Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

"Nossa Senhora foi sempre a Luz de minha vida"

O testamento do cruzado

do século XX

 

 

 

Catolicismo, Nº 550, Outubro de 1996

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Em nome da Santíssima e Individua Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo. E da Bem-aventurada Virgem Maria, minha Mãe e Senhora. Amém.

 

Eu, Plinio Corrêa de Oliveira, filho legítimo do Dr. João Paulo Corrêa de Oliveira e de Dona Lucilia Ribeiro Corrêa de Oliveira, ambos já falecidos, brasileiro, natural desta Capital do Estado de São Paulo, onde nasci em treze de dezembro de mil novecentos e oito, solteiro, advogado e professor universitário, residente e domiciliado nesta mesma cidade, estando em meu perfeito juízo, resolvo, livre e espontaneamente, fazer este meu testamento, a fim de dispor de meus bens, para depois de minha morte, e estabelecer outras determinações de última vontade, na forma que passo a expor:

 

Declaro que vivi e espero morrer na Santa Fé Católica Apostólica e Romana, à qual adiro com todas as veras de minha alma. Não encontro palavras suficientes para agradecer a Nossa Senhora o favor de haver vivido desde os meus primeiros dias, e de morrer, como espero, na Santa Igreja, à qual votei, voto e espero votar até o ultimo alento, absolutamente todo meu amor. De tal sorte que todas as pessoas, instituições e doutrinas que amei durante minha vida, e atualmente amo, só as amei ou amo porque eram ou são segundo a Santa Igreja, e na medida em que eram ou são segundo a Santa Igreja. Igualmente, jamais combati instituições, pessoas ou doutrinas senão porque e na medida em que eram opostas à Santa Igreja Católica.

 

Agradeço da mesma forma a Nossa Senhora — sem que me seja possível encontrar palavras suficientes para fazê-lo — a graça de haver lido e difundido o "Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem", de São Luís Maria Grignion de Montfort, e de me haver consagrado a Ela como escravo perpétuo. Nossa Senhora foi sempre a Luz de minha vida, e de sua clemência espero que seja Ela minha Luz e meu Auxílio até o último instante da existência.

Agradeço ainda a Nossa Senhora — e quão comovidamente — haver-me feito nascer de Dona Lucilia. Eu a venerei e a amei em todo o limite do que me era possível, e, depois de sua morte, não houve dia em que não a recordasse com saudades indizíveis. Também à alma dela peço que me assista até o último momento com sua bondade inefável. Espero encontrá-la no Céu, na coorte luminosa das almas que amaram mais especialmente Nossa Senhora.

Tenho a consciência do dever cumprido, pelo fato de ter fundado e dirigido minha gloriosa e querida TFP. Osculo em espírito o estandarte desta que se encontra na Sala do Reino de Maria. São tais os vínculos de alma que tenho com cada um dos sócios e cooperadores da TFP brasileira, como das demais TFPs, que me é impossível mencionar aqui especialmente alguém para lhe exprimir meu afeto. Peço que Nossa Senhora os abençoe a todos e a cada um. Depois da morte, espero junto a Ela rezar por todos, ajudando-os assim de modo mais eficaz do que na vida terrena.

Aos que me deram motivos de queixa, perdôo de toda a alma. Faço votos de que minha morte seja para todos ocasião da graça que chamamos do Grand Retour.(*)

Não tenho diretrizes a dar para essa eventualidade, pois melhor do que eu o fará Nossa Senhora. Em qualquer caso, a todos e a cada um peço entranhadamente e de joelhos que sejam sumamente devotos de Nossa Senhora durante toda a vida. (...) 

São Paulo, 10 de janeiro de 1978.

 


(*) Nota da Redação - A expressão Grand Retour (Grande Retorno) surgiu em 1942, na França. Neste ano, iniciaram-se peregrinações de quatro cópias da antiga e famosa imagem de Nossa Senhora de Boulogne, que visitaram durante cinco anos dezesseis mil paróquias, aproximadamente a metade do número de paróquias daquele país.

Tais peregrinações ocasionaram um caudal de graças, que determinou impressionante movimento de renovação espiritual no seio do povo. Este, desde o início, chamou espontânea e apropriadamente esse movimento de Grand Retour, isto é Grande Retorno da França à devoção marial.

É oportuno mencionar aqui um excerto do discurso do Papa Pio XII, por ocasião da audiência concedida a um grupo de peregrinos do Grand Retour, em 22 de novembro de 1946:

“Sede fiéis Àquela que vos guiou até aqui. (...) A condição indispensável para a perseverança nesta consagração (ao Imaculado  Coração de Maria) consiste em captar seu verdadeiro sentido, de torná-la em todo seu alcance, de assumir lealmente todas as obrigações a ela inerentes.

“Nós não podemos aqui senão recordar o que dissemos a este respeito em um aniversário muito caro a Nosso coração: ‘A consagração à Mãe de Deus (...) é uma entrega total de si, para toda a vida e para a eternidade; não uma entrega de mera forma ou de meros sentimentos, mas uma entrega efetiva, realizada na intensidade da vida cristã e marial” (Discurso de 21 de janeiro de 1945 aos conlirélianistes de Nossa Senhora) (Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. VIII, pp. 323-324).

O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e os membros da TFP, utilizando-se da significativa expressão francesa, passaram a chamar a graça do Grand Retour, uma profunda restauração espiritual — à maneira de conversão — que Nossa Senhora concederá àqueles filhos seus fiéis, tendo em vista os dramáticos e grandiosos acontecimentos previstos por Ela em Fátima.


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