Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

São Casimiro, Príncipe
A santidade consiste sobretudo em ser e não em fazer

 

Santo do Dia, 3 de março de 1968

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A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério tradicional da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

São Casimiro, catedral de Vilnius (Lituânia)

Amanhã, 4 de março, é festa de São Casimiro, Príncipe.

(leitura da ficha biográfica)

São Casimiro, príncipe polonês, nascido em 1458, foi o terceiro filho de Casimiro III, rei da Polônia e Isabel da Áustria, filha do imperador Alberto III. Seu preceptor foi João Dugloss, cônego da catedral e historiador da Polônia, homem cultíssimo e profundamente virtuoso e que exerceu benéfica influência sobre o jovem príncipe. Este, criança ainda, dedicou-se às práticas de mortificação e piedade. Usava um cilício sob seus trajes de corte e seu espírito era tão unido a Deus, que sua paz interior manifestava-se numa grande serenidade de rosto. Amava profundamente a Igreja e uma coisa se lhe tornava clara, a partir do momento em que a glória de Deus fosse dela objeto. Devoto da Paixão de Jesus Cristo e da Santíssima Virgem compôs, em honra da Mãe de Deus, um hino que recitava freqüentemente, pedindo que ao morrer colocassem uma cópia dele em seu túmulo”.

“Ao completar Casimiro 13 anos, os húngaros, descontentes com seu rei Matias, quiseram levar o santo ao trono de seu país. Seguiu o jovem  à frente de um exército para a Hungria, para sustentar o direito de sua eleição. Mas na fronteira desse país soube que o rei húngaro reconquistara a estima de seus súditos e que, além disso, o Papa Sisto IV declarava-se pelo rei destronado e desaprovava a expedição. São Casimiro voltou atrás e para não aumentar o desgosto de seu pai, que planejara aquele empreendimento, retirou-se para o castelo de Dobsky, onde se entregou a austeras  penitências durante três meses. Ao fim desse tempo voltou ao palácio real, onde já encontrou tudo mais em paz”.

“São Casimiro faleceu aos 24 anos de idade, em 1483, tendo até o fim de sua vida se recusado a casar. Predisse sua morte e para ela preparou-se particularmente. Cento e vinte anos após sua morte, seu corpo e as ricas vestes com que fora enterrado, foram encontrados intactos, construindo-se riquíssima capela de mármore para conservação dessa relíquia. É padroeiro da Polônia e modelo da pureza para a juventude.”

Há vários aspectos que valem a pena notar de modo mais especial.

Temos falado muito a respeito dos santos que são fundadores de povos, santos que são fundadores de ciclos de civilização e que por sua ação extraordinária movem a história. Nós podemos considerar uma outra categoria de santos que nascem e se tornam exímios na prática de uma virtude a qual vão representar em toda a vida da Igreja. Mas parece que, a fim de que a atenção dos fiéis não se desvie desse aspecto central de sua existência, esses santos morrem relativamente jovens e sua vida fica realçada pela prática daquela virtude.

Os senhores considerem, por exemplo, São Luís Gonzaga: fazer propriamente ele fez pouca coisa. Mas morreu no apogeu da virtude, ainda adolescente. Se tivesse feito muita coisa, as atenções se voltariam para o que ele realizou e se desviariam talvez daquilo que ele foi.

Esses santos assim nos mostram que a santidade consiste sobretudo em ser, consiste sobretudo numa ação de presença dentro da Igreja; no difundir o aroma dessa santidade, não só enquanto estão vivos, mas depois de mortos. E que a vida deles – tão precocemente imolada e em geral oferecida em benefício da Igreja Católica – é um elemento preciosíssimo para a salvação das almas. Mas é um elemento valioso na ordem do oferecer, na ordem de sacrificar-se e não é valioso na ordem da ação. Com isso fica bem mostrado como sendo a ordem da ação muito preciosa, entretanto não é a mais preciosa de todas. A ordem do exemplo, a ordem do sacrifício, a ordem da realização interior de uma obra própria que justifica inteiramente a existência, embora externamente não se tenha feito nada. Isso é o ensinamento que santos como São Domingos Sávio, São Casimiro, São Luís Gonzaga e como tantos outros nos trazem à mente. É um outro aspecto desse sol de santidade que é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Há um outro aspecto interessante a se considerar: a atitude de São Casimiro vestindo roupas régias e levando cilício sob elas. Os senhores estão vendo bem aí o equilíbrio do verdadeiro santo: ele quer fazer penitência, mas sabe que sua condição lhe impõe que se vista com a pompa inerente à sua categoria. E como ele não é um igualitário, não é  um progressista, não é um filho das trevas, usa tudo quanto é necessário para a manutenção de seu estado. A penitência ele faz também: ele a leva consigo, mas às ocultas.

Por fim, há outro elemento interessante: esse santo teve dificuldades com seu pai, o qual queria que ele conquistasse a Hungria e não compreenderia que por uma razão que para si parecia frívola (a saber que o Papa dava razão a um outro e que, pois, São Casimiro seria um usurpador) não queria que seu filho se abstivesse de conquistar esse reino.

São Casimiro foi muito jeitoso: ficou rezando três meses fora, até que as coisas se acalmassem e depois voltou. Há aqui um apuro e depois um santo ardil, que deve servir de inspiração para todos nós.


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