Plinio Corrêa de Oliveira

 

A 3ª Aparição de Nossa Senhora de

Fátima: visão do Inferno

 

"Santo do Dia", 15 de julho de 1967

 

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A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

Nossa Senhora acabara de recomendar a oração pelos pecadores, [e] apareceu a visão do inferno.

“Ao dizer estas palavras - a favor dos pecadores, reparação, etc., narra Lúcia - abriu Nossa Senhora as mãos como nos dois meses anteriores”.

 

Representação do inferno - Très Riches Heures du Duc de Berry

Naquele gesto próprio à imagem de Nossa Senhora das Graças, as mãos inclinadas para baixo, um jorro de luz saindo das mãos.

“O reflexo que elas expediam, parecia penetrar na terra e vimos como que um mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as almas como se fossem brasas transparentes e negras, com forma humana”.

É preciso notar que sabemos para termos uma idéia do que é esse fogo do inferno pela fé, que se trata de um verdadeiro fogo. É preciso, portanto, excluir a idéia modernista, de que o fogo do inferno é uma expressão simbólica, que retrata os sofrimentos de caráter moral. Existe no inferno o sofrimento de caráter moral e esse sofrimento é terrível. É a privação de Deus, é o desespero eterno, a pessoa se sente colocada completamente fora de sua própria natureza, posta num pavoroso conflito consigo mesma. Mas ao lado desse sofrimento moral, existe um sofrimento de ordem física, que se exerce sobre a alma. Há um fogo verdadeiro no inferno, que é fogo realmente e esse fogo queima a alma.

Os videntes após a visão do inferno

Alguém poderá dizer: “Mas não posso compreender como sendo a alma espiritual, possa ser queimada pelo fogo”. É muito fácil compreender: a alma espiritual não está ligada ao corpo? Ela não está ligada, portanto, a algo de caráter material? Se ela está ligada à matéria, por que então não pode ser queimada por algo material? É evidente!

Desse fogo Santo Afonso de Ligório diz o seguinte: que é tão terrível, que a pior chama da terra queima tão pouco em comparação com esse fogo, como uma chama de pintura queima pouco, em comparação com uma chama real da terra. Os Srs. compreendem, portanto, o seguinte: os piores fogos que aqui se vêem, não são tão terríveis quanto o inferno.

É uma meditação muito boa para ser feita. Por isto é que Nossa Senhora quis que aparecesse esse fogo para os pecadores de hoje. Eu costumo, quando vejo alguma chama mais impressionante, lembrar-me do inferno e é uma coisa que faz bem. Quando desço, por exemplo, para Santos e vejo aquela chaminé de Cubatão, com aquela impressionante labareda que sai, eu me agrado em pensar um pouco no inferno. Aquele fogo está preparado para mim, está preparado para cada um dos senhores, se não formos fiéis.

Santa Teresa de Jesus teve a graça de ver o lugar que estava reservado para ela no inferno, se não fosse fiel. E era um lugar tremendo, como uma espécie de nicho de forno, de sepultura, onde ela devia entrar dobrada, e ficar dobrada durante toda a eternidade, com o corpo dela, quando se desse a Ressurreição dos mortos. E faz bem, por exemplo, quando a gente passa por essas ruas que estão em conserto, e que têm um piche ardendo dentro de uma espécie de caçarolazinha e que a gente vê aquele fogo saindo como uma chuva de piche, é interessante a gente pensar: “Se eu tivesse que ficar a noite inteira somente com um dedo queimando aqui, eu talvez amanhecesse morto de desespero e de dor!" Agora, isto com um fogo que é uma coisinha, perto do fogo do inferno.

O fogo do inferno é terrível e entra por toda a eternidade. Vale a pena pensar nisto! “Medita nos novíssimos e não pecarás eternamente”. Ora, os Novíssimos são: morte, juízo, inferno e paraíso. Temos que pensar nessas quatro verdades, todas elas nos são necessárias e aqui nós vemos como Nossa Senhora estimula a meditação do inferno.

E aí continua:

“Um mar de fogo e mergulhados nesse fogo do horror e das trevas”.

Então, as figuras “que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam...”

Os Srs. vejam que coisa horrorosa: são movidos pelas chamas que saem de dentro deles. Queimam tanto, que deles saem labaredas! Isto é diferente de queimar de fora para dentro. É ter nas próprias entranhas um fogo que queima de um modo horroroso, não devora nada, e andam pelo impulso desse calor. Os Srs. vejam o tormento que isto representa.

“...juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados...”

Os Srs. imaginem uma doença na qual a pessoa começasse a deitar nuvens de fumo e chamas, e que a pessoa depois fosse cambaleando entre as chamas e andando. Os Srs. podem imaginar o medo quem todos teriam desse contágio? Se houvesse uma pastilha para evitar essa doença, como essa pastilha seria ótimo negócio e todos queriam comprá-la? Entretanto, os Srs. estão vendo como estamos: o homem é tão cego, que não tem medo de fazer frente ao pior sofrimento por toda eternidade.

Mas essa visão foi um dom de Nossa Senhora. Se Nossa Senhora quis dar essa visão, quis que ela tivesse se dado, quis para o bem de nossa alma. Nós devemos fazer disso um tesouro e devemos meditar nestas coisas ponto por ponto, pois isto nos auxilia e nos aproxima d'Ela. Depois, para o pecador empedernido que se move pela consideração do inferno. Os filhos da Revolução são empedernidos por definição e sem a consideração do inferno, eles não se salvam. É por causa disto que temos que tomar uma visão dessa e meditá-la ponto por ponto, pedindo a Nossa Senhora a virtude do temor de Deus.

Há algum tempo atrás, um médico me dizia que para morrer, uma pessoa não precisa estar doente há tempos. Há certas formas de doença que acometem a pessoa de um momento para outro e matam. Não é um enfarte. O enfarte tem causas mais ou menos próximas ou remotas; ele é repentino, mas tem uma longa gênese no organismo. Há uma doença chamada embolia - que parece ser uma partícula que se desprende de algum lugar do organismo - que mata o homem instantaneamente. E dá de um momento para outro; pode dar em qualquer um de nós. Quem sabe se um de nós amanhece morto amanhã? Quem de nós sabe se vai estar vivo quando se levantar? Fato comum: Fulano morreu! Bateram na porta, ele não respondeu. A criada ficou nervosa, chamou o pai, chamou a mãe... entraram, ele estava morto! Não é impossível!

Então:

“...entre gritos de desespero que nos horrorizavam e enchiam de pavor. Os demônios se apresentavam como figuras asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, transparentes como negros carvões em brasa”.

Já comentei com os Srs. quão nojento é esmagar alguma taturana ou algum bicho desses. Sai uma gosma horrorosa de dentro. Fica-se com pavor daquilo. Os Srs. imaginem um homem que tivesse que passar a eternidade banhado inteiro no suco asqueroso de uma taturana! Seria uma visão horrível! É menos que o nojo do demônio, porque o demônio é asqueroso, é porco, é todo deformado, é monstruoso em todos os aspectos. E é esse um inimigo que nos atrai a si e é por causa de tantos “barrabás”, que nós o preferimos a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nossa Senhora disse à Lúcia:

 “Vistes o inferno para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração”.

Vejam bem: portanto, se queremos nos salvar, devoção ao Imaculado Coração de Maria.

“Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar” etc.,

Eu chamo atenção para Nossa Senhora ter dado ênfase especial à devoção ao Imaculado Coração d'Ela, que era uma devoção relativamente pouco espalhada na Igreja.

Essa devoção é pouco espalhada na Igreja. A bem dizer, ela data do século XVI. Vê-se então que é uma dessas maravilhas de graça, que Nossa Senhora reservou para esse tempo de aflição. E Ela especialmente indica que devemos ter devoção ao Imaculado Coração d'Ela para nos salvar dos nossos pecados e especialmente do pecado da Revolução, e especialmente as raízes do pecado da Revolução, que são o orgulho e a impureza.

Se alguém quer vencer o demônio do orgulho, o demônio da impureza, consagre-se ao Imaculado Coração de Maria e faça uma jaculatória, por exemplo, ao Coração de Maria, análoga à que se faz ao Sagrado Coração de Jesus. Há aquela jaculatória muito bonita: “Ó Jesus, manso e humilde de coração, fazei meu coração semelhante ao Vosso”.

Podemos dizer isto a Nossa Senhora: “Ó Maria, mansa e humilde de coração, fazei nosso coração contra-revolucionário e humilde semelhante ao Vosso”.

Ou “Ó Maria, combativa e humilde de Coração, fazei nosso coração combativo e humilde como o Vosso”.

E essa me parece que seria a jaculatória melhor: “Ó Imaculado Coração de Maria, que sois sem mancha, fazei-me sem mancha como sois Vós mesmo”.

Aí estão jaculatórias para extirpar em nós o demônio da Revolução.



 

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