Plinio Corrêa de Oliveira

 

São João Maria Vianney,

o santo Cura d’Ars:

modelo de como os sacerdotes

devem ser e fazer

 

 

 

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Santo do Dia, 8 de agosto de 1966

A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério tradicional da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

Dia 8 de agosto é a festa de São João Maria Vianney (1786-1859), confessor, patrono e modelo do clero paroquial (atualmente, sua festa é celebrada a 4 de agosto, n.d.c.).

Notem que São João Vianney não tem “apenas” o título de santo ou intercessor. O Papa Pio XI, quando o canonizou, instituiu-o como modelo de todos os párocos do mundo. Portanto, o que São João Vianney diz é modelo para os outros dizerem coisas análogas. E o que fez é modelo para outros fazerem. Vamos ler suas palavras que são modelo para as pregações sacerdotais.

Trechos do Catecismo sobre a Impureza, escrito por São João Batista Vianney:

“Há almas que são tão mortas, tão apodrecidas que marasmam na sua infecção sem o perceber, e não podem mais se desvencilhar dela; tudo as leva ao mal, tudo lhes lembra o mal; mesmo as coisas mais santas. Elas têm sempre essas abominações diante dos olhos, semelhantes ao animal imundo que se habitua à porcaria e se agrada nela, que se rola nela, que nela dorme, que ronca sujice. Essas pessoas são objeto de horror aos olhos de Deus e dos santos Anjos”.

“Ó, meus filhos! Se não houvesse algumas almas puras para indenizar Deus e desarmar sua justiça, haveríeis de ver como seríamos punidos. Só em ver uma pessoa, reconhece-se se ela é pura. Há nos olhos um ar de candura e de modéstia que leva a Deus. Vê-se em outras, ao contrário, que têm um ar todo inflamado. Satanás põe-se-lhes nos olhos para fazer cair os outros e arrastá-los ao mal”.

 Interior da antiga igreja d'Ars. À direita, o púlpito de onde pregava São João Vianney

Os senhores estão vendo que é uma exposição soberba do que é a impureza, dos seus efeitos na alma, de como Deus a vê e acaba com essa frase magnífica a respeito do papel de Satanás. Satanás está posto nos olhos do impuro, para olhar os outros e levá-los para o mal. O olhar do impuro contamina com sua impureza.

Qual impuro? Não é qualquer impuro, mas esse impuro que está no marasmo, que afundou, que não sai mais, que não muda mais, que está completamente liquidado pela impureza. Esse impuro se torna então um habitáculo de Satanás.

Os senhores vêem nesse trecho a força dessa pregação. Imaginem que, se de todos os púlpitos da Cristandade, se ouvissem afirmações dessas... eu lhes pergunto se a impureza não recuaria enormemente. O que aconteceria com as modas imorais se se falassem coisas dessas? Porque uma pessoa do sexo feminino que tem o hábito de usar mini-saia, está inteiramente nesse caso. Pode comungar quinze vezes por dia, que não escapa.

Se todos os pregadores dissessem isso, como o mundo estaria diferente. Então, por que o mundo não é como deveria ser? Antes de tudo, porque os pregadores não pregam o que deveriam pregar. E por que não pregam o que deveriam pregar? Porque não são o que deveriam ser. Temos que nos colocar francamente nessa posição.

Por que eu estou repetindo isso, que nós sabemos tão bem? É para mostrar – sempre insisto nesse ponto e nunca será suficiente insistir – que não se trata de um conflito entre uma opinião nossa e a opinião de pregadores. Trata-se de um conflito entre vinte séculos de ensinamento da Igreja, vinte séculos de pregação da moral verdadeira e da prática da moral verdadeira pelos santos, de canonizações contínuas de modelos exímios de santidade, que protestam contra o que hoje se passa.

Então, na nossa tomada de posição, não há uma opinião individual que se levanta contra a opinião de uma instituição, mas há a fidelidade a esses vinte séculos que se prolongam pela noite dos dias de hoje. Há a fidelidade ao legado dos santos, ao legado dos mártires, dos Papas, ao legado dos pastores; ao legado, enfim, de tudo quanto é a Esposa Mística de Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Igreja Católica. E é em nome disso e por fidelidade a isso, que protestamos. A nossa luta não é de indivíduos contra indivíduos, mas é uma luta da fidelidade contra a infidelidade.

Essas palavras do Santo Cura d’Ars exprimem bem isso e é por tal motivo que estou repetindo. Eu quero que os senhores apalpem com a mão, que os senhores tomem – para usar uma palavra de hoje – a vivência de que isso não é apenas uma opinião de A, de B ou de C, ou minha, mas que é muito mais do que isso: é a fidelidade a vinte séculos de história da Igreja Católica. Isso é o que me parece fundamental para dizer aqui.

Urna com as reliquias do Santo Cura d'Ars

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