Segundo notícias telegráficas de Roma, o Santo Padre Pio XII recebeu em
audiência particular o Exmo. Revmo.
Mons. Paulo Loureiro, Chanceler do Arcebispado, a quem agradeceu os víveres
que atendendo ao apelo pontifício, o Exmo. Revmo. Sr. Cardeal Dom Carlos Carmelo
de Vasconcelos Mota, Arcebispo Metropolitano, enviou às obras de assistência
da Santa Sé.
O augusto reconhecimento do Soberano Pontífice se
estende a quantos proporcionaram ao eminente Antístite paulopolitano
os recursos necessários para que atendesse com filial solicitude ao apelo
papal, e constitui para todos um precioso galardão.
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Se fossemos comunistas, estaríamos satisfeitos. O
mundo ocidental errou e capitulou diante do putch comunista na Hungria, na Bulgária, na China, mostrou-se míope e fraco. Depois disto, o que não podem
esperar os soldados da foice e do martelo?
Manda a sabedoria que o homem lesado em seus
direitos, se é forte, defende-se como um leão; se é fraco, finja não ter
percebido a lesão. Assim ele pode, pelo menos, aparentar uma força que não
possui. O cúmulo do desacerto consiste em que, de um lado se irritem,
reconhecendo por aí que lhes doe o golpe; e de outro lado se mantenham inertes,
confessando implicitamente sua fraqueza.
Estes princípios também valem para as nações. Com o
auxílio deles, podemos medir em toda a extensão a inabilidade e a curteza de
vistas de que a Inglaterra e os Estados Unidos deram provas.
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O Parlamento inglês se tornou famoso pela gravidade
e densidade intelectual de seus debates. As efusões sentimentais, as flores
retóricas para deleite das galerias, o palavreado fofo e vazio, que não conduz
a deliberações concretas e eficazes, estavam banidos do austero recinto dos
Comuns, como da nobre assembléia dos Lords.
Destoando de tão sólidas tradições, as reuniões dedicadas
pela Câmara baixa ao estudo do caso húngaro tiveram a prolixidade e a inocuidade dos debates de alguma assembléia literária de
meninotes. Em substância, conservadores e trabalhistas, habitualmente em luta,
confraternizaram para maldizer do imperialismo soviético. De lado a lado houve
uma verdadeira parada de indignação cívica. O que resultou de tudo isto? O mais
inócuo dos frutos, a mais platônica das reações: uma nota diplomática a que a
Rússia respondeu de modo injurioso e tudo ficou nisto.
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É surpreendente, mas os EE.UU., que dispõem de tão
maior abundância de armas e dinheiro que o Reino Unido, caíram no mesmo erro. A
imprensa se acendeu em cóleras. No Congresso, os
protestos foram sonoros. Expediu-se também uma nota diplomática. E tudo ficou
nisto.
Para levar ao cúmulo o desacerto,
os EE. UU. assinaram, durante os próprios dias da crise, um tratado de paz com
o governo húngaro, e com os de outros povos ocupados pelos sovietes. Por este
tratado, as forças americanas se retirarão, permanecendo apenas as soviéticas.
Pode ir mais longe uma capitulação?
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Neste conjunto de fatos, um há que chama
particularmente a atenção. Enquanto a ofensiva bolchevista chegava em Budapeste e Sofia a um triunfo
estrondoso, em Viena ela se detinha, e
como em breve veremos, na China ela foi envolvida em uma atmosfera de confusão.
Como explicar esta simultaneidade? De um lado do
Danúbio a URSS se mostra arrogante e intratável com grandes potências; do outro
lado ela se detém à vista da reação de um governo pigmeu como o da Áustria. Se tivesse havido um acordo secreto, as coisas não se
passariam de outro modo, o que leva a crer que o acordo se fez.
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Que acordo! Chamberlain não teria ido mais
longe. Uma vez que a URSS se consolida nas posições conquistadas, o que
a impedirá de retomar sua ofensiva em Viena? Acordos destes foram feitos com Hitler. Que resultados tiveram?
Os acordos com Hitler
eram públicos e sua violação embaraçava a propaganda nazista no mundo inteiro.
Mas que prejuízo poderia decorrer para a URSS da violação de um acordo secreto?
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Quanto à China, também um segredo: o mundo ficou
sem saber se realmente os mongóis soviéticos a
invadiram ou não, tais foram os desmentidos e contra-desmentidos
que se sucederam de todos os lados. Esta confusão não encobrirá por sua vez
algum acordo secreto, sacrificando algumas vítimas inocentes, à sanha vermelha?
E o que faz a ONU? Poderia haver para este organismo prova de mais
flagrante inutilidade? Parece que a ONU só existe para provar ao mundo a
inutilidade de qualquer sistema de pacificação que não seja pela força.
E a prova é de fato concludente. O mundo só pode
ser mantido em paz pelo amor da extremosa e forte Igreja de Jesus Cristo ou
pela chibata de um povo que a todos devora, domina e oprima. Não quiseram na
ONU o Vigário de Cristo. O resultado é que a chibata tem a palavra.
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Uma censura para o Sr. Wallace. Declarou à imprensa a seu serviço que a URSS não é
violenta nem agressiva e que ela só está irritada porque os EE. UU. é que são
agressivos e violentos com ela.
Uma tão monstruosa inversão da verdade prova bem
até que extremos pode chegar a audácia dos cripto-comunistas.
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No meio de tudo isto, causa pasmo que os Estados
Unidos ainda pensem seriamente em incluir em seu plano de auxílios a URSS.
Querem os leitores saber como ela respondeu a esta
generosidade? Por meio de um violento artigo do "Pravda", em que
declara que o auxílio americano à Rússia é menor do que
deveria ser!
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Depois de uma capitulação, outra. O Rei Faruk ofereceu um
banquete a Abd-el-Krim, em que declara que o auxiliou em virtude do princípio de
solidariedade de muçulmano a muçulmano. É a afirmação implícita de que existe
um mundo muçulmano à parte, que se defende contra um mundo não muçulmano. E a
Cristandade, perante este mundo, o que é senão uma potência desorganizada, dividida,
vacilante?
O imperialismo maometano continua. O Rei Faruk, segundo se informa do Cairo, pedirá à ONU a
independência completa, e, no caso de não a conseguir, pleiteará o protetorado
do Egito muçulmano sobre toda a África setentrional. É a derrocada da
influência cristã na África do Norte.