Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Conversão de São Paulo

 

25 de janeiro

 

 

 

Legionário, 22 de janeiro de 1939, N. 322, pag. 4

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Pintura atribuída a Juan Antonio de Frias y Escalante (1633-1670)

Saulo era natural de Tarso, na Cilícia, Província da tribo de Benjamim, e por privilégio concedido pelos imperadores de Roma à cidade de Tarso, Saulo, embora judeu, tinha cidadania romana.

Dotado de talento extraordinário, possuía também bons e nobres sentimentos, aliados a uma força de vontade inquebrantável.

Ao tempo em que Jesus pregava o Evangelho na Palestina, Saulo estudava, sob a direção do sábio Gaudiel, as ciências dos Santos Livros. Seu talento, zelo e aplicação chamaram sobre ele as vistas dos fariseus.

O coração do jovem Saulo enfureceu-se com o crescimento rápido da doutrina de Jesus de Nazaré e o aumento espantoso do número dos discípulos do Crucificado fizeram com que sua alma se incendiasse de ódio contra os seguidores de Jesus, que ele considerava traidores da causa da pátria. E Saulo procura como prejudicar o desenvolvimento da Igreja nascente. Incitado pelo ódio farisaico, Saulo foi ao Sumo Sacerdote e pediu cartas para a sinagoga de Damasco, com plenos poderes de trazer prisioneiros a Jerusalém todos os partidários de Jesus.

Em caminho, já perto de Damasco, um violento reluzir de luz celeste prostra-o por terra e Saulo ouve uma voz queixosa: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” E o perseguidor pergunta: “Senhor, quem sois vós? Responde a voz misteriosa: “Eu sou Jesus, a quem persegues”. Saulo, amedrontado, fala: ”Senhor, que quereis que faça?” – “Levanta-te, entra na cidade e lá se dirá o que tens a fazer”.

Os homens de Saulo nada viam, mas ouviam a voz de Jesus. Saulo levantou-se e verificou que estava cego. Guiaram-no a Damasco, onde passou três dias sem comer nem beber. Ora, havia em Damasco um discípulo de Jesus chamado Ananias. Este teve uma visão em que o Senhor lhe ordenava: “Levanta-te, procura na casa de Judas um homem de Tarso, chamado Saulo. Neste momento ele ora”. Saulo nesse mesmo momento viu certo homem chamado Ananias entrar e impor-lhe as mãos para que recobrasse a vista. Mas Ananias respondeu: “Senhor, tendo ouvido falar muito desse homem e do mal que fez aos santos em Jerusalém. Aqui mesmo traz plenos poderes dos Príncipes dos Sacerdotes para meter em ferros todos que invocam vosso santo nome”. Mas o Senhor lhe ordenou que fosse a Saulo, e revelou-lhe o que o perseguidor haveria de tornar-se para a Igreja: um dos sustentáculos da Religião nascente, o apóstolo que pregaria o Evangelho a todas as nações.

Dessa queda miraculosa, levantou-se Paulo convertido para ir, no seu ardor de homem genial e forte, levar à toda a humanidade o lume da fé, a doutrina de Cristo Jesus.

São Paulo, compreendendo e vivendo integralmente a vida de um apóstolo, em uma de suas epístolas, usou de uma frase que bem define o que é a vida do defensor da fé, do católico consciente de sua missão sobre a terra: “Bonum certamen certavi – Combati o bom combate”. Porque a vida do católico é uma luta sem tréguas nem acomodações.

Luiz Veuillot teve uma frase feliz. Disse que se São Paulo viesse de novo à terra tornar-se-ia jornalista. Sim, São Paulo tornar-se-ia jornalista. Mas jornalista intransigente pela verdade. Ou, em outras palavras, suas epístolas tornar-se-iam artigos intransigentes na defesa de todas as verdades e fulminantes na condenação de todos os erros. Não é difícil imaginar que artigos santa e impetuosamente veementes escreveria aquele mesmo São Paulo que certa vez escreveu numa de suas epístolas: “Irei a vós de chicote em punho” (vide 1Cor. 4, 21 – n.d.c.).

Quem tão bem soube manejar o chicote e lutar com santo ardor, que a espada passou a ser o seu símbolo, escreveria hoje artigos de jornais reputados por certos leitores de epiderme sensível tanto ou mais agressivos e cortantes que os do LEGIONÁRIO.

Nota: Os negritos são deste site.


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