Tivemos ocasião, em nossa última edição de
externar toda a nossa solicitude pela cidade sagrada dos Papas, pela Roma
gloriosa que é a cabeça e a mãe de todas as cidades cristãs.
Os comentários que a este respeito tecemos
coincidem pormenorizadamente com os que fez a Rádio Vaticana, segundo despacho
telegráfico publicado por nossos jornais diários, e que reproduzimos em nossa
edição de hoje. Nada temos a acrescentar sobre o assunto, senão que a queda de Mussolini torna extraordinariamente propícia a situação
para que Roma seja considerada cidade aberta. Façamos nossos melhores votos
para que assim suceda na realidade.
* * *
Um telegrama proveniente de Zurique parece
dar início a uma manobra que certamente vai crescer de vulto depois da guerra:
informa que “os capitalistas, a classe média e os interesses da Igreja, que
antes se achavam, na Itália, aliados ao fascismo, enxameiam agora em torno de Badoglio como de uma tábua de salvação. Onde se colocarão
os fascistas com tendência socialista que derrubaram Mussolini,
é coisa de se esperar para ver.”
O telegrama é realmente curioso. Ele serve
por demais aos interesses da propaganda subversiva, para que não o analisemos
detidamente.
* * *
Segundo o que ele nos diz, havia fascistas
clericais e fascistas socialistas. No momento em que a Itália e o mundo se
sentem aliviados com a queda de Mussolini, o
telegrama insinua que os fascistas socialistas é que prestaram ao mundo este
benefício, enquanto os clericais, espavoridos, procuram em Badoglio
uma tábua de salvação. O que, em outros termos, quereria dizer que os
clericais, sempre partidários de tiranias como gosta de os representar
estupidamente a campanha subversiva, já não podendo apoiar-se no ditador,
procuram, trêmulos, impotentes, açodados, o apoio da espada de Badoglio... como tábua de salvação! Enquanto os bravos
socialistas, viris, previdentes, corajosos, derrubaram Mussolini!
Bonito panorama! É com noticiasinhas
destas, cuidadosamente embebidas em fel, que se envenena lentamente o
subconsciente das multidões.
* * *
Para não ir mais longe,
gostaríamos de perguntar ao autor do telegrama se a Igreja não procedeu sempre
com inalterável sobranceria em relação ao totalitarismo. Conhece ele a
Encíclica "Non Abbiamo Bisogno”? Conhece a "Mit Brennender Sorge”?
Conhece a história do Pontificado de Pio XI? Conhece a altiva e imperturbável
serenidade de Pio XII diante de toda a prepotência totalitária, seu caloroso
protesto contra a invasão da Bélgica, Holanda e Luxemburgo, e, mais
recentemente, seu belo e imparcialíssimo protesto
contra o bombardeio de Roma? Com dois dedos de história, se esfarela a acusação
de nosso telegrafista. E, entretanto, esta acusação
ainda se repetirá...
* * *
O correspondente que teve a bela
idéia de nos sugerir que trabalhássemos pela instituição de um "Dia do
Sacerdote", não se satisfez com o que respondemos sobre o "Sábado do
Sacerdote", promovido pelos beneméritos PP. Salvatorianos.
Parece-lhe que seria necessária uma série de cerimônias externas, quando o
"Sábado do sacerdote" consiste em orações meramente privadas. Não
vejo porque uma iniciativa exclua outra. Quem sabe se, para incentivar o
"Sábado do Sacerdote" poderia ser feita uma cerimônia pública todos
os anos? É questão a ser examinada e tratada diretamente com a Autoridade
Eclesiástica, única competente neste assunto.
De qualquer forma, ainda
gostaríamos de informar ao inteligente e piedoso missivista que o "Dia das
Vocações", comemorado geralmente com brilho pela também benemérita Obra
das Vocações, é, de fato, um "Dia do Padre".
Não gostaríamos de encerrar o
assunto sem manifestar nosso contentamento com o interesse que o missivista dá
ao assunto. Hoje mais do que nunca, é preciso trabalhar para que o Sacerdote
seja admirado, ama-.... [erro tipográfico do jornal].