O bombardeio da cidade de Roma, da capital da Cristandade, é para nós fato tão doloroso
que, em uníssono com o Santo Padre, lhe consagramos hoje o nosso artigo de
fundo. Entretanto, há mais uma notícia dolorosa a comentar, esta de caráter
doméstico. Não será demais que lhe consagremos todos os tópicos dos "Sete
Dias em Revista".
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Lembramo-nos ainda da indignação do alarma, dos
protestos com que a opinião católica acolheu, há poucos meses, uma campanha
articulada no sentido de implantar entre nós o divórcio a vínculo. Não
havia coração na qual não vibrasse uma centelha de Fé, que não sentisse a mais
funda contrariedade, a apreensão mais vivaz, a repulsa mais intransponível, a
esse desígnio que aparecia patrocinado por certa imprensa e quiçá por certa
política, de destruir em seu alicerce a família brasileira, introduzindo entre
nós a poligamia a prestações, que é o divórcio a vínculo, equiparando-nos
portanto, aos povos pagãos ou heréticos.
Foi tão vivaz o movimento de opinião que nessa
ocasião se manifestou, que nos debates então travados no Conselho da Ordem dos
Advogados, seção de São Paulo, um conselheiro divorcista votou contra o
divórcio, apenas por entender que essa divisão interna entre brasileiros era
hostil aos interesses nacionais em tempo de guerra. E quanta razão lhe
assistia! No momento em que todos os esforços devem estar concentrados na
defesa do país e na mobilização de seus recursos para a luta, por que provocar
uma discussão intestina que constituirá certamente
dos maiores abalos que a opinião pública possa sofrer?
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Andou muito bem, pois, o Conselho da Ordem dos
Advogados de São Paulo quando votou contra o divórcio. Pouco depois,
realizaram-se novas eleições. E os advogados do Estado elegeram um conselho de
maioria anti-divorcista esmagadora, com o que
deixaram transparecer bem claramente a orientação da opinião pública,
claramente anti-divorcista.
Em São Paulo, pois, não temos preocupações. O voto
contra o divórcio na Ordem dos Advogados será indiscutível.
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Tranqüilizada por solenes garantias do Governo
Federal, a opinião católica já não cogitava do assunto e se entregava laboriosa
e enérgica aos afazeres da defesa nacional, quando nos chega a dolorosíssima notícia de que, no Rio de Janeiro, o Instituto da Ordem dos Advogados reabriu o debate em
torno do problema, com uma conferência pública sobre o assunto! Querer-se-á
ressuscitar a luta, reavivar todos os ressentimentos, perturbar novamente o
espírito público e desafiar a opinião unanimemente católica do país?
Francamente, julgamos de tal maneira inoportuna
qualquer atitude neste sentido, que nos parece que o Governo receberia o mais
caloroso aplauso se fizesse cessar o debate, restituindo aos ânimos a desejada
concórdia, e poupando ao país a mais terrível agitação.