Os acontecimentos da semana passada parecem
assinalar exclusivamente vitórias dos
elementos da “esquerda moderada”
(perdoem-nos os leitores que justaponhamos estas palavras que hurlent de se trouver ensemble) na
Europa. Na Inglaterra, a
assembléia do Partido Trabalhista se pronunciou a favor da política
desenvolvida pela ala moderada chefiada pelos Srs. Atlee
e Bevin, e rejeitou assim as críticas que lhe fazia a
ala jovem e vermelha. Na França, o governo
Ramadier, evitando a greve geral, conseguiu vencer a
pressão comunista. Na Itália, a tarefa de constituir gabinete foi novamente
confiada ao Sr. De Gasperi.
Assim, as investidas desenvolvidas por De Gaulle, Churchill, os monarquistas italianos, de um lado, os
comunistas, socialistas radicais da Inglaterra, França e Itália, de outro lado,
parecem chocar-se com um partido de meio termo, que insiste em sobreviver.
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Que durabilidade terá esse meio termo? Provavelmente pouca.
Em geral, nada é mais efêmero do que, em política, as posições ecléticas e
intermediárias. Elas trazem em seu bojo a contradição, e a contradição é, por
sua natureza, algo de instável e precário.
Mas hoje em dia tudo é possível. Aguardemos, pois,
o curso dos acontecimentos.
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O ex-presidente
Herbert Hoover
regressando recentemente de uma grande viagem pela Europa e Ásia, escreveu uma
carta à Comissão de Orçamento da Câmara dos Representantes dos EE.UU., em que declara ser a situação psicológica da
Alemanha e Japão insuportável. Assim, o único meio que existe para evitar
uma completa débâcle
desses países, e os prejuízos daí decorrentes para toda a economia
euro-asiática, que os ingleses e
norte-americanos façam as pazes em separado com tais países.
O alvitre, além de perfeitamente judicioso, é dos
mais justos. Pelas exigências indefinidas da Rússia, os tratados de paz vão
sendo recuados cada vez mais. Provavelmente, esperam os comunistas desorganizar
assim a economia capitalista da Europa e do Extremo Oriente. E, ao mesmo tempo,
ficam com as mãos livres para ir bolchevizando tanto quanto possível a Europa
Central.
À vista desta manobra, os ingleses
e americanos têm não só o direito, mas o dever de passar por cima da
aquiescência soviética, e negociar a paz em separado com a Alemanha e o Japão.
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O marechal Smuts declarou há dias, no Parlamento Sul Africano que a perpetuação do atual estado de coisas
na vida internacional vai tendendo para
a criação de dois grandes blocos mundiais, um capitaneado pela URSS, outro
pelos EE.UU. Como bem observou o Mal. Smuts, a
conseqüência forçosa deste fenômeno é a preparação mais ou menos remota de uma
grande guerra entre os dois blocos. E o único meio de evitar essa guerra
consiste na restauração do sistema internacional de vários países de forças
mais ou menos equilibradas. Para isto, a conservação do Império Britânico, da
França e da Itália com suas respectivas colônias, nos parece indispensável. Mas
como chegar a este resultado sem um tratado de paz?
Voltamos, pois, mais uma vez a tese do ex-presidente
Hoover.
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A
situação no Líbano se torna cada vez mais complexa. Grupos políticos chefiados por
duas grandes famílias aristocráticas, os Kerames e os
Mokadems, se entredegladiam.
Por outro lado, os Kerames são apoiados pelos
ingleses e os Mokadems pelos franceses. Assim, Inglaterra e França lutam de modo mais ou
menos velado pela posse do Líbano.
A luta chegou a tal grau de intensidade, que a
oposição acusa a situação de ter falseado as últimas eleições, e o país está às
portas da guerra civil. Um deslocamento geral de forças e valores parece
iminente na República Libanesa.
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Enquanto
lutam assim as duas potências ocidentais e cristãs cujo poder tanto importa
preservar, os muçulmanos não dormem. Um partido muçulmano se formou no Líbano, que deseja incorporar
o País a um grande Estado que seria formado pela Síria, Transjordânia
e Palestina, sob a direção do emir da Transjordânia,
que é muçulmano. Assim a hidra muçulmana
vai estendendo suas garras, enquanto os cristãos fecham os olhos e se deixam
deglutir.
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Os elementos judaicos da Palestina, pelo contrário,
estão hoje em dia ligados aos soviéticos. Ainda na semana passada, numerosos leaders
comunistas da Palestina deram seu apoio às reivindicações judaicas,
pronunciando-se contra os árabes. E, de modo cada vez mais evidente, a Ásia se
vai dividindo em dois grandes blocos ativos, o muçulmano e o comunista.
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Nossas apreensões sobre o Oriente estão longe de
ser infundadas. O Sr. Summer Welles
deu recentemente à imprensa americana uma entrevista em que declara ser, na Índia, tão grande a influência comunista, que se de lá saírem os ingleses, a
Índia dificilmente se defenderá da penetração vermelha. Enquanto isto Chiang-Kai-Check, que tem
lutado contra os vermelhos, vacila na China, onde a URSS mantém tropas em
atividades militares incessantes.
Assim, há na
Ásia um imenso vulcão. No dia em que ele explodir, deitará lava bastante para
cobrir a Ásia e muitas terras mais.
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O emir da Algéria acaba
de visitar Tanger, onde fez declarações favoráveis à autonomia da África
Setentrional muçulmana em relação às potências européias, e a aproximação
íntima daquela imensa região com a Liga Árabe. De Tanger a Calcutá, o mundo maometano se move. Mas o Ocidente parece
não ver isto!