principalmente promessas políticas de fazer concessões muito liberais aos
católicos alemães. Não tendo essas promessas dado resultado, teriam sido
tomadas medidas destinadas a colocar o Vaticano em dificuldades, falando-se na
possibilidade de lhe serem retirados, gradualmente, todos os privilégios
concedidos pelo Tratado de Latrão.
O primeiro
pretexto aproveitado teria sido de nivelar as condições alimentares e outras no
Vaticano, às das outras cidades italianas e, particularmente, às do resto de
Roma. Isto teria permitido à polícia romana, obedecendo, aliás, instruções de
Berlim, exigir o controle rigoroso do fornecimento e da distribuição dos
gêneros alimentícios, e outros artigos que entram no território pontifical.
As autoridades
italianas teriam declarado mais, que isso não tem senão “o começo e que se o
Papa recusasse colocar seus bons ofícios à disposição do “eixo”, seriam
canceladas as disposições do Tratado de Latrão”.
Os círculos
neutros, portadores dessas notícias, afirmam que o Vaticano permanece
insensível a todas essas ameaças, recusando-se terminantemente a permitir que a
causa do catolicismo se associe à do pan-germanismo,
tanto por ocasião da guerra contra a Rússia como em todas as outras
circunstâncias.
* * *
Deixamos para o
próximo número a jocosíssima sessão em que o Sr.
Salomão Ferraz preconizou em termos dulçurosos e
desleais, a separação de Roma, de todos os católicos brasileiros. Não está com
Cristo quem não está com a Igreja Católica, e não está com a Igreja Católica
quem não está com a Sé Romana, Cátedra infalível da Verdade. Onde está o
sucessor de São Pedro, aí está a Igreja. Sem o Papa, não há Igreja. E os
católicos brasileiros não podem senão considerar uma abominação as idéias
impregnadas de um herético e falso nacionalismo do Sr. Salomão Ferraz.
* * *
Causou sorriso
entre os que o leram um telegrama de Peiping, em que
se anunciava que a sociedade budista daquela cidade descobrira em uma prisão um
porco que seria a encarnação de Buda. Não se sabe porque o pobre porco morreu depois,
e no local em que foi enterrado, isto é, no próprio pátio da prisão, se ergueu
um monumento, ao qual afluíram muitos sacerdotes budistas a fim de fazerem um
serviço fúnebre de homenagem ao ilustre morto.
É realmente
ridículo, e causa dó ver-se que as almas imortais, criadas para adorar a Deus,
se prestem a adorar um porco. – Aproxima-se o mês das missões, e necessário se
torna pensar bem nisto.
Mas à margem deste fato,
quereríamos fazer uma pergunta: do ponto de vista religioso, há muita diferença
em adorar um porco ou adorar árvores, fontes, florestas, a raça, o sangue,
etc., etc., como entre muitos povos “civilizados” que retornam gradualmente à
prática do neo-paganismo? (...)