Os adversários da civilização católica tem obtido o
mais amplo proveito com a confusão que lança nos espíritos o ver-se a braços de
uma heresia contra outra, ou seja, o nazismo contra o comunismo. Continuamente, procuram eles - quer os da extrema
direita, quer os da extrema esquerda - persuadir-se de que não podemos atacar a
ideologia de um sem aceitar a de outro. E, como ambos são hereges em grau sumo,
daí decorreria que o católico deve necessariamente ser herege, ou ao menos
simpatizante com esta ou aquela heresia.
Evidentemente, faríamos o jogo do adversário
conformando-nos com uma alternativa tão injusta quão irreal. Nossa grande
preocupação deve consistir em conservarmos na confusão dos dias que correm uma
inteligência e um coração inteiramente católicos, sem qualquer espécie de
complacência, quer intelectual, quer afetiva, por qualquer erro, quaisquer que
sejam as razões que a isto nos arrastem.
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Notem bem nossos leitores que há nisto uma
preocupação central para a vida espiritual de cada um. A parábola da vinha e
dos sarmentos costuma ser justamente interpretada como simbolizando a união dos
fiéis com Jesus Cristo, Senhor Nosso. Sem essa união, somos ramos secos, que
nada produzem e acabam por fenecer inteiramente.
Mas a união dos fiéis com Nosso Senhor Jesus Cristo
se faz na Santa Igreja Católica, Apostólica e Romana. Não há para nós outro
meio de nos unirmos a Nosso Senhor, senão na Santa Igreja. Assim, a parábola também serve para elucidar as relações
dos fiéis com o Corpo Místico de Cristo, e particularmente com a Santa Sé.
Ligados a ela, podemos ser sarmentos cheios de vida e fecundidade. Separados
dela, somos sarmentos destacados da vinha. A morte e a esterilidade serão nossa
justa punição.
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Se a união à Santa Igreja, e, portanto de modo
muitíssimo particular nossa união à Cátedra infalível de São Pedro, é condição
essencial de nossa vida e fecundidade, quanto mais unidos formos a ela, tanto
mais estuante será nossa vida, tanto mais rica nossa fecundidade.
Ora, como conseguir essa união perfeita com a Santa
Igreja? Conformando com a doutrina dela todo o nosso ser. Nossa inteligência
deve imbuir-se a fundo e inteiramente, não só sem reservas mas com santo
entusiasmo, da doutrina e do espírito dela. Nossa vontade deve querer
absolutamente tudo quanto ela quer. E, tanto quanto nossa sensibilidade possa
estar sob o domínio de nossa vontade, também nossa sensibilidade deve vibrar exatamente
como manda a Santa Igreja. É a isto que deve tender o esforço incessante de
todas as potências de nossa alma, iluminadas e robustecidas pela graça de Deus
sem a qual nada podemos, mas com a qual podemos tudo.
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Seria ocioso fazer
qualquer digressão sobre a nobreza da inteligência humana. Não se compreende
como possa alguém procurar santificar-se sem empregar um meticuloso cuidado em
consagrar inteiramente a Deus essa nobilíssima potência da alma, dela escoimando inteiramente não só qualquer opinião errônea, mas
ainda as que tiverem simples sabor de erro, ou sejam, temerárias e arrojadas. A
purificação da inteligência pelo seu radical divórcio de qualquer laivo, por
mínimo que seja, de erro, é um grave e imperioso dever da vida espiritual, que
cada qual deve levar a cabo com diligência, e dentro da bitola de seus recursos
e exigências intelectuais.
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Vê-se claramente como o pseudo dissídio
nazi-comunista pode iludir facilmente os espíritos, e arrancá-los a essa
cuidadosa união à Igreja, que é para eles condição de vida e fecundidade.
Para fazer face a esse perigo, uma das reflexões
salutares consiste precisamente naquilo que o Santo Padre Pio XI lembrou com tanto
acerto na Encíclica que escreveu contra o nazismo, e que a cada passo se vem
confirmando: não se pode apontar um marco divisório real entre as concepções
políticas, sociais e econômicas do nazismo e do comunismo. Sempre que um católico aplaudir as doutrinas nazistas ou
consentir em alguma simpatia para com elas, terá dado um passo no sentido do
comunismo. E, reciprocamente, sempre que tiver consentido em alguma simpatia
para com o comunismo, seus homens e seus métodos, terá dado um passo no sentido
do nazismo.
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O Sr. Adolph Hitler, em seu recente discurso, ilustrou muito bem esta
verdade. Declarou o "führer" alemão que o
nazismo se propõe, mediante uma evolução social intencionalmente preparada
depois da guerra, eliminar a diferença existente na sociedade contemporânea, entre
as várias classes. Em outros termos, pretende fazer o comunismo. Stalin ou Molotov não teriam
linguagem diferente.
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Com efeito, a doutrina católica ensina que todos os
homens não são iguais no que diz respeito aos bens desta vida, e que a
diferença de classes sociais é essencial a toda sociedade humana bem
organizada. Atentar contra essa justa diversidade - que se deverá manter
entretanto dentro dos limites morais e econômicos estabelecidos pela própria
doutrina católica - é dar mostras de espírito revolucionário, daquele espírito
que causou a primeira das revoluções, a de Lúcifer
contra Deus.
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Passando a outro assunto, regozija-nos a notícia de
que se formou agora em Londres uma sociedade
especialmente destinada a combater a crescente influência da música
norte-americana na Inglaterra.
O que se convencionou chamar internacionalmente
música norte-americana, e que não se exprime na realidade senão uma tendência
musical existente entre norte-americanos - não queremos crer que compendie
inteiramente todo o bom gosto naquela florescente nação - não é outra coisa
senão um sintoma da grave proletarização de costumes
de que cada vez mais se vai ressentindo nossa sociedade. Tomando ritmos e danças [...] em que a extravagância é o
único "mérito" e nas quais a civilização não exerceu sua ação toda
feita de harmonia e bom senso, as danças de toda sociedade, mesmo da melhor e
mais culta; essas danças deformam a moral, desequilibram os temperamentos,
adulteram o gosto e ameaçam ferir a fundo a cultura ocidental.
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Por isso, entendemos que também no Brasil se deva lutar
contra tão nefasta influência, seguindo o exemplo de Londres. E, aliás, os próprios
norte-americanos fariam bem em impedir que o cinema e as revistas apontassem
constantemente essas danças como as únicas que possuem. Ninguém lucraria mais
do que eles, e sem prestigiar os verdadeiros valores artísticos que
necessariamente devem ter, e em repudiar de vez a idéia que certos meios de
publicidade inculcam, que nessas extravagâncias musicais está contido o mais
fino primor do gosto americano.