Capítulo VII

RUMO AO REINO DE MARIA
 


5. O Reino de Maria na perspectiva montfortina

 

 

 

 

 

 

 

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 Imagem de São Luis Maria Grignion de Montfort no interior da Basílica de São Pedro, no Vaticano

"Foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que Ele deve reinar no mundo" (51). As palavras que abrem o Tratado constituem um admirável resumo do mesmo. Elas libertam rapidamente o campo de qualquer equívoco definindo perfeitamente a distinção de natureza e de missão entre Maria Santíssima e Jesus Cristo: Maria é o meio, Jesus Cristo é o único fim. Estabelece o autor, por outro lado, uma relação entre dois acontecimentos diversos, mas estreitamente conexos: o primeiro, constituído pela Encarnação do Verbo e pelo seu Nascimento; o segundo, envolvido em mistério, uma vez que ainda não ocorreu, é a plenitude do Reino de Jesus no mundo: um reino na História que, como se tornará claro no desenvolvimento do Tratado, o Santo não entende como sendo a Parusia, mas como o triunfo do seu Corpo Místico, a Igreja, graças aos prodígios mais uma vez produzidos, depois da Encarnação, pela união entre o Espírito Santo e a Virgem Maria (52). Este Reino é definido por São Luís Grignion como o Reino de Maria.

"O reino especial de Deus Pai durou até ao dilúvio –escreve ele na Oração Abrasada– e foi encerrado por um dilúvio de água; o reino de Jesus Cristo foi terminado por um dilúvio de sangue, mas o Vosso reino, Espírito do Pai e do Filho, continua presentemente e há de ser terminado com um dilúvio de fogo, de amor e de justiça" (53).

 

 

Coroação de Nossa Senhora como Rainha do Céu e da Terra. Mosaico na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma

São Luís Maria é um profeta que anuncia o advento do Reino de Maria, pedindo ao Senhor um dilúvio de fogo do puro amor que purificará a humanidade e será ateado "de modo tão suave e tão veemente que todas as nações, os turcos, os idólatras e até os próprios judeus hão de arder nele e converter-se" (54).

Quando virá esse tempo afortunado "em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império do seu grande e único Jesus ? (...) Este tempo –escreveu Montfort– só chegará quando se conhecer e praticar a devoção que eu ensino: “Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae: para que venha o teu reino, venha o Reino de Maria" (55).

São Luís Maria afirma que o Reino de Maria será uma época com um florescimento da Igreja que a história nunca conheceu. Acrescenta ainda que, para instaurar esta época, "o Altíssimo e a sua Santa Mãe devem suscitar grandes Santos, de uma santidade tal que sobrepujarão a maior parte dos Santos, como os cedros do Líbano se avantajam às pequenas árvores em redor" (56).

O modo pelo qual se realizará esta união especial de Maria com as almas dos seus apóstolos será a prática da "verdadeira devoção", cujo segredo ele revela e aprofunda no Tratado. A Realeza de Nossa Senhora deverá realizar-se em primeiro lugar dentro das almas; a partir das almas reflectir-se-á sobre a vida religiosa e civil dos povos considerados como um todo.

"O Reino de Maria - conclui Plínio Corrêa de Oliveira - será, pois, uma época em que a união das almas com Nossa Senhora alcançará uma intensidade sem precedentes na História (excepção feita é claro dos casos individuais). Qual é a forma dessa união em certo sentido suprema? Não conheço meio mais perfeito para enunciar e realizar esta união do que a sagrada escravidão a Nossa Senhora, como é ensinada por São Luis Maria Grignion de Montfort no `Tratado da Verdadeira Devoção" (57). 

Notas:

(51)  S. L. M. Grignion de Montfort, "Tratado da Verdadeira Devoção", cit., n° 1.

(52). "A união entre a Imaculada e o Espírito Santo é tão inexprimível e perfeita –escreve São Maximiliano Maria Kolbe– que o Espírito Santo age unicamente através da Imaculada, sua Esposa. Em consequência. Ela é a medianeira de todas as graças do Espírito Santo" (Carta a Frei Salesio Mikolajczyk de 28 de Julho de 1935). 0 Santo polaco chega a declarar que a Imaculada, é de certa forma a incarnação do Espírito Santo" (cfr. H. M. MANTEAU-BONAMY, O.P.. "Lo Spirito Santo e l'Immacolata", tr. it. LEMI, Roma, 1977, p. 61).

 (53) S. L. M. GRIGNION DE MONFORT, "Oração Abrasada", n° 16.

(54)  Ibid., n° 17.

(55) S. L. M. GRIGNION DE MONTFORT. "Tratado da Verdadeira Devoção", cit., n° 217.

(56) Ibid., n° 47. Sobre os "apóstolos dos últimos tempos", cfr. A. LHOUNEAU, "La Vierge Marie et les apôtres des derniers temps d'après le B. Louis-Marie de Montfort", Mame,Tours, 1919; H. FREHEN, "Le second avènement de Jésus-Christ et la `méthode' de saint Louis-Marie de Montfort", in Documentation Montfortaine, vol. 7 (1962), n° 3; Stefano DE FLORES S.M.M., "La `missione' nell'itinerario spirituale e apostolico di S. Luigi Maria di Montfort", in Aa. vv., "La missione monfortana ieri ed oggi", Actas da 2° Convenção intermonfortiana (1984), Centro intermonfortano di Documentazione, Roma, 1985.

(57) Plínio CORRÊA DE OLIVEIRA, Prólogo à edição argentina de "Revolución y Contra-Revolución" cit., p. 33. 

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