Catolicismo,
N.° 350, Fevereiro de 1980 (www.catolicismo.com.br)
Dr.
Plinio Corrêa de Oliveira: "Há 11 anos vem esfuziando de quando em quando
um protesto contra a infiltração comunista nos meios católicos. Ao ribombo se
segue um burburinho. Depois, silêncio. Por que?"
ENIGMAS
DA CNBB
“A GRANDE esperança da Igreja para o século XXI é a
América Latina. Tudo aqui é católico, pelo menos de nome e de intenção. O
século XXI será nosso, como o século XX é dos Estados Unidos, e o século XIX
foi da Europa colonialista. Nessa perspectiva, ao ler a carta do Sr. Arcebispo
de Aracaju, D. Luciano Duarte, ao Presidente da
CNBB, D. Ivo Lorscheiter,
manifestando sua apreensão face à atmosfera poluída dos ambientes católicos
brasileiros, tive ímpetos de lhe telefonar ou de escrever para manifestar meu
aplauso e apoio caloroso". Esta declaração foi prestada à imprensa pelo
Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP, que
acentuou também o misterioso silêncio que seguiu-se às principais denúncias
contra o progressismo católico nos últimos onze anos.
Os fatos
"Há onze anos – observou o pensador católico –
vem esfuziando de quando em quando um protesto contra a infiltração comunista
nos meios católicos. Ao ribombo, se segue um burburinho, e depois... silêncio. Notadamente
da CNBB. Para exemplificar, é bom lembrarmos os principais:
"Em 1968, um abaixo-assinado promovido pela TFP
teve [no Brasil] 1.600.368 assinaturas, pedindo a Paulo VI, então presente em
Medellin, providências contra a infiltração comunista na Igreja (*). No ano
seguinte, o mensário "Catolicismo", do qual a TFP divulgou em todo o
País 165 mil exemplares, denunciou a ação do IDOC
e dos "grupos proféticos", organismos internacionais semiclandestinos de promoção comuno-progressista.
"Posteriormente, em 1972, alertando a opinião
católica para as tendências esquerdizantes presentes
em certos círculos cursilhistas, o Bispo de Campos,
D. Antonio de Castro Mayer, publicou sua "Carta
Pastoral sobre os Cursilhos de Cristandade",
com enorme repercussão, sendo divulgada em todo o Brasil".
Prosseguindo na enumeração dos fatos, acrescenta o
catedrático paulista:
"Em 1976, no mês de julhos publiquei o livro
"A
Igreja ante a escalada da ameaça comunista – apelo aos Bispos silenciosos",
no qual faço um histórico de 40 anos de crise progressista e "católico-esquerdista". Escoam-se 51 mil exemplares.
Há alguns exacerbados comunicados eclesiásticos contra o livro, vazios de
argumentos. Peço publicamente explicações, mas a resposta é o silêncio.
"No ano seguinte, no "Correio Braziliense", D. Antonio de
Castro Mayer propõe a publicação de uma Pastoral coletiva do Episcopado
brasileiro contra o comunismo. A patriótica sugestão esbarra em um muro de
silêncio e rola para o olvido".
"E mais recentemente – continuou o entrevistado –
publiquei o livro "Tribalismo indígena, ideal comuno-missionário
para o Brasil no século XXI", no qual denuncio a neomissiologia comuno-estruturalista.
A obra alcança 71 mil exemplares, mas repete-se o fenômeno: a um certo
burburinho, segue-se o silêncio”.
E referindo-se à carta do Arcebispo de Aracaju, comenta
o Presidente do Conselho Nacional da TFP:
"É dentro desse panorama lúgubre que chispeia de repente a carta de D. Luciano
Duarte, oportuna e corajosa. Meu desejo é que esta carta tenha sido o primeiro
passo, a desencadear todas as energias cristãmente válidas, na realização de
todo um programa para o saneamento do horizonte doutrinário que entre nós se
encontra tão poluído.
"Caso contrário – de que Deus nos livre – é
melhor voltarmos desde logo nossas esperanças para a visita que João Paulo II, com
sua figura robusta, viva e alegre, nos fará em meados de 1980. E cuja conduta
em face dos erros do Pe. Pohier, do Pe. Kung e do Pe. Shillebeeckx – e
talvez do Pe. Leonardo Boff – vão despertando por aí
não poucas esperanças", conclui o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.
(*)
Ver a tal respeito “Um homem, uma obra, uma gesta – Homenagem das TFPs a Plinio
Corrêa de Oliveira”, Segunda seção, 1. A Paulo VI,
dois milhões de sul-americanos pedem medidas contra a infiltração comunista na
Igreja