O discurso
de Truman demonstrou toda a
fraqueza, inconsistência, precariedade da Organização das Nações Unidas, tão pomposamente inaugurado ainda há poucos dias atrás.
Não sabemos se esse frágil edifício
se esboroará agora. Mas, pelo menos, os fatos acabam de demonstrar que ele é de argila.
Isto nos faz lembrar o que escrevemos há algum
tempo. A Organização das Nações Unidas está fadada ao insucesso, por causa de
seu laicismo. Qualquer
organização internacional que se afaste da idéia de Deus não pode deixar de
conduzir ao domínio dos mais fortes sobre os mais fracos. E, evidentemente,
se é este o resultado a que se há de chegar, para que tribunais de justiça
internacional, leis internacionais, etc., etc.?
* * *
Não fiquemos nas meras palavras. Só com a
"idéia de Deus" nada se faz. Primeiramente, porque Deus não é uma
ficção, mas uma realidade, o Ser absoluto. Em segundo lugar, porque toda a vida
os povos creram em Deus, ou ao menos em deuses, e nem por isto deixou de haver
guerra. É no Cristianismo que se deve
encontrar o remédio. E Cristianismo significa Catolicismo.
Se a ONU fosse constituída à sombra do Papado, sob
a presidência do Vigário de Cristo, por povos cristãos, então a ordem universal
não seria uma quimera. Mas nem todos os povos da ONU são cristãos, nem todos os
povos cristãos são católicos, nem todos os povos católicos são dirigidos por
governos católicos, e nem é possível que num ambiente destes o Vigário de
Cristo exerça uma influencia eficaz.
Nestas condições, o fracasso é inevitável. Lá está, no cemitério da História, a defunta Liga das Nações. Ao lado dela, já está aberta outra campa: é para a
Organização das Nações Unidas.
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Prossegue
nos Estados Unidos a campanha em prol
do fechamento do Partido Comunista. Não se julga, na democracia americana, que esta medida
signifique o fim das instituições representativas. Pelo contrário, é precisamente para
que elas não cessem de existir, que tal campanha se desenvolve. Repetimo-lo
mais uma vez: é para o mesmo objetivo que deve caminhar a nação brasileira, em
que pese as abstrações de alguns ideólogos.
* * *
A despeito de certos desmentidos do governo
venezuelano, infelizmente continua a
crescer de gravidade a crise religiosa naquele país, com a apostasia de vários
sacerdotes católicos, que fundaram a "Igreja católica, apostólica, venezuelana".
Notícia recente, que vem de Caracas, informa que o sacerdote apóstata, que se intitula bispo
da nova seita, Fernando Castilho Mendez, entregou ao
Ministério do Exterior de seu país documentos referentes à fundação da nova
"igreja".
Curiosa foi a resposta do Ministro: o governo
venezuelano não o reconhece como bispo, porque não foi indicado para o cargo
pelo Congresso Nacional. Não, pois, porque não foi nomeado pelo Papa. A Igreja
pertence ao Estado. Um bispo não é ou deixa de ser católico por estar ou não
estar em união como o Papa, mas por estar, ou não estar com o Congresso.
Esta resposta indica a posição profundamente errada
que o Estado toma no assunto, e serve para acentuar a extraordinária gravidade
da situação na Venezuela.
Para tristeza nossa acrescentamos que, segundo
parece, o "bispo" Castilho Mendez recebeu
uma tal ou qual investidura do ex-bispo de Maura, no
Brasil.