Não podemos crer que tenha sido fielmente
reproduzida por um de nossos diários a entrevista concedida pelo Prof. Donald Pierson, catedrático de Filosofia Social da Universidade de
Chicago, acerca da conferência que pouco depois S. Sa realizou na sede da Sociedade de Psicologia.
Com efeito, a tomar-se em consideração o que
registrou o repórter, o prof. Pierson teria
sustentado que a “criança, ao nascer, não é humana”. É fácil perceber o cunho
nitidamente materialista desta afirmação. Em qualquer fase de sua evolução
orgânica, a criança é sempre humana. Admitir o contrário seria abrir, em
matéria de birth-controll,
as conseqüências as mais errôneas e catastróficas. E um jornal católico não
pode deixar de lavrar, contra semelhante afirmação, seu mais veemente protesto.
* * *
Registramos com satisfação as declarações feitas à
imprensa pelo major Billot, militar francês egresso dos campos de concentração
nazistas, que conseguiu fugir e atingir a Inglaterra, onde luta atualmente ao lado do bravo general De Gaulle. Afirma aquele militar que os prisioneiros franceses até
agora inexplicavelmente detidos pelo III Reich, são cerca de 1.500.000, são
nitidamente favoráveis a vitória da Inglaterra repudiando, pois, claramente, a
política ambígua do governo de Vichy. Acrescentou
aquele militar que, sempre que um detento francês consegue escapar, o
conhecimento do fato provoca no campo de concentração gerais manifestações de
gáudio, cantando os infelizes prisioneiros entusiasticamente o “God Save the King” e outras canções
inglesas. O despacho telegráfico que nos trouxe tais informações acrescentou,
ainda, que mais de 200 prisioneiros franceses conseguiram, assim, fugir de 50
diversos campos de concentração nazistas.
À vista disto, continuamos a perguntar a certos
leitores franceses irredutivelmente cegos se
continuam a achar que o “Legionário” se opõe aos interesses nacionais franceses
combatendo a política nazificante do Sr. Pétain.
E nem se diga que a oposição em que o “Legionário”
está quanto à ambígua política de “aproximação” do Sr. Pétain
resulta de um furor cego, e sem qualquer discernimento contra o nazismo. Se
nosso furor fosse cego, seria menor. É precisamente porque não somos cegos,
exatamente porque ao contrário de muitas pessoas de alma morna e medíocre,
temos os olhos bem abertos para ver em toda a sua hediondez o perigo nazista,
que nosso furor é enorme. Quanto aos nazistas, só os cegos não se podem
enfurecer.
* * *
Aliás, uma prova disto está na diferença de atitude
que adotamos quanto ao Rei Leopoldo III da Bélgica e o Sr. Pétain. Censurando enormemente o velho militar francês, que
entretanto mãos impenitentes continuam a cobrir de louros, o “Legionário”
manifestou, desde o início, profunda dúvida quanto às acusações que tão
pertinazmente se faziam em torno da pessoa do Rei da Bélgica.
Evidentemente, ainda é cedo para dizer sobre
acontecimento tão complexo quanto a retirada da Bélgica do rol das nações
beligerantes, uma palavra definitiva. Entretanto, nossas impressões simpáticas
ao jovem soberano tiveram uma singular confirmação com o decreto em que as
autoridades nazistas de ocupação na Bélgica proibiram, há dias, e muito
categoricamente, que se festejasse no povo o dia de S. Leopoldo, padroeiro do Rei, sob a alegação de que este se
recusara, até agora, a colaborar com o nazismo. Como é tristemente diversa a
situação do governo de Vichy...
* * *
Se consideramos muito simpático o protesto
endereçado pelo governo chileno ao Reich contra a execução de reféns na França,
não temos a menor impressão sobre o pedido dirigido por vários intelectuais
daquela República, inclusive o reitor da Universidade do Chile, ao Sr. Pétain, para que não
entregue ao governo espanhol o Sr. Largo Caballero.
O Sr. Largo Caballero é
um malfeitor mil vezes mais perigoso do que os piores criminosos de direito
comum. Assim, pode e deve ser extraditado. (...)