Plinio Corrêa de Oliveira

 

Carta para Alceu Amoroso Lima,

18 de Setembro de 1934

 

 

 

 

 

 

 

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São Paulo, 18 de setembro de 1934

 

Meu caro Dr. Alceu

Recebi a carta em que o Sr. me propunha que me candidatasse por um dos Partidos políticos e, ao mesmo tempo, me anunciava uma circular da Junta Nacional, que iria alterar ligeiramente as deliberações assumidas por..... em São Paulo.

Quanto à minha candidatura por um dos partidos, uma vez que nenhum deles (falo dos partidos grandes) a aceitaria sem compromisso individual partidário, é absolutamente inviável. É uma questão de estômago. Não me posso afazer ao papel de político comum, a visitar Julios Prestes ou Armandos, a lançar uma ala partidária contra outra etc., etc., tudo isto sem a menor utilidade de ordem ideal.

Isto posto, ou eu aceitarei minha candidatura por alguma pequena corrente, com probabilidades duvidosas de vitória, ou eu me colocarei à margem dos acontecimentos, mais satisfeito na penumbra a que v oltarei, do que na claridade espinhosa em que me encontro.

Realmente, sua circular produziu o efeito desejado, tendo ficado resolvido que a Junta Estadual dirigiria as consultas aos Partidos, logo que fossem publicadas as chapas. Diante disto, começo novamente a esperar a viabilidade do meu plano, uma vez que me parece difícil, feitas as consultas, não publicar seu resultados, e, assim, impossibilitar o voto em chapas com legendas partidárias. O eleitorado ficará forçado a fazer chapas avulsas, e, nestas chapas, poderá ser aproveitado meu plano.

Será da maior conveniência, obedecendo a desejo de..... que o Sr. responda invariavelmente às sondagens que eu sei [sublinhado do original, n.d.c.] que lhe vão ser feitas, como se estivesse persuadido de que aqui nada ainda se resolveu, e de que é perfeitamente possível uma intervenção nossa. É a atitude mantida também por.....

Envio-lhe um recorte de uma publicação dos integralistas no Diário de S. Paulo. Veja a malícia com que foi citado o seu artigo “Indicações”. Conviria fazer um desmentido.

Pede-me o José Pedro que lhe diga que a tal confederação da imprensa católica, que se está fazendo agora em São Paulo, não merece apoio, e que seria muito conveniente que o Sr. constituísse uma agência da sua confederação, em São Paulo, filiando-se desde já, a ela, o “Legionário”, que poderia, mesmo, aceitar a representação. O que lhe parece disto? O pessoal do “Legionário” está à espera de uma resposta urgente.

Sem tempo para mais, envio-lhe um afetuoso abraço em Nosso Senhor.

Plinio


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