Plinio Corrêa de Oliveira

 

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Petróleo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Legionário, 3 de julho de 1938, N. 303, pag. 2

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Noticiam os jornais que o titular do Ministério da Viação pediu ao seu colega da Fazenda a distribuição de um crédito de 4.600 contos à Delegacia Fiscal em Londres, para atender às despesas da comissão ferroviária Brasileiro-Boliviana, durante o corrente ano.

Como se sabe, esta comissão tem por objetivo a ligação ferroviária do Chaco ao porto de Santos, que ficou resolvida no acordo para exploração do petróleo efetuado entre o Brasil e a Bolívia, em fins do ano passado. Este acordo já foi devidamente homologado pelo governo nacional. Ainda não o foi, entretanto, pelo da Bolívia. Este país acha-se, atualmente, sob a jurisdição de uma Assembleia Constituinte, que deverá manifestar-se a respeito.

Naturalmente o nosso governo tem fundadas razões para acreditar na aprovação do acordo, pois que autoriza despesas tão vultuosas. Não obstante, vários círculos de opinião da Bolívia pedem a sua rejeição, pois que concede a exploração de uma das mais ricas zonas petrolíferas a um sindicato brasileiro, a organizar-se oportunamente; isto violaria a lei de nacionalização dos petróleos, pela qual a Standard foi literalmente expulsa da Bolívia.

Coincidem com esses fatos: a) a instalação aqui em São Paulo, pela Standard, de grandes refinarias de petróleo; b) a agravação das relações paraguaio-bolivianas, que está quase a fazer fracassar a Conferência de Paz, reunida em Buenos Aires há já longos três anos.


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