O ambiente político está infetado de mil boatos
contraditórios. Há quem diga que os “pingos” já estão arreados, em demanda do
obelisco, como em 1930. Tudo isto, no final das contas, não é política. É
politicagem, e da pior.
Parece dirigida ao Brasil esta
advertência que se encontra no recente discurso do Santo Padre aos refugiados
espanhóis:
“As manobras comunistas têm por escopo seduzir as massas,
fazê-las fermentar e, em seguida, armá-las e lançá-las contra toda instituição
humana e divina. O que, por uma necessidade fatal, não deixará de chegar, e nas
condições e proporções bem piores, se por falsos cálculos e por falsos
interesses, rivalidades ruinosas, pelo processo egoísta de vantagens particulares,
todos aqueles a quem incumbe o dever de manter a ordem não recorrem aos meios
de defesa talvez por demais retardados”.
Atentem para ela os
estadistas brasileiros.
A História os julgará
segundo a fidelidade que tiverem obedecido a este conselho. Porque à
observância deste conselho está ligada a salvaguarda da civilização católica no
Brasil.
* * *
Até agora, a
Conferência Pan-Americana de Buenos Aires ainda não cogitou da situação dos
católicos mexicanos.
Nenhuma situação,
porém, seria mais oportuna do que esta para que as nações ibero-americanas,
todas elas nascidas sob a influência espiritual da Igreja, se esforçassem por
libertar os mártires que sofrem o jugo opressivo e cruel de Cardeñas.
Reflitam nisto os
católicos que têm alguma parcela de influência política. E vejam se não estão
na grave obrigação de providenciar a este respeito.
Uma palavra, uma
simples palavra que procedesse da Conferência Pan-Americana, a respeito do
conflito espanhol, teria a maior repercussão.
* * *
Absorvida pela sua
crise interna, a facção monárquica e conservadora da Inglaterra está paralisada.
Estão paralisadas, ou ao menos com a atividade relativamente tolhida, a
Alemanha e a Itália. A prova disto está na lentidão com que se processa a
tomada de Madri. E, enquanto isto, a
Rússia e a França intervêm à vontade
na política espanhola.
Caberia à América
manifestar o desejo de que a neutralidade pleiteada pela França não fosse
simplesmente uma farsa.
E, no entanto, tudo
indica que a América não pronunciará esta palavra salvadora.
* * *
Lamentamos a exoneração
do Sr. General João Ribeiro. Pouco conhecemos de sua vida. Apenas acompanhamos com
atenção sua atividade na pasta da Guerra.
Sua energia inflexível,
seu indefectível amor à disciplina, seu espírito militar altivo e sua coragem
comprovada causaram em nós a maior simpatia.
Mas sua demissão teve
de vir. Resta-nos esperar que o Sr. General Dutra esteja à altura de
seu antecessor.
A “Nota militar” do
“Diário de São Paulo”, numa rápida resenha de nossa História militar na
República, mostrou os inconvenientes técnicos, para a defesa nacional, dessa
constante sucessão de ministros e Chefes de Estado Maior.
Mas parece que, com coisas como
estas, pouca gente se importa...
* * *
No dia da Imaculada
Conceição, as igrejas presbiteriana do Brasil, Presbiteriana Independente do
Brasil, Metodista do Brasil, Episcopal brasileira, Christian do Brasil e Congregacional do Brasil, inauguraram um congresso interconfessional, que tratou de numerosos temas.
Neste fato, há duas
circunstâncias dignas de menção.
A primeira é o empenho
dos protestantes de dar à sua propaganda um cunho de brasilidade. Todas as
igrejas que se fizeram representar no Congresso anexaram ao seu título a
indevida alcunha de “brasileira”. No entanto, quereríamos saber que fim
levariam ditas igrejas, se fosse suspensa a subvenção em dólares que alimenta
sua propaganda.
A segunda circunstância
é a frente única de todas as confissões protestantes contra o Catolicismo.
Que esta frente única sirva para
estimular todos os católicos e, por sua vez, estabelecerem entre si uma união
cada vez mais estreita para fazer face às ditas igrejas e a todos os inimigos
da Igreja.
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Em Piumhy (Minas), deu-se um
fato realmente singular.
O Vigário fez crítica à
administração municipal. E o delegado achou-se no direito de proibir que o
Sacerdote exercesse as atividades próprias à sua situação de Pároco. O caso
depende, agora, de decisão judiciária.
Muitos sorrirão à vista
dessa notícia. É simplesmente ridículo que um delegadozinho
de Piumhy se julgue no direito de proibir a um
Sacerdote que exerça seu Ministério, pelo simples fato de ter discordado de
certas medidas tomadas pelo poder temporal. E não é menos ridículo que o
“Legionário” se ocupe com isto.
Assim seria, realmente,
se o caso não nos permitisse uma consideração muito oportuna: Hitler não estará fazendo
coisa muito parecida com o gesto do delegado de Piumhy?