Causa-nos o maior prazer registrar aqui o telegrama
em que o presidente da Associação Internacional Católica Pró-Paz, de Nova York, Sr. Mac Maschon, exprimiu o desejo dessa entidade de que os Aliados só
deponham as armas diante de uma rendição incondicional. É esta a única política
razoável.
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Ninguém mais do que o “Legionário” tem timbrado em
afirmar sua inabalável convicção de que o esmagamento das potências
totalitárias constitui, não só para o Brasil mas para a Igreja Católica, uma
necessidade. Se bem que dos próprios arraiais católicos mais de um protesto nos
tem chegado contra tal tese antes do Brasil entrar em guerra e
de se constituir a unanimidade nacional sobre o assunto, sempre mantivemos
nossa posição firme. Com sobra de razão a manteremos hoje em dia.
Mas é preciso ser aliadófilo.
O homem deve ser governado sempre pelo bom senso. E mesmo os sentimentos os
mais nobres são passíveis de censura quando deixam as rotas seguras que o bom
senso nos indica.
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Folgamos imensamente em que a ofensiva nazista se
tenha quebrado diante de Stalingrado, na última ofensiva do III Reich. Neste sentido, é claro que, estimando um insucesso
nazista, declaramos implicitamente estimar o sucesso russo. O próprio princípio
da contradição em conseqüência do qual uma coisa não pode ser ao mesmo tempo
ser e não ser, nos impõe tal conduta.
Entretanto, isto não quer dizer que considerássemos
o êxito soviético outra coisa senão um mal menor. Mal menor que nem por isso
deixa de ser um mal muito e muito grave.
O Brasil é um pais essencialmente católico. Não
podemos, pois, estimando embora os insucessos nazistas, aplaudir de qualquer
forma os homens que causaram a derrota germânica. Com efeito, não podemos
separar a personalidade desses homens, de tal sorte que aplaudamos neles apenas
o militar ou o diplomata, reprovando embora as outras
"especialidades" desses homens, como seja de opressores do culto
católico e defensores de um regime político e social irredutivelmente
oposto ao que a doutrina católica preceitua. Há nódoas tais na vida de um homem
que nada as pode apagar. Se Herodes fosse ótimo
general, ou Caifás excelente
diplomata, nem por isto incluiríamos as efígies desses deicidas abominandos em uma galeria de vultos dignos de aplausos.
Ser comunista é uma nódoa assim. Não podemos, sob pretexto algum, aplaudir os
comunistas. Aplaude-se o bem. Tolera-se apenas um mal menor. E isto com o
propósito de o combater logo, muito e a fundo desde que as circunstâncias o
permitam. É um mal menor (certamente muito desejável como tal) que os
comunistas vençam os nazistas. Mas não é um bem.
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Esta observação tem muita importância. Fez-nos mal
ouvir como em certos cinemas quando se exibiu a fita "Unidos
venceremos", tão interessante, instrutiva e recomendável sob vários
aspectos, certas pessoas aplaudiram indistintamente Schuschnigg e Timoschenco, isto é um soldado de Cristo e um bolchevista. Ainda
agora um diário desta capital publicou a notícia de que se inaugurou em uma
sociedade recreativa de uma tradicional e simpática cidade do interior um
retrato de Timoschenco. Confessamos que, para os
católicos, o único desejo seria de fazer em pedaços este retrato, rezando para
que Deus, derrotando hoje os nazistas pelo braço bolchevista, liberte amanhã a
Rússia e o mundo inteiro dessa verdadeira e péssima
praga, que é o socialismo.