A expressão
"totalitarismo" vem sendo interpretada de forma cada vez mais
incorreta por certos setores da opinião mundial, e particularmente por algumas
agências telegráficas. A ouvir determinados artigos ou comentários telegráficos
internacionais, ter-se-ia a impressão de que a característica do totalitarismo
está em que é uma forma de governo dirigida pelos Srs. Hitler e Mussolini, e
que, portanto, a mesma organização, sem ter a sua testa esses dois políticos,
já não é totalitarismo.
É impossível ver por um ângulo
menor, e com mais miopia, uma tão grande questão. A característica do
totalitarismo está longe de consistir no semblante espectral do Sr. Hitler, ou
na fisionomia teatral do Sr. Benito Mussolini. Tão pouco não são os campos de
concentração que caracterizam o regime totalitário. A este respeito, a
definição da Igreja é clara e irretorquível. É totalitário todo e qualquer
regime, com toda e qualquer dominação, governado por um, alguns, ou muitos
homens, no qual o Estado pretenda invadir esferas que não lhe são próprias,
atentando assim contra os direitos da Igreja, da família, e das pessoas,
incluindo o direito de propriedade com toda a extensão que o Direito Natural
lhe confere.
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É importantíssimo que essa noção se
conserve sempre clara. Em última análise é esta a razão pela qual a Igreja
condena o nazismo. E é a mesma a razão pela qual a Igreja também condena o
comunismo. Totalitarismo e comunismo são termos que se eqüivalem, qualquer que
seja a roupagem de que o totalitarismo se revista.
Neste sentido, é muitíssimo expressivo o
seguinte tópico da recente alocução de Natal, pronunciada pelo Santo Padre, em
que o Pontífice, ao se referir aos problemas oriundos da guerra, declara: “Novos
perigos surgiram da tendência de subordinar todas as coisas ao interesse
político, e por isso mesmo ao Estado Nacional, que tudo subordina a suas leis
humanas. A Igreja sempre condenou o socialismo marxista e reafirma ainda hoje
esse ponto de vista”.
Em outros termos, a hipertrofia do Estado,
ainda que Estado Nacional, constitui erro capitulado pela Igreja juntamente com
o seu irmão siamês, o socialismo de Estado ou comunismo.
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Também é muitíssimo significativo este
outro tópico: “Através da renúncia ao egoísmo nacional acha-se a estrada para a
salvação universal. A segurança jurídica para todos, como é solicitada pelos
princípios cristãos, significa que as leis, conforme são administradas pelas
cortes e juizes, devem resultar num bem ou então devem ser afastadas as medidas
legislativas que infrinjam a liberdade e a propriedade ou a melhora do bem
estar”.
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Finalmente, também queremos por em
destaque este outro trecho: “este apelo deve ser vigoroso por causa das
centenas de milhares de criaturas que, sem serem acusadas de haver cometido
faltas, eles próprios, mas simplesmente por motivos de nacionalidade ou de
raça, estão destinados à morte pela gradual inanição”.
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A agência Reuters, publicou na imprensa
diária o seguinte telegrama:
“Londres 21 (R!) – A polícia inglesa
deteve hoje o Sr. Stuart Morris, secretário geral da União Pró-Paz.
O detido, que era deão honorário da
catedral de Birmingham, renunciou às suas ordens sacras como protesto contra a
atitude da Igreja Britânica em face da guerra atual”.
É um caso em que se patenteia de modo
característico a impotência das igrejolas protestantes em conservarem sua
autoridade espiritual sobre seus membros, paralisadas como estão pelo vírus
fatal do livre-exame.
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É digna de registro a notícia de haver
entrado em um convento o Sr. Elpídio Gonzalez, ex-presidente da Argentina, que
abandonou com isto suas atividades políticas.