Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Devoção a Nossa Senhora:

o que mais nEla me comoveu

 

 

 

Conversa no Eremo de São Bento, 9 de janeiro de 1982, extratos (*)

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A D V E R T Ê N C I A

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério tradicional da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

 

O que mais me tocou primeiramente em Nossa Senhora não foi tanto a santidade dEla mas foi a compaixão com que essa santidade olhava para quem não é santo.

Quer dizer, é a santidade virginal, régia, enfim, tudo mais quanto possam querer, nunca se dirá bastante dEla, mas é a compaixão com que Ela olhava para quem não é santo e atendendo com pena, com vontade de ajudar, com uma misericórdia cujo tamanho era o das outras qualidades. Quer dizer, inesgotável, pacientíssima, clementíssima, pronta a ajudar a qualquer momento, de um modo inimaginável, sem nunca um suspiro de cansaço, de extenuação, de impaciência, de nada disso. Mas sempre disposta não só a repetir-se a si própria, mas a superar-se a si própria. De maneira tal que feita tal misericórdia e mal correspondida, vem uma misericórdia maior. E por assim dizer, nossos abismos vão atraindo a luz para o fundo. E quanto mais nós fugimos dEla, mais as graças dEla se prolongam e se iluminam em nossa direção.

Como é que eu vi isso?

Eu só poderia comparar – comparando o miosótis com o sol... nem isso, transcende ainda mais – eu só poderia comparar com o efeito do olhar de Nosso Senhor para São Pedro. Quer dizer, quando Nosso Senhor olhou para São Pedro – durante a Paixão dEle, em que São Pedro O renegou, e que o galo cantou, Nosso Senhor olhou para ele - quando Nosso Senhor olhou para ele, ele se sentiu tomado inteiro. E ele que tinha visto tudo quanto os Evangelhos narram, ou ele tinha visto, tinha sido testemunha direta, ou tinha ouvido uma repercussão imediata, mas ele conhecia aquilo tudo e ele conhecia Nosso Senhor perfeitamente, ele - naquele olhar - recebeu uma comunicação de tudo o que ele conhecia, mas… vamos dizer, com tal acento, com tal esplendor que derrubou a ingratidão dele.

E o Evangelho diz: “et flebit amare”: e chorou amargamente. Daí vem a grande contrição de São Pedro. Um dos fatos mais bonitos da história dos santos é o grande arrependimento de São Pedro.

Quando eu era menino e que eu fui ao Coração de Jesus e que pela primeira vez atinei com a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora - eu não tive nenhuma visão, nenhum êxtase, nenhuma revelação - mas eu me senti tocado como se a imagem me olhasse. E senti-me tocado, quer dizer, tive conhecimento, não sei como – mas nós sabemos como é que Ela olha sem olhar; eu não preciso explicar isso a ninguém – eu tive conhecimento, como que pessoal, dessa misericórdia insondável, dessa bondade que me envolvia todo de maneira tal que ainda que eu quisesse fugir ou renegar, Ela me pegaria afetuosamente e diria: “Meu filho, volte de novo...”

Fazendo-me entender a profundidade dessa misericórdia, em primeiro lugar, eu fiquei calmo para a vida inteira. Porque seja o que for e como for, uma vez que nós homens estamos envolvidos por essa misericórdia, nós podemos descansar, porque Ela no fundo – aquele que se volta para Ela, que não é brutalmente insensível com Ela – Ela acaba arranjando, ajudando, etc., etc.

E vejam bem, uma das notas que tinha bem claro – e foi das coisas que mais me enlevaram – que isso não era um privilégio para mim, que era atitude dEla diante de todos os homens. Quer dizer, eu não me senti tratado, nenhum pouco – Ela podia fazer isso, poderia condescender em querer tratar um “x” como um privilegiado – mas não foi o do que eu tive cognição, eu tive cognição do contrário: “veja que você é um Zé da rua e Ela trata assim todos os Zés da rua”. Quer dizer, para qualquer um, para todos os homens que existiram, que existem, para todos os pecadores que estão enchendo aí as ruas, as casas, os bondes e os automóveis, para tudo, Ela é exatamente assim! Eles é que A rejeitam, mas Ela é assim.

Eu tenho muita pena quando eu vejo uma pessoa nervosa e com problemas etc., etc. e penso: “Por que eu não posso comunicar a ele um olhar como o que eu recebi de Nossa Senhora?” Eu não consigo exprimir o que foi.

Ela é a misericórdia insaciável, que não acaba, que se multiplica, solícita, bondosa, que toma nossa dimensão, que se faz até de menor do que nós para nos pegar, de pena de nós... É uma coisa que eu não saberia dizer como é. Eles não têm idéia do que é essa noção da cognição da misericórdia de Nossa Senhora. 

(*) A fim de não fatigar o leitor, dispensamos a indicação de (...) para significar quando se passou de um trecho para outro.


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