Prometemos, em nosso artigo de fundo, tratar
pormenorizadamente de alguns tópicos do discurso do Sr. Paulo Duarte.
A primeira nota que no discurso feriu nossa atenção
foi a visível “vermelhidão” de alguns de seus trechos.
Evidentemente, não é o
“Legionário” que tomaria a si a defesa dos “hobas” e
das “grã-finas” tão merecidamente ridicularizados
pelo Sr. Paulo Duarte.
Nem por isto, porém, podemos compreender a sistemática
antítese que S. Ex.a estabelece entre o “rico
estúpido” e o “pobre inteligente”. Por que se há de supor que o rico é sempre
estúpido e que o pobre é sempre inteligente?
No terreno das reformas sociais, o Sr. Paulo Duarte
tem frases ambíguas. Como o Sr. Leon Blum, ele afirma
não ser comunista. Mas, ainda como o Sr. Blum,
pleiteia reformas sociais cujas exatas proporções ninguém pode prever, tal a
amplitude com que ele as formula.
Teremos, nos horizontes paulistas, um Blum-mirim?
* * *
Há um tópico do Discurso do Sr. Paulo Duarte, que
merece um comentário especial. Diz S. Ex.a que a
Universidade de São Paulo e o Departamento de Cultura estão destinados a
realizar os ideais da Revolução de 30.
Que ideais? Os do famigerado “espírito revolucionario” do Club 3 de
Outubro?
Quando inaugurou nossa Universidade, o Sr. Márcio
Munhoz fez um discurso em
que se declarou que o espírito que regeria a novel instituição seria os das
tradições cristãs.
O que faz dessa declaração oficial o Sr. Paulo
Duarte?
* * *
Deixamos aos nossos leitores a
título de quebra-cabeça uma pergunta.
O Sr. Von Ribbentropp, embaixador alemão em Londres, sofreu recentemente
algumas críticas dos jornais londrinos, por um discurso em que acusava o “Komintern” russo de estar
perturbando a paz na Alemanha.
Entre outras críticas - todas injustas - destaca-se
a seguinte do “Manchester Guardian”.
“O sr. von
Ribbentropp deve sua situação atual ao Komintern, porquanto sem os comunistas, os nazistas jamais
teriam chegado ao poder”.
Qual o alcance desta afirmação? O que significa
ela?
Decifrem-na os sábios, ou melhor os sabidos.
* * *
Merece uma nota de elogio a carta que à Associação
dos Jornalistas Católicos dirigiu o Sr. Valentim Gentil. Secretário da Agricultura de S. Paulo.
Nesta carta, o Sr. Valentim Gentil faz uma calorosa
profissão de Fé católica. E manifesta sua confiança no efeito benéfico do
Catolicismo em nossa vida pública.
* * *
(...) A Conferência Pan-Americana resolveu comunicar
as deliberações tomadas ao Papa e à Sociedade das Nações.
Isto é incenso inútil e não simpatia sincera.
Do que adianta comunicar ao Papa os resultados da
Conferencia? Para que Ele veja que esta foi indiferente ao destino de Seus
filhos mexicanos?