Catolicismo, nº 425, maio de
1986 (www.catolicismo.com.br)
Tendo empreendido uma campanha de esclarecimento
doutrinário a respeito do direito de propriedade e temas conexos, especialmente
no meio rural, na região de Montes Claros (MG), a TFP foi objeto de violentos
ataques, veiculados pela imprensa local, por parte do diretório municipal do
Partido dos Trabalhadores (PT) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT) daquela
cidade.
Reproduzimos a seguir as respostas apresentadas pelo
Prof. Paulo Corrêa de Brito Filho, Diretor de Imprensa da TFP, aos dois
furiosos ataques. A refutação à nota do PT foi publicada em 24 de abril p.p.
nas páginas do "Diário de Montes Claros", sendo a contestação à CPT
estampada na edição de 3 de maio desse mesmo quotidiano.
TFP contesta
dirigentes anônimos do PT
Carece totalmente de fundamento a notícia difundida
por dirigentes anônimos do PT desta cidade, através do conceituado "Diário
de Montes Claros", de que a TFP vem promovendo em toda a região
conferências nas quais ataca a Reforma Agrária, em "uma verdadeira cruzada
contra a ordem pública, incentivando atos subversivos e aconselhando os
fazendeiros a se armarem e se rebelarem contra o decreto do Presidente Sarney
que estabeleceu o Plano Nacional de Reforma Agrária".
Na realidade, a pedido de fazendeiros, vem a TFP
difundindo pelo Brasil os pareceres dos Professores de Direito Silvio Rodrigues
e Orlando Gomes, sobre o caráter ilegal das invasões de terra, e os direitos
que em tal emergência a lei confere aos proprietários.
Esses pareceres, conhecem-nos todos os leitores do
"Diário de Montes Claros", que os publicou na íntegra em data de
15-1-86. E podem, todos, atestar o caráter sumamente legal e ordeiro desses
documentos.
Como é natural, proprietários rurais e outras pessoas
interessadas em se informarem sobre o momentoso assunto, manifestaram o desejo
de que expositores da TFP lhes comentassem ditos pareceres. Para este fim, dois
elementos de projeção da TFP, o Prof. José Martini e o Sr. José Cyro Rodrigues
Soares - este último prestigioso filho de Montes Claros - têm feito exposições
nas quais se vêm limitando estritamente a usar as liberdades democráticas
asseguradas pela abertura política para exposições e comentários objetivos e
claros sobre as invasões, em face da lei civil, bem como do Estatuto da Terra [ET]
e do PNRA [Plano Nacional de Reforma Agrária].
Quanto a esses dois últimos diplomas legais, a TFP
deles divergiu de público em vários pontos, desde os primórdios do regime
militar - em que o ET foi imposto à Nação - até a promulgação do PNRA pelo Exmo. Sr. Presidente da República, Dr. José Sarney. Usou
ela assim de um direito que nem sequer a ditadura lhe contestou, e seria o auge
da contradição e da ilegalidade que lhe contestasse agora o governo. "Mais
realista do que o rei", parecem contestá-lo agora alguns dirigentes do PT
de Montes Claros.
Quanto à versão de que, nestas regiões, os expositores
da TFP teriam "incentivado atos subversivos e aconselhado os fazendeiros a
se armarem e se rebelarem" etc., não se trata senão de balela que a TFP
desmente com um simples e categórico não.
O mesmo não, a TFP o opõe à versão
de que tenha difamado o Chefe de Estado em Vargelândia
etc.
Entidade estritamente apolítica e extrapartidária,
defendendo-se agora contra acusações clamorosamente falsas dos mencionados
próceres anônimos do PT, a TFP não tem o menor intuito de envolver no episódio
a agremiação partidária em que militam.
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"Como se atreve a CPT a censurar o que não conhece?"
A leitura da notícia publicada no "Diário de
Montes Claros", em sua edição de 24 de abril, intitulada "São apenas
um bando de loucos com medo de perder o poder que roubaram dos
trabalhadores", suscitou no Serviço de Imprensa da TFP, como primeira reação,
a idéia de não dar resposta alguma à nota da Comissão Pastoral da Terra dessa
cidade. Pois tal nota deixa claro que, quer no conteúdo, quer na forma, ela não
apresenta nenhum dos requisitos que a tornem digna de tal.
Com efeito, na mencionada nota enxameiam as afirmações
difamatórias e destituídas de qualquer prova.
De outro lado, os termos em que é vazada a classificam
irremediavelmente no nível de um xingatório calunioso e furibundo.
E, como é óbvio, a publicações desse jaez,
atentatórias das regras mais elementares de um procedimento jornalístico
correto, não se responde, sob pena de que o autor da resposta role para o nível
do ataque a que condescende em revidar.
A circunstância de que a CPT tem nexo com o movimento
católico é a única razão da presente réplica:
1) É direito de todo o brasileiro, no regime da
abertura, exprimir livremente sua opinião acerca dos assuntos que interessam ao
bem público.
2) É o que tem feito e vai fazendo a TFP, de forma
modelar, na sua campanha de elucidação do público acerca da Reforma Agrária
socialista e confiscatória, bem como das invasões de terras promovidas por
certo agroreformismo atentatório do artigo 61 inciso II combinado com o artigo
29 do Código Penal, bem como dos artigos 160 e 502 do Código Civil.
Para isso, a TFP tem difundido largamente o livro
"A Reforma Agrária socialista e confiscatória - A propriedade privada e a
livre iniciativa no tufão agro-reformista", de autoria do Prof. Plinio
Corrêa de Oliveira e do economista Carlos del Campo,
bem como os pareceres fornecidos a uma comissão de fazendeiros pelos acatados
professores de Direito Silvio Rodrigues e Orlando Gomes. E, além disso, a
entidade tem estampado pela imprensa réplicas a refutações agro-reformistas de
que suas publicações têm sido explicavelmente alvo.
Ao mesmo tempo, a TFP vai promovendo, através de
conferências e contactos pessoais, de modo ordeiro e
elevado, um amplo esforço de esclarecimento da classe rural sobre a matéria.
Queremos crer que a CPT de Montes Claros não leu um só
desses documentos. E não tomou conhecimento, através de informantes idôneos, de
uma só dessas atuações públicas. Pois, do contrário, não teria tido a
temeridade de qualificar tudo isso como uma ação "de um bando de
loucos" etc., etc.
3) Mas, neste caso, como se atreve então ela a
censurar o que não conhece?
Aponte a dita CPT em que livro, em que página, ou então,
em que artigo de que jornal ou em que data encontra o que lhe justifique
increpar a TFP, e esta última estará disposta a aceitar sobre o assunto uma discussão
substanciosa e cortês.
Enquanto as invectivas da CPT de Montes Claros se
cifrarem em atirar contra a TFP injúrias e calúnias destituídas de prova e de
educação, a entidade outra coisa não fará senão voltar-lhes as costas,
deixando-as cair no chão.
Pois elas não a atingem.