Plinio Corrêa de Oliveira

 

Nobres que se entregavam à

Revolução Francesa

As “hipnoses” das utopias revolucionárias

 

Santo do Dia, 22 de março de 1977, Sábado

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A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

Revolução Francesa: execução na praça da Revolução (Demachu, museu Carnavalet, Paris) 

 

O conceituado historiador francês Ghislain de Diesbach (* 6-8-1931), em um trecho de sua obra “Histoire de l’émigration” e que comentaremos a seguir, faz a seguinte pergunta: por que tantos nobres, durante a Revolução Francesa, se deixaram guilhotinar nas condições em que o foram? Ele não dá a explicação até o fundo, mas descreve o estado de espírito dessas vítimas da Revolução, essa conaturalidade do homem com a perda da vida e a perda de tudo para o que vivia. Essa espécie de extinção do próprio instinto de conservação ou instinto de conservação da situação, dos bens, do patrimônio, daquilo que constitui – num nível terreno – a alegria de viver.

Se é certo que se esse estranho fenômeno não tivesse dominado tantos franceses mortos como contra-revolucionários na guilhotina, a Revolução Francesa não poderia ter se desenvolvido como se desenvolveu, nunca poderia ter crescido como cresceu. Por que eles se deixaram matar? Qual foi o estado de espírito deles ao se deixarem matar? Esse notável historiador evoca, a esse propósito, um fenômeno mais interessante ainda que é a entrega misteriosa dos astecas aos espanhóis.

O trecho é tirado do livro “Histoire de l’émigration”, Grasset, 1975: 

À exceção dos chefes vandeanos e bretões, ou de alguns conspiradores do Midi (isto é, do sul da França), que preferiam lutar no interior do país em vez de se unirem ao Exército dos Príncipes, os nobres que ficaram na França aceitaram com uma surpreendente passividade a sorte que a República lhes reservou”. 

Notem bem: “aceitaram com uma surpreendente passividade”. Agora ele vai descrever a passividade: 

Nenhum deles pensa em se defender ou ao menos em vender caro a sua vida. Todos esses gentis-homens, que alguns anos antes, metiam a mão na espada por uma bagatela e não hesitavam em atravessar com ela o corpo de seu melhor amigo...” 

Quer dizer, nos duelos, que eram reprimidos com pena de morte. Eles duelavam e expunham sua própria vida por bagatelas, ou matavam o melhor amigo. 

...se este lhe tivesse ofendido, ou permitido de olhar para sua meretriz, estes mesmos gentis-homens, uma vez vinda a Revolução, se transformam em carneiros que se conduz ao abatedouro”. 

O problema está perfeitamente bem posto! Tome-se um nobre da fase anterior da Revolução: é um espadachim do tipo do Cyrano de Bergerac ou  dos Três Mosqueteiros. Ou seja é gente que luta, que briga, brilhantes duelistas. Todos esses nobres estudavam duelo como estudavam dança, o ABC e as operações fundamentais da matemática... Esses dueladores corajosos, quando chega a Revolução, se deixam conduzir ao matadouro como cordeiros...!

Nobres, que eram capazes de lutar como os Mosqueteiros, ante à Revolução Francesa transformam-se em cordeiros prontos para ir ao matadouro

Para um Marquês d´Epoisses, que se tranca em seu castelo e sustenta um cerco em regra...” 

Contra os republicanos, que foram cercá-lo. 

...por um pobre nobrezinho provincial que acolhe a golpes de forcado seus visitantes jacobinos, há cem, há mil aristocratas que aguardam sua morte com um sorriso nos lábios”. 

É bem exatamente isso! Eu tenho lido, vários dos senhores tem lido memórias do período da Revolução Francesa e os senhores sabem que isso é assim. Na prisão, onde eles aguardavam o julgamento, vinha todas as manhãs, em hora determinada, um carreto com soldados, com um pelotão, que parava e dele se destacava um oficial de justiça. Diante de todos os presos reunidos, proclamava o nome dos nobres que estavam condenados à morte, e eles se levantavam, despediam-se de alguém muito próximo e iam para ser julgados. Julgados, eram quase sempre condenados e não voltavam para aquela prisão; iam para outra, de onde seguiam depois para a morte.

Depois que saía o homem com a carreta, havia um alívio geral dos nobres que não tinham sido chamados aquele dia. E começava a vida social...  Como ali dentro havia liberdade de circular de um quarto para outro, começavam a se visitar, a fazer rodas, com cortesia, com amabilidade, até chegar a noite. À noite começava uma certa depressão e, de manhã, o susto. Passado o susto, o dia seguinte era um dia de alegria novamente. Quer dizer, era com um sorriso nos lábios que esperavam a morte. Eles, que eram os tais batalhadores... 

Eles se deixam prender sem fazer um gesto”. 

Esta observação é muito importante. Que eles, na cadeia, não resistissem, estavam sem armas, compreende-se. Mas eram presos sem fazer um gesto.  

Cidadão, estais preso”. 

Vão, sem um gesto. Na minha opinião, esse é o fato mais digno de ser mencionado.

 

...desprezam de se justificar das acusações absurdas que se levantam contra eles...

 

 

A Rainha Maria Antonieta

 

Luís XVI e Maria Antonieta, por exemplo, se justificaram taco-a-taco, pediram advogados, etc. Eles, não. Sofrendo as acusações mais infamantes, não fazem pelo menos um protesto. Desdenham se justificar. É uma passividade em toda a linha! Qualquer um de nós, objeto de uma acusação muito injusta, muito violenta, tem uma reação natural. Ainda mais o francês, que os senhores sabem como é respondão. Nada! Um modelo de passividade. 

...e sobem ao cadafalso com passo firme, sem um momento de revolta, sem mesmo uma exclamação de lamento.” 

A sociedade mais polida, a mais divertida, a mais brilhante que houve na História, que manifestava um apego enorme precisamente ao brilhante, ao polido, ao divertido da vida que levava, na hora de lhes tirarem tudo, eles, que batalhariam por um castelo no interior, ou por uns metros a mais ou a menos de um terreno que tivessem em Paris e que alguém lhes quisesse tirar, eles se deixavam levar para a guilhotina sem mais nem menos...

Singular estado de espírito! Estado de espírito anti-humano, contrário à disposição natural do homem, e que precisamos analisar. 

A se ver estas pessoas tão facilmente resignadas, parece que elas estejam fascinados pelas seus carrascos...” 

Agora o autor vai sustentar algo que é muito interessante: é a aparência de um poder hipnótico, do que ele chama aqui de “carrascos”, no sentido genérico da palavra. Não é o somente quem corta a cabeça, mas são os que condenam à morte, que mantém o regime, os que sustentam o terror. Assim os senhores devem entender aqui a palavra “carrasco”. 

...como os astecas o foram por seus conquistadores espanhóis, e que reconhecem implicitamente aos revolucionários uma legitimidade da qual eles mesmos estariam desprovidos”. 

A observação é muito procedente. Um homem que estivesse penetrado da legitimidade dos princípios em nome dos quais ele é declarado como condenado, esse homem agiria como esses nobres procederam. Imaginem um criminoso que tivesse sido condenado por uma ação péssima, e que morre achando que é justo que morra. Morreria como tais nobres... Deixar-se-ia prender sem resistência, levar tranqüilamente ao cadafalso e aí morreria. Eles morrem, portanto, como se a autoridade que os condena fosse legítima e como se o crime em nome do qual são condenados lhes fosse imputável. 

Eles parecem crer que sua existência tornou-se ilegal, mais ainda que anacrônica e que a guilhotina seja a única maneira de pôr fim a esta infração”

Realmente o modo deles morrerem é esse: “Somos anacrônicos em vista do grande princípio da igualdade geral de todos os homens; nós, nobres, somos uns violadores, somos uns contraventores, uns infratores desse princípio. Então é natural que morramos. Não há outra coisa para se alegar, então vamos morrer...” É isso que parece estar no subconsciente deles. 

Esses homens cultos, cépticos, esclarecidos por todas as luzes dos séculos, crêem ainda nas palavras”. 

O que vem abaixo é uma observação muito fina e muito interessante! 

Os discursos dos jacobinos, suas proclamações e suas proibições lhes impressionam muito mais, dir-se-ia, que suas lanças e seus sabres”. 

Não é tanto porque o jacobino está armado que eles se entregam, mas dir-se-ia que é porque a discurseira jacobina os impressiona. Ou seja, os princípios jacobinos da igualdade, da liberdade, da fraternidade, como os jacobinos explanavam, exercem uma força hipnótica que neles imobiliza até o mais fundamental dos instintos humanos que é o de conservação. 

Eles se dobram diante da palavra do inimigo, fascinados que estão pelo tom de autoridade do adversário”. 

Lembrem-se um pouco da Marseillese... 

Os que se revoltam são almas simples, camponeses bretões, vandeanos ou normandos, artesãos lioneses reduzidos ao desemprego, padres da roça, pequenos comerciantes arruinados pelas leis econômicas”. 

Ou seja, os que estão de fora da cultura do tempo, estes não estão fascinados. Se quisermos fazer um péssimo jogo de palavras, eles estão vacinados. Mas, pelo contrário, os que tem uma cultura camponesa, simples, tem bom senso natural, esses resistem! 

Esta fração da sociedade francesa, a mais brilhante e a menos sólida, não tem mais fé nela mesma. Os jacobinos excitam sua náusea, mas também seu respeito”. 

E aqui a frase toma um brilho francês... 

Ela se inclina sem reclamar diante de suas ordens e decisões, ela que, ontem ainda, reagia tão violentamente diante das ordens do rei”. 

Tinha havido, antes da Revolução, uma encrenca de primeira ordem da nobreza com o rei. Contra o rei eles tinham “topete”. Aparecem os jacobinos, que esses nobres desprezavam, eles se impressionam. O rei, que eles veneravam, eles transgridem...

Essa matéria está muito bem redigida e as contradições estão postas muito bem, desde que seja lido devagar. Mas a meu ver é um texto primoroso! 

Ela não luta mais com armas iguais, porque não fala a mesma língua que os seus adversários”. 

Como essa nobreza não sabe responder como os adversários respondem, há uma linguagem nova, uma dialética nova, um mundo novo diante do qual estão envelhecidos: eles se entregam. É um artigo muito denso em que cada frase tem que ser comentada, em que cada palavra tem um sentido, uma razão de ser. 

O que mais chama a atenção será ver esta atitude de uma parte da nobreza e do alto clero francês, adotada pela maior parte das nações européias. Nos países vizinhos da França se julgará os revolucionários não segundo seus atos, mas de acordo com suas palavras”.  

Realmente, no grosso da nobreza e do clero revolucionário nota-se isso: uma submissão e uma entrega que é incrível. Os senhores podem perguntar: “E aquelas guerras de coalizão?” Eu respondo: eles foram muito moles e muito sem alma. E a atitude dos países que receberam os imigrantes, com exceção da Inglaterra, foi uma atitude indecente. Porque não pagou algumas dívidas de hospedagem, o irmão de Luís XVI, futuro Carlos X, foi colocado na cadeia sem que o Príncipe do lugar mandasse oferecer dinheiro para tirá-lo... Por  aí se compreende o que era a atitude dessa gente.

 

Execução de Luís XVI

O que importa que os revolucionários pilhem, que incendeiem, que queimem ou matem, uma vez que prometem a paz, a liberdade e a felicidade...” 

Aqui não posso deixar de chamar a atenção dos senhores para a  analogia com a situação comunista. O mundo inteiro sabe que o comunismo reduz os povos à miséria. Está provado. Mas “os comunistas que vão remediar a situação dos pobres!...” E apesar de todo mundo saber que não remedeiam, essa mentira deles produz um certo efeito hipnótico por onde as pessoas que combatem o comunismo tem, às vezes, uma sensação de que estão combatendo os pobres. E as pessoas que favorecem o comunismo tem o desembaraço e a segurança de quem, de fato, está tomando o partido dos pobres. A realidade é clara.

O palavrório comunista de proteção aos pobres convence os ricos de que o comunismo protege os pobres, embora os ricos saibam que não protege... É a mesma situação que se repete da 2ª para a 3ª Revolução. E sem a qual não poderemos compreender a 3ª Revolução, em cujo apogeu – sob certo ponto de vista – estamos entrando. 

Um pouco por toda a parte as elites se mostrarão sensíveis a esta eloquência democrática e se deixarão embair. Ministros de Viena ou de Berlim, patrícios de Genebra ou burgueses de Amsterdã, vão se esforçar por respeitar a qualquer preço um bom direito que os jacobinos invocam sempre sem jamais o observar eles mesmos”. 

O “bom direito” que os jacobinos alegam, mas transgridem, quando há ataques de jacobinos nesses lugares, os atacados vão respeitar, porque os  jacobinos estão proclamando. 

Se as tropas maltrapilhas da república francesa vêem tantos países as acolherem como  libertadores é que a propaganda revolucionária conquistou os espíritos e subjugou os corações, desarmando assim os braços”. 

A frase está muito feliz! A vitória militar não é uma verdadeira vitória. Esta consiste na vitória da guerra revolucionária psicológica, na conquista das inteligências e das vontades que desarmam os braços. É uma frase muito importante. 

A jovem República obteve, quase sem combater, uma vitória intelectual ao substituir pela sua própria moral a que antes regia a Europa monárquica. Ela (a jovem República) criou uma nova legalidade e declarou fora da lei todos os que não queiram se submeter, dos soberanos estrangeiros aos mais miseráveis dos emigrados refugiados nos territórios destes”. 

Todos são declarados fora da lei e se impressionam. O problema está aí. Se impressionam e se deixam arrastar.

Vamos analisar um pouco este estado de espírito como ele se põe. Não é que se possa dizer que esses nobres ou esses burgueses, ou esses clérigos, estivessem integralmente convencidos sem nenhuma dúvida de que a Revolução Francesa tinha razão. Eles são homens que morrem convencidos de que não tem razão, mas com um certo fundo de dúvida: "Será que, verdadeiramente, todos os homens não são iguais?". É um fundo de dúvida acompanhado de uma certa apetência dessa igualdade, um certo gostinho por essa igualdade. Não é uma certeza, mas uma dúvida que fica pairando no fundo.

Essa dúvida exerce no espírito deles uma influência como exerceria a mais possante das certezas. Por exemplo os mártires no Coliseu procediam movidos pela fé, como esses nobres ou burgueses ou clérigos procedem movidos por essa dúvida. E aqui está o mais flagrante da contradição. Um homem que expõe a sua vida por sua convicção é nobre, desde que a convicção seja nobre. Mas um homem que vai morrer como um mártir antigo, por uma coisa sobre a qual ele tem uma genérica dúvida, há aqui um singular jogo de espírito...

Analisando esses nobres: muito deles participaram da Assembléia Constituinte Francesa, votaram a favor da monarquia e da nobreza. Quase todos eles, à medida que a sociedade foi se tornando revolucionária, foram sendo expulsos dos cargos que tinham porque não estavam de acordo com a Revolução. As memórias escritas naquele tempo não deixam a menor dúvida a esse respeito: nas conversas particulares, nas suas atitudes normais, eles se manifestam contrários à Revolução.

No espírito deles há um choque de duas posições intelectuais: uma tradicional, que é a favor da monarquia, da aristocracia, da Igreja, da hierarquia; e outra, que é uma convicção nova, é uma pitada, um fundinho de dúvida no espírito deles: “Será que, de fato, os homens não devem ser todos iguais?” É um fundinho de dúvida. Na hora de morrer, eles se sacrificam por esse fundinho de dúvida como se fosse uma grande certeza...

Esse fundinho de certeza revolucionária tem um poder de hipnotizar e de paralisar que a convicção estável, normal, que marca a vida inteira do indivíduo, não tem.

O que é esse fundinho e como se explica isso? Está escrito na R-CR que o indivíduo que está com a alma assim é semi contra-revolucionário, e semi contra-revolucionário é um revolucionário. Mas mesmo assim a abnegação dele não se explica só por isso. A convicção não é suficiente para determinar assim a atitude deles.

Esse fundinho igualitário corresponde a uma espécie de sonho dourado, ou de mito ou utopia no qual eles se comprazem em imaginar uma coisa que não existe, mas que é delicioso imaginar, que é um mundo onde a própria imagem do sofrimento tenha desaparecido, a própria imagem da dor tenha desaparecido. Eles querem eliminar as desigualdades como querem eliminar as doenças, como eliminariam as elites se  pudessem, porque querem um mundo sem dor.

Eles querem eliminar a sua própria superioridade para ver se chegam a realizar a utopia de um mundo sem sofrimento, de um céu na terra. E eles vão atrás desse mito do céu na terra como um católico vai atrás da certeza do Céu no Céu. É uma coisa desse gênero...

Assim quando alguém que os ataca é portador dessa utopia, desse mito – e aí os senhores vêem o papel do mito na alma –, eles simpatizam e amam o punhal que os mata, porque esse punhal é em nome de um mito que substitui neles a religião. É uma verdadeira religião atéia, uma religião não religiosa da qual eles são os “mártires” sem a dignidade e a nobreza do martírio verdadeiro, que é o dos mártires católicos.

Qual é o fator que há dentro disso? É uma utopia, um mito que substitui a religião e que leva o indivíduo a posições para-religiosas em favor de algo que não é religioso.

Então, os senhores compreenderão outra coisa: os budistas não tem propriamente uma religião mas uma filosofia, que é a filosofia do vácuo e do nirvana. Como é que um bonzo budista toca fogo nas roupas? Um mito e ele, através desse mito, se imola dessa maneira.

A palavra “mito” não está sendo empregada aqui no sentido da mitologia grega e romana: Zeus, Aquiles etc.; é um estado de coisas, uma metafísica, uma utopia, uma situação pessoal imaginária em favor da qual o indivíduo sacrifica tudo. Esse é o mito. Isso é que eles tem em vista.

A tal propósito, há um outro elemento curioso: quando essa utopia, esse mito entra na cabeça do indivíduo, tira-lhe o senso do próprio ser. Ele perde a noção de quem ele é. Esse mito o intoxica e o faz quase evaporar. Daí a morte do instinto de conservação. Ele perde o instinto de conservação porque o mito o picou...

É algo semelhante à ação do tóxico sobre o toxicômano. O indivíduo intoxicado quer cada vez mais a droga, embora saiba que vai morrer por causa disso. Ele perde o instinto de conservação para viver na utopia daquelas drogas. Há mitos que são à maneira de drogas e drogas preternaturais, em relação às quais a pessoa se sacrifica inteiramente.

 

 

Godofredo de Bouillon, exemplo do nobre medieval

 

Então, devemos pedir a Nossa Senhora que conceda a todos uma mentalidade tão sadia, tão religiosa no melhor sentido da palavra, tão enérgica, tão sobrenatural, que pela simples presença abale esse mito e o quebre.  E sobretudo evitando, mais do que o mito, a falta de coragem de pensar e atuar inteiramente discrepando dos “mitômanos”. Essa é a questão.

 


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