Corre mundo em nossos dias uma teoria extravagante. Toda a ideologia, quando contrariada frontalmente,
com isto mesmo se desenvolve. Assim quando
queremos combater uma idéia, devemos antes de tudo não a atacar de frente.
A contradição age sobre as idéias como o vento sobre a brasa. Não é com vento,
mas com cinza, que as brasas se apagam. Não
se extinguem os grandes erros atacando-os, mas deixando-os cair no
esquecimento.
Em abono desta tese, invoca-se um exemplo: o que
conseguiram contra a Igreja nascente as primeiras perseguições? Excitaram
apenas as convicções dos fiéis.
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Não se
pode negar que, em algumas circunstâncias muito especiais, o esquecimento é o
melhor modo de combater certas doutrinas. Nem por isto se há de adotar, como
regra comum de prudência, o princípio de que o melhor meio de extinguir
incêndios consiste em os deixar lavrar à vontade, fazendo completa abstração
deles.
A esta reflexão, outra se acrescenta. Os autores de
maior peso da Igreja costumam afirmar que as perseguições constituíram uma
provação terrível que, humanamente falando, teria dado cabo do Catolicismo. Se este não soçobrou, seu triunfo não se deve a
razões humanas, mas a motivos
sobrenaturais. Visto assim o problema, segue-se que, humanamente falando, a tática dos Neros e dos Calígulas não foi má:
foi excelente, e tão excelente que só por milagre não atingiu seu fim.
E é lógico. Porque, do contrário, se a Igreja é uma árvore que só cresce e frondeia a
golpes de machado, os grandes benfeitores do Catolicismo seriam os Neros, os
Calígulas, os Stalins ou os Hitlers.
Ninguém levaria a insânia a ponto de subscrever
esta tese.
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Quando
censuramos a política frouxa do Partido Democrata Cristão e do Movimento
Republicano Popular, na Itália e França, contra o comunismo, muito leitor ponderou
que não tínhamos razão: era melhor colaborar, angariar as simpatias dos vermelhos,
amortecer suas desconfianças, anestesiar suas doutrinas, e traze-los por fim
para o bom caminho. A luta de viseira
erguida, objetavam, só serviria para
acender mais o incêndio.
Nós achamos
o contrário. Esta colaboração por demais cordial desarmaria a resistência,
desmoralizaria a prevenção dos bons, desarticularia a coordenação dos
anticomunistas.
Qual das
táticas
era a verdadeira? As urnas acabam de
responder: a votação comunista cresceu na França e na Itália.
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Já que falamos em colaboracionismo, lembramo-nos de
que, muito freqüentemente, se fala hoje na colaboração dos católicos e
protestantes contra os vermelhos. Em si mesma, esta colaboração não é má. Mas
pode facilmente tornar-se péssima.
Do outro lado, muitos católicos exageram as possibilidades
de resistência do protestantismo contra o comunismo. No Brasil, estas possibilidades são quantitativamente
insignificantes, já que 98% dos brasileiros são católicos. E qualitativamente
são igualmente insignificantes no mundo inteiro, porque, em virtude do livre
exame, o comunismo está penetrando torrencialmente nas fileiras protestantes.
Assim, um telegrama proveniente de Londres informou que o "reverendo" George Chambers, anglicano, inaugurou em seu templo uma imagem de
N.S.J.C., tendo em uma das Mãos a foice e na outra o martelo!
Cristo-Comunista, exposto à adoração dos fiéis. É
possível levar mais longe a blasfêmia e a quinta-colunagem?
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Continua
na Iugoslávia a perseguição
religiosa.
Os Franciscanos foram obrigados a abandonar o país. Bem
entendido, porém, a culpa é dos Franciscanos que não tiveram o
"jeitinho" necessário para colaborar com Tito e outros cordeiros
do mesmo rebanho.
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Também não teve este famoso "jeitinho"
Mons. Theodoro Rombe, Bispo titular
da Apia, e auxiliar da Diocese de
Minkacz na Hungria, que acaba de ser expulso por pressão dos vermelhos.
Como o Comunismo seria bonzinho, se nossos
eclesiásticos não fossem tão ruins!
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Não sabemos como qualificar a deliberação das autoridades bávaras de transformar em escola pública a
residência de Hitler em Berchtesgaden. Esse local se encontra aninhado no alto de inacessíveis
montanhas, e só se chega ali por meio de elevadores cuja manutenção é
custosíssima. Nada há de mais extravagante, do que fazer funcionar ali um grupo
escolar. Do outro lado, quem não vê que
será impossível evitar que este local se transforme em centro de
"peregrinações" perigosas?
Berchtesgaden deveria ser dinamitada, e é
conservada. Os campos de concentração
deveriam ser conservados para "peregrinações" salutares, e são
destruídos.
Assim vão as coisas!