Registramos aqui todo o nosso contentamento pelas numerosas manifestações de desagravo de que
tem sido alvo na Itália o Sumo Pontífice, por motivo da
campanha anticlerical movida por certos órgãos da
imprensa peninsular.
Estas
manifestações, amplamente noticiadas pela imprensa diária, valiosas quer pela qualidade dos manifestantes, quer por
seu número, bem demonstram que a
campanha anticlerical e pornográfica é produto de manobras escusas e secretas, visando fins políticos inconfessáveis: que é, em uma palavra, um movimento absolutamente artificial, que não reflete de modo algum o
pensar e o sentir do povo italiano.
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Nossas
críticas ao gabinete trabalhista tem sido confirmadas, ponto por ponto, pelos discursos do Sr. Wiston Churchill. Assim já tivemos ocasião de acentuar que o gabinete Attlee está "liquidando" o Império
Britânico, e que o enfraquecimento da influência colonial dos povos
ocidentais e cristãos trará para as missões conseqüências incalculavelmente
nocivas.
Não houve pessimismo de nossa parte ao considerar o
alcance funesto da ação do Sr. Attlee para o Império. Em
recente discurso na Câmara dos Comuns, o Sr. Churchill teve ocasião, entre
outras coisas, de afirmar que o Império Britânico parece estar sendo gasto
quase tão depressa quanto o empréstimo dos Estados Unidos. Em seguida, referiu-se
à "apavorante pressa" com que o Sr. Attlee está dissolvendo o Império, e acrescentou que "a palavra naufrágio é a única aplicável ao caso". Esta
pressa está sendo tão grande, afirmou o preclaro "leader de guerra" inglês, que até paralisa e desmoraliza a ação dos
elementos nativos que, nas várias colônias, gostariam de lutar contra os pruridos separatistas, e em favor da
união na Commonwealth.
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Segundo telegrama publicado nesta semana, também
não estamos sós nas censuras que movemos a ação do Partido Democrata Cristão da Itália. Não são
os adversários do Sr. De Gasperi, os monarquistas ou os elementos da direita, que o estão
combatendo. Combatem-no também seus
próprios partidários.
Segundo informa a agência "France
Press", o PDC
está cindido a propósito de três questões essenciais: a colaboração com os comunistas, que é
impugnada por grande número de democratas cristãos; a incompetência da direção partidária, responsabilizada pelo declínio
de votos do PDC nas eleições municipais; e, por fim, uma corrente se afirma
irritada com o Sr. De Gasperi, não porque colabora com os comunistas, mas
porque esta colaboração não é tão estreita quanto "deveria ser".
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Como se vê, o Sr. De Gasperi não está contentando a ninguém: é
este o destino de todos os fracos, que procuram contentar a todo o mundo. A
fábula do velho, do menino e do asno, é de uma atualidade perene.
De tudo isto, retenhamos duas observações. A
primeira é que o Sr. De Gasperi está fazendo a
Itália correr sério perigo. Podendo ligar-se com os
partidos da direita, para uma coligação anticomunista, não o faz. Pelo menos,
poderia ele apoiar-se em elementos do centro, para constituir um governo
igualmente distante da direita e da esquerda: também não o faz. E deixa vários ministérios importantíssimos
em mãos de comunistas, em conseqüência da detestável coligação em que se
mantém. Isto tudo, de um lado. Do outro, os
comunistas não dormem. Um dos elementos mais proeminentes do PDC italiano,
o conde Stefano
Jacini, já desmascarou publicamente os manejos comunistas,
dizendo que os vermelhos se rearmam à
luz do sol, para alguma grande aventura, enquanto o PDC cochila. Tem, pois,
toda a razão o conde Jacini, em exigir uma mudança de
política da parte do governo.
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Mas, de outro lado, é tão perigosa esta tendência
"colaboracionista", que no próprio PDC o Sr. De Gasperi
já está sendo combatido por partidários de um erro mais grave que o dele. Rampa
escorregadia, o colaboracionismo nunca é estático, e
leva sempre ao abismo. Causa horror
ver-se que no seio de um partido de católicos pode formar-se uma corrente de
tal maneira transviada, que chega a querer comprometer a causa católica na
realização de uma ordem política e social que é o oposto da civilização cristã.
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A intensidade
da luta entre franceses e siameses prova bem claramente a situação em que estão,
militar e psicologicamente, as nações do Oriente. Todas elas estão sendo
trabalhadas por um espírito de xenofobia e de revoltas que prejudica a fundo a
influência do Ocidente, e dispõem hoje de meios para vencer, ou, quando nada,
para resistir longamente.
Quem
lucra com isto? A Rússia. Não terá ela os dedos nesta campanha nacionalista que
lavra na Ásia e na África?
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Voltemos mais uma vez ao assunto que temos deixado
um pouco de lado. É a questão muçulmana.
No
parlamento francês, a bancada muçulmana é numericamente pequena. Mas, como ela representa
as aspirações de uma imensa população, e de sua boa vontade decorre a
viabilidade de solução de um dos mais agudos problemas franceses, que é o
problema colonial daí decorre que a importância dessa bancada é muito grande na
Câmara. Do outro lado o extremo
fracionamento dos partidos pode facilmente atribuir à representação
muçulmana um papel decisivo. Tudo isto somado leva à conclusão de que os muçulmanos atuam
com prestígio e com grandes trunfos políticos no Parlamento da Nação que outrora se orgulhava em chamar-se la fille ainée de l'Eglise.
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Na
Palestina, os muçulmanos
estão lutando vigorosamente contra os judeus, e com grande habilidade eles
se aproveitam do conflito para
reascender o espírito de seita e de raça, outrora
adormecido entre os seus organizando assim em uma só potência todas as
influências muçulmanas (aliás racialmente eclética) da Ásia Menor. [...]
E o direito dos católicos aos Lugares Santos periclita a olhos
vistos.
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Na Índia, o Sr. Ali Jinnah, chefe da Liga
Muçulmana, continua a vociferar. Esse Sr. foi agora aos Estados
Unidos, em viagem de propaganda política. E de lá fez discursos
prevendo desastres sem precedentes, se a Índia não for fragmentada em dois
Estados, de sorte que os muçulmanos adquiram plena independência. Claro está
que o Estado muçulmano hindu será mero satélite da Liga Muçulmana.
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E, por fim suma desolação, também os republicanos espanhóis estão bajulando os muçulmanos para
ver se chegam mais facilmente a seus desígnios. Se essa torpe aliança bolchevista-muçulmana vingar na Espanha, teremos voltado aos tempos anteriores à
queda de Granada e os mouros serão novamente forças políticas nos
acontecimentos ibéricos.