Registramos a auspiciosa noticia de que o Revmo. Monsenhor Emílio Salim, Diretor das Faculdades
Católicas de Campinas e vice-reitor da Universidade Católica de São
Paulo, recebeu na semana passada, da Sagrada Congregação dos Seminários, da
qual é Prefeito Sua Eminência Reverendíssima, o Senhor Cardeal Pizzardo, o "Breve" pontifício que aprova os estatutos
da referida Universidade.
No mesmo "Breve", Sua Santidade o Papa
Pio XII, gloriosamente
reinante, se dignou de confirmar no cargo de reitor da Universidade Católica a
S. Excia. Revma., o Senhor
Dom Paulo de Tarso Campos, Bispo
Diocesano de Campinas.
Comentando o fato, o "Osservatore
Romano", órgão oficioso da Santa Sé, traz elogioso artigo.
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A crise do
carvão na Inglaterra está assumindo proporções gigantescas e põe em foco, de modo sensacional, o problema da competência do governo
trabalhista no traçar e executar os planos necessários para o soerguimento britânico neste duro pós-guerra.
Considerando o problema de um ponto de vista ainda mais alto, é o próprio valor doutrinário e prático do
socialismo que está sendo experimentado e discutido através dos
acontecimentos ingleses desta semana.
Não entramos no âmago do assunto, tratada na seção
"comentando" de nossa redação de hoje. Mas não queremos dispensar-nos
de transcrever aqui algumas das críticas
de Wiston Churchill contra o gabinete Attlee.
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Disse o famoso leader de guerra: "estamos experimentando uma amostra do socialismo,
isto é, de um socialismo sem amparo total, sem ação. Os socialistas estão atarefados de tal forma com a nacionalização
doutrinária e com a guerra de classe, que não tem tempo nem capacidade nem
cérebro para tomar providências administrativas comuns, que o mais simples bom
senso exige. O fato real, nu e cru, que se nos apresenta, é o de que o
socialismo é má administração, economia doméstica precária, incompetência e
degenerescência progressiva na vida quotidiana dos habitantes desta ilha".
Não se diga que, sendo chefe da oposição
conservadora, Churchill
é suspeito para formular qualquer acusação contra os trabalhistas. Devemos
lembrar-nos todos de que, por ocasião da
campanha eleitoral da qual saíram vitoriosos os trabalhistas, Churchill previu precisamente o que está sucedendo.
Acharam-no suspeito na previsão. Achá-lo-ão ainda suspeito agora, quando a
realidade dos fatos confirma tudo quanto ele disse?
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As atitudes de desculpas do elemento trabalhista
justificam por sua vez, e de modo mais insuspeito, as acusações de Churchill. Partido todo-poderoso,
pois que tem forte maioria parlamentar, os socialistas
pediram contudo uma espécie de
coligação com os conservadores, à vista da crise, como que tentando, por
meio de alguns lugares no governo, ou qualquer outra compensação deste gênero
tapar a boca aos conservadores. A esta sugestão, Churchill respondeu em plena Câmara dos Comuns, com sua costumeira energia, exclamando "nada de coligações".
O Ministro do Tesouro levantou-se para refutar Churchill. E o que disse ele para justificar a política dos
trabalhistas, seus correligionários? A lição desta crise é dura mas estamos
aprendendo assim a não enfrentar o inverno com estoques tão pequenos. Em outros
termos os estoques acumulados pela Inglaterra, foram insuficientes. Ela
exportou demais, guardou de menos. Em
outros termos ainda: o governo foi
incompetente.
Sim, o governo, porque hoje em dia todas as minas
de carvão da Inglaterra pertencem ao Estado, por obra e graça dos trabalhistas.
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Aliás, tudo isto não escapa à percepção dos
observadores sadios de outros países. Assim, o “Daily Mirror”
de New York comentando a
crise britânica escreveu que sob o socialismo na Inglaterra "tudo,
inclusive a liberdade do povo, está sendo sacrificado".
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O fato de haver sido libertado pela França o chefe muçulmano Abd-el-Krim, talvez a figura que mais agudamente simbolize o espírito
de hostilidade muçulmana contra o Ocidente cristão, é muito digno de nota.
Trata-se de uma autêntica vitória da Liga árabe. Abd-el-Krim, preso em
possessão francesa da África meridional há vinte anos, foi o chefe arrojado infatigável de uma longa revolta dos nativos
da África do Norte contra a França e
Espanha. Foi uma verdadeira
guerra, tão séria que o governo francês teve de destacar o generalíssimo Pétain para chefiar as
operações do exército metropolitano.
Bastou que um secretário da Liga árabe pedisse a
soltura de Abd-el-Krim ao embaixador francês do
Egito, para que imediatamente o governo de Paris atendesse ao pedido.
Abd-el-Krim residirá na Côte d'Azur, que hoje mantém
comunicações marítimas e aéreas incessantes com a África do Norte, onde
fervilham os descontentes. Não é fácil prever qual será o resultado desta
medida imprudentíssima, uma vez que Abd-el-Krim está sexagenário. Mas sua libertação despertou contentamento em todos os seus antigos súditos
que, au su et au vu do governo de Paris,
organizam deputações, caravanas, etc., que vão homenagear o antigo cabecilha.
Depois do imenso triunfo que foi a libertação do Mufti, é esta a
vitória moral mais expressiva obtida pela Liga árabe. Certamente, tudo isto está inflamando o entusiasmo do
mundo muçulmano, e lhe dá uma consciência de sua força... e da debilidade das
nações cristãs, que, por sua vez, convida
a maiores audácias.