Plinio Corrêa de Oliveira

 

Excelsitudes do Sacerdócio e

apostolado contra-revolucionário

 

 

 

Simpósio com Sacerdotes, Êremo do Amparo de Nossa Senhora, segunda Reunião, 25 de setembro de 1990

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A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério tradicional da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

Campanha da TFP no Viaduto do Chá, na capital paulista, da obra "As CEBs... das quais muito se fala, pouco se conhece - A TFP as descreve como são"

(...) No caso concreto da TFP, ela não se limita a ser uma organização de leigos que fazem apostolado, mas é uma organização de leigos dentro de uma “débâcle” [ruína, desabamento, n.d.c.] enorme! E considerando que muita gente não via esse desabamento como devia, mas que observava apenas alguns aspectos (dessa crise). E em que os melhores procuravam corrigir aspectos da situação e não procuravam ver que todos esses desabamentos tinham um unum [a Revolução] e que, portanto, a solução tinha que ser dada no unum [ou seja, fazendo a Contra-Revolução]. Porém estes faziam esforços mais ou menos vãos, pois enquanto combatiam um mal, deixavam-se infiltrar por outro mal. De maneira que se estava numa situação verdadeiramente lastimável. Foi nessa conjuntura que apareceu a TFP.

A Revolução prefere atacar antes a ordem espiritual

(Pe. “X”: Agora, poder-se-ia dizer que a Revolução prefere atacar antes a ordem temporal, por causa da natureza humana, por causa das coisas sensíveis tocarem muito mais facilmente o homem? Ela tem uma certa preferência ou não?)

Sob certo ponto de vista, mas não sob todo ponto de vista. Porque a ação da ordem espiritual sobre a temporal é muito mais eficaz do que a recíproca. O que está bem. E um pouco que eles progridam na ordem espiritual lhes dá mais progresso depois na ordem própria temporal, do que se fosse o sentido oposto. De maneira que, dependendo das circunstâncias históricas, em que in concreto ela encontra um Rei, ou um Cardeal ou um Papa que lhe serve os desígnios, a Revolução vai como pode.

Por que a Providência suscitou a Contra-Revolução na ordem temporal?

(Pe. “X”: Por que então a Contra-Revolução foi privilegiada pela Providência na ordem temporal? Porque, afinal de contas, a Contra-Revolução está sendo feita por um leigo, e o senhor sempre acentuou esse lado da sacralização da ordem temporal. Por que a Revolução é feita nesse sentido, se a Contra-Revolução ela jogou...)

Eu não tenho certeza se a Providência não convidou e não suscitou vários eclesiásticos para isto, como também suscitou vários leigos, que recusaram e aguentaram a meias ou não aguentaram nenhum pouco. E por causa disso acabou caindo nas mãos de um leigo, de quem Nossa Senhora teve particular misericórdia, e que escorou. Os senhores viram pelo que foi contado ontem que não é fácil a situação de um leigo perseverar inteiramente nas condições opostas que os senhores viram ontem.

E embora eu não tenha tido o prazer de os conhecer quando eram seminaristas e embora minha vida de moço parecesse muito mais regalada do que a vida de moço que os senhores tiveram, exatamente porque eu era leigo e tinha facilidades de vida que as condições do seminário não proporcionam, acho que  sofri muito mais do que os senhores! (...)

(Pe. “X”: Perfeitamente. Mas aí podia-se objetar: a Providência não escolhe os leigos adequados, com a direção certa?)

Não. Ela às vezes, por esta ou aquela razão, escolhe pessoas inadequadas para fazerem uma determinada obra e com isso punirem os que deveriam fazer e não fazem. Ou simplesmente realçar a maior glória de Deus.

O exemplo de Santa Joana d'Arc

Por exemplo, Santa Joana d'Arc. Uma coisa – sob certo ponto de vista –completamente inadequada uma donzela que realizasse aquela obra, vivendo no meio de acampamento de guerreiros, não podendo evitar um convívio assíduo com seus principais companheiros de armas. E tratando com o Rei, fazendo política, etc., quando era mais normal que a Providência suscitasse um homem para ser um general.

Que intuito houve nisso? Não era o de proclamar que daí por diante as mulheres seriam guerreiras. Mas é de estabelecer uma exceção para castigar os guerreiros daquele tempo, que já são os da decadência da Idade Média. E para castigar a Hierarquia eclesiástica, que também estava se deixando levar pela decadência. E também para castigar o Rei, que era um janistroques, um tíbio, um bobo, um homem de uma certa consciência por algum lado e que tinha medo de não ser o verdadeiro rei da França. Mas era aquele medo mole do escrupuloso e não o temor do homem de consciência reta, etc. Santa Joana d'Arc foi mandada para tudo isso junto. E podia perfeitamente ser que a Providência tivesse em vista as duas coisas ao mesmo tempo...

(Pe. “X”: Aliás, ela disse. Perguntaram a ela por que uma mulher se tornara guerreiro. Ela disse: eu estou fazendo o trabalho dos homens porque faltou um homem para fazer a missão dele)

Faltaram homens sensíveis à voz de Deus e querendo obedecer-Lhe como ela fazia. Então Ele escolheu uma mulher.

Fidelidade à Hierarquia

A TFP fez com os titulares da ordem espiritual o que fez com os da ordem temporal. Quer dizer, eu procurei de todos os modos aproximar-me e manter boas relações com o maior número possível de Bispos, com o intuito definido de por meio de bons contatos, amizade, gentileza de toda ordem, convidando mesmo vários para irem almoçar ou jantar em casa, para conversarmos, aprofundarmos temas, demonstrando uma fidelidade e uma obediência sem limites [nos termos que a Igreja estabelece, claro está], e chegar a ponto de eles serem abertos ao que se dissesse para mostrar a situação como estava, para eles reagirem.

O sacerdócio tem nas mãos um fogo sagrado, que é o creme dos cremes do apostolado

(...) Bem, aí é rezarmos, desejarmos e compreendermos a potência do que os senhores têm na mão! Os senhores têm na mão um verdadeiro fogo sagrado! Uma coisa incomparável! Celeste! O povo olha para os senhores com uma veneração, com uma admiração da qual talvez os senhores não tenham uma noção exata. Em parte porque o povo está muito perdido e portanto não deixa transparecer a influência que uma palavra dos senhores tem. Mas tem muita! E ainda hoje eu tenho certeza que se houvesse um Papa que convocasse um Concílio para pôr em ordem todas as coisas, a Revolução não continuava o caminho! Disso eu estou certo!

Agora, no íntimo dos senhores eu acho ultra necessário, aconselhável, que procurem estar ao par – fazer o que fazem – acompanhar os acontecimentos políticos, sociais, econômicos, conhecer a mentalidade dos seus paroquianos sobre esses pontos, para, tendo que tratar disso – e não tratar tão raramente – baterem no ponto certo, e tocarem a coisa como deve ser. Mas, o creme, propriamente o creme é o efeito próprio, direto dos sacramentos, da vida interior, da piedade, a manutenção da Igreja nas condições adequadas, o culto todo. Isto é o creme dos cremes.

Um dos senhores me dirá: "Mas, então, por que o Sr. não foi ser Padre?!"

Eu tenho convicção íntima – nem sei de quando ela data! – de que não deve ser isto. E que eu estou fazendo o que devo. Mas isto não me impede de ter toda essa veneração ultra profunda pelo sacerdócio, pela importância do sacerdócio, etc.

Basílica de Nossa Senhora do Carmo, São Paulo, 1° de dezembro de 1957. Acima e abaixo, fotos da ordenação sacerdotal do então Diácono José Luiz Marinho Villac, de quem o Prof. Plinio foi Padrinho de Ordenação

O neo-Sacerdote apresenta suas mãos, ainda perfumadas pela Unção Sacerdotal, ao ósculo de seu Padrinho. E por uma providencial coincidência, foi o então Cônego José Luiz Villac quem deu a extrema-unção ao Prof. Plinio, em outubro de 1995, após décadas de valoroso apoio à TFP.


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