Sete Dias em Revista

 

“O Legionário”, N.º 224, 27 de dezembro de 1936

 

Prometemos, em nosso artigo de fundo, tratar pormenorizadamente de alguns tópicos do discurso do Sr. Paulo Duarte.

A primeira nota que no discurso feriu nossa atenção foi a visível “vermelhidão” de alguns de seus trechos.

Evidentemente, não é o “Legionário” que tomaria a si a defesa dos “hobas” e das “grã-finas” tão merecidamente ridicularizados pelo Sr. Paulo Duarte.

Nem por isto, porém, podemos compreender a sistemática antítese que S. Ex.a estabelece entre o “rico estúpido” e o “pobre inteligente”. Por que se há de supor que o rico é sempre estúpido e que o pobre é sempre inteligente?

No terreno das reformas sociais, o Sr. Paulo Duarte tem frases ambíguas. Como o Sr. Leon Blum, ele afirma não ser comunista. Mas, ainda como o Sr. Blum, pleiteia reformas sociais cujas exatas proporções ninguém pode prever, tal a amplitude com que ele as formula.

Teremos, nos horizontes paulistas, um Blum-mirim?

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Há um tópico do Discurso do Sr. Paulo Duarte, que merece um comentário especial. Diz S. Ex.a que a Universidade de São Paulo e o Departamento de Cultura estão destinados a realizar os ideais da Revolução de 30.

Que ideais? Os do famigerado “espírito revolucionario” do Club 3 de Outubro?

Quando inaugurou nossa Universidade, o Sr. Márcio Munhoz fez um discurso em que se declarou que o espírito que regeria a novel instituição seria os das tradições cristãs.

O que faz dessa declaração oficial o Sr. Paulo Duarte?

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Deixamos aos nossos leitores a título de quebra-cabeça uma pergunta.

O Sr. Von Ribbentropp, embaixador alemão em Londres, sofreu recentemente algumas críticas dos jornais londrinos, por um discurso em que acusava o “Komintern russo de estar perturbando a paz na Alemanha.

Entre outras críticas - todas injustas - destaca-se a seguinte do “Manchester Guardian”.

“O sr. von Ribbentropp deve sua situação atual ao Komintern, porquanto sem os comunistas, os nazistas jamais teriam chegado ao poder”.

Qual o alcance desta afirmação? O que significa ela?

Decifrem-na os sábios, ou melhor os sabidos.

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Merece uma nota de elogio a carta que à Associação dos Jornalistas Católicos dirigiu o Sr. Valentim Gentil. Secretário da Agricultura de S. Paulo.

Nesta carta, o Sr. Valentim Gentil faz uma calorosa profissão de Fé católica. E manifesta sua confiança no efeito benéfico do Catolicismo em nossa vida pública.

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(...) A Conferência Pan-Americana resolveu comunicar as deliberações tomadas ao Papa e à Sociedade das Nações.

Isto é incenso inútil e não simpatia sincera.

Do que adianta comunicar ao Papa os resultados da Conferencia? Para que Ele veja que esta foi indiferente ao destino de Seus filhos mexicanos?