Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

O importante papel das elites

a serviço da sociedade

 

 

 

 

Conferência de 6 de maio de 1968

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A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

Meus amigos. Nessa exposição que foi organizada pela Sociedade Argentina de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, há uma palavra que tenho a dizer-vos, como Presidente da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, acerca de temática exposta nesse audiovisual.

Há uma lição da História que é de suma importância para todos os que refletem sobre o futuro da América Latina. Essa lição é que os países que dispõem de uma elite que tenha a consciência de sua responsabilidade, são países que sobem no firmamento da História e que realizam brilhantemente sua missão. Porém, ao contrário, as nações que têm elites que não têm a consciência de sua responsabilidade e de sua missão, são nações que de uma maneira inevitável fracassam e se precipitam nas grandes catástrofes da História.

Isso se pode ver nos diferentes povos, na ascensão e declínio das diferentes nações da terra. E, para nós, portanto, nessa época em que se fala com tão grande insistência sobre os problemas sociais, há uma questão de ordem social para ser colocada, que parece ser da maior importância.

Têm as elites de nossos países, a consciência de sua responsabilidade? A consciência de sua missão? O assunto é grande demais para que eu dele me ocupe nessas rápidas palavras. Porém, há um princípio, que é como que uma pressuposição de toda a consciência da missão das elites e esse princípio, pelo menos, eu gostaria de explaná-lo nessa palavras.

O princípio é o seguinte: que toda elite tem os privilégios que tem, tem as vantagens que tem, não principalmente para a vida agradável e suave daqueles que a compõem, mas para o serviço inteiro da sociedade. E esse serviço da sociedade supõe que a elite esteja disposta aos sacrifícios necessários para cumprir sua missão. Esse cumprimento de sua missão por certo inclui a disposição, em alguma medida, dos bens temporais para ajudar os que necessitam. Porém, não é somente o recurso temporal que se pede das elites. Eu ousaria acrescentar que nem sequer isso é o principal.

O homem de elite - seja qual for o tipo ao qual pertence essa elite -, o homem de elite tem a principal responsabilidade, ou a principal missão de se dar a si mesmo ao bem comum. Essa doação de si mesmo ao bem comum consiste em que ele tenha o conceito claro sobre o que a elite deve fazer. Que deve fazer a elite?

A elite deve convidar a seus membros a adaptar suas vidas a um princípio do poeta francês Paul Claudel. Disse Claudel sobre a juventude, que a juventude não foi feita para o prazer, porém, para o heroísmo. Também se pode dizer o mesmo e, principalmente, se deve dizer o mesmo, da elite. Os bens de fortuna, o prestígio social não foram dados aos membros da elite principalmente para seu prazer, porém foram dados para o heroísmo, para que os ajudem a ter a elevação de alma necessária para uma abnegação completa de suas vidas. Essa abnegação se constitui principalmente dos seguintes elementos:

O membro de elite tem que ser uma pessoa consciente de que a moralidade é uma característica indispensável da verdadeira elite e que se a elite perde o sentido de moralidade, renuncia à missão de ser o freio de todas as formas de imoralidade. Se ela renuncia à responsabilidade de ser a classe social que dá um tônus à sociedade, mas um tônus cristão e moralizador, em lugar de ser um tônus descristianizante e paganizador, se a elite renuncia a essa responsabilidade, ela deixa de ser uma verdadeira elite.

Portanto, as elites contemporâneas na América do Sul, devem ter como obrigação fundamental uma reação contra as modas paganizantes, contra as modas que convidam à nudez, à corrupção, à dissolução dos costumes; também contra as modas que não são diretamente contrárias à pureza dos costumes, porém que por sua extravagância, por sua maneira de ser, induzem à falta de seriedade, a uma falta de compenetração, a uma falta de dignidade que rebaixa a importância do homem como rei de toda a Criação, e que, portanto, representa uma revolução dentro dos planos de Deus.

Por outro lado, a elite deve ser a classe social à qual pertence a responsabilidade de lutar contra os fautores de desordens e de revoltas. A elite deve ser, por excelência, a classe que deve lutar contra a maior praga de nossos dias, que é o comunismo. E cada membro de elite tem a responsabilidade de ser um soldado na luta, mas numa luta militante, uma luta declarada, não somente contra o comunismo aberto, porém contra essas mil formas de comunismo insidioso e disfarçado que conduzem à preparação do povo para a aceitação da revolução comunista.

Quer dizer que um membro da elite não pode gastar todo o seu tempo só em diversões, só no trabalho para o aumento de seu patrimônio, só em suas atividades particulares, porém que uma grande parcela de seu tempo, de sua atenção, de sua dedicação, devem ser dadas a esses grandes problemas sociais e ao desenvolvimento de uma atuação metódica, de uma atuação ordenada, de uma atuação voluntária e consciente para impedir esses fatores de dissolução.

Eu entendo por isso - e vale insistir um pouco sobre o que diz o audiovisual sobre a matéria - eu entendo por isso a luta que as elites devem ter para prestigiar os princípios fundamentais da Civilização Cristã. E entre esses princípios me é necessário recordar aqui um, que vai sendo esquecido cada vez mais e que por isso deve ser objeto de uma insistência particular: é o princípio da propriedade privada.

A propriedade privada não pode ser vista somente como uma vantagem do proprietário. A existência do princípio da propriedade privada é um bem ainda para aqueles que desgraçadamente não tenham propriedade, porque a condição de proprietário é a condição natural do homem. O homem, porque é dono de si mesmo, é dono de seu trabalho; porque é dono de seu trabalho é dono do fruto de seu trabalho; porque é dono do fruto de seu trabalho, é dono da economia que pode fazer com os frutos de seu trabalho. E porque é dono desses bens, tem a possibilidade de constituir para si condições de existência que lhe facilitem o aperfeiçoamento de toda a sua personalidade.

Esse aperfeiçoamento da personalidade de uns, importa por osmose num movimento de elevação de todo o corpo social. É uma afirmação da autonomia do homem, da propriedade que ele tem sobre ele mesmo, da dignidade, portanto, que lhe compete como ente racional que tem a inteligência necessária para fazer a seleção de seus caminhos na vida e para escolher o trabalho que lhe convém e a maneira pela qual deve atender suas próprias necessidades.

A propriedade é fruto de tudo isso e como quando se contrariam as causas, os efeitos comprimem as causas, também quando se mutila a propriedade privada, se persegue a propriedade privada, se elimina a propriedade privada, se faz um mal profundo ao senso de autonomia, ao senso de dignidade do homem como ente racional, dotado de uma alma imortal, e máxime como cristão batizado ao homem compete.

Por esta razão me parece que, ainda que devamos todos nós ter muita preocupação em realizar a função social da propriedade, nós não podemos consentir em que, sob pretexto de cumprir a função social da propriedade, se elimine a propriedade. A função não pode depauperar o órgão: seria algo de monstruoso. E há, portanto, nessa época em que se fala tanto da função social da propriedade, muitas vezes meritoriamente, muitas vezes também com uma exageração suspeita, há, para os membros da elite, a necessidade de estudar a propriedade privada e de fazer dela uma grande justificação.

Por isso eu quero convidar a todos que me ouvem, especialmente aos que pertencem à elite argentina, a que concentrem sua atenção sobre os trabalhos dessa sociedade benemérita, que é a Sociedade Argentina de Defesa da Tradição, Família e Propriedade.

Três grandes valores combatidos de tantas maneiras... a tradição, que liga a Argentina de hoje à Argentina de ontem; a Argentina de ontem à gloriosa Espanha, de passado glorioso e a todo o passado da Cristandade, que foi fundada por Carlos Magno e que é o berço da Cristandade Ocidental. De outra parte, a família, que é a célula da sociedade, que a dissolução dos costumes, o divórcio, mil outros fatores a todo momento ameaçam de uma destruição completa. E, por fim, a propriedade privada de que acabo de falar-vos.

Essa Sociedade merece a atenção, merece todo o apoio de todos os que me ouvem, apoio especialmente dos jovens que eu convido a se inscrever, a exemplo de tantos outros jovens argentinos que já o fizeram - jovens chilenos, jovens uruguaios e outros -, eu convido os jovens argentinos que ingressem na Sociedade de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, porque todos poderão estar certos de inserir suas atividades num conjunto de trabalhos, de estudos, de atuações que representam a necessidade mais urgente dos povos cristãos e latinos da América do Sul.

Meus amigos, muito cordialmente eu vos saúdo e vos convido.


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