Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

7 Dias em Revista

 

 

 

 

 

 

Legionário, N.º 761, 9 de março de 1947

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Nada pior do que o colaboracionismo, desde que por este se entenda a inércia ou até a cumplicidade covarde de uma pessoa, um país ou uma instituição, com um inimigo que lhe é oposto fundamental e irremediavelmente. Colaborações deste gênero podem adiar as catástrofes, mas, ao mesmo tempo, comprometem irremediavelmente todas as possibilidades de salvação. Diante de um inimigo fatal, que nos quer matar, que para isto não mede esforços nem sacrifícios, que deseja realizar seu programa tão depressa quanto possível, e que tem tais razões para querer matar-nos que não podemos de modo nenhum esperar que ele mude de desígnio, a única atitude possível para nós é a da luta. Se ele espera um pouco, não durmamos, porque ele está somente afiando a faca. E não esperemos que os sorrisos que lhe tenhamos prodigalizado neste tempo de espera concorram de qualquer forma para tornar o golpe menos certeiro ou menos profundo.

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É o que a Inglaterra deveria pensar a respeito da URSS. É o que pensa Churchill, e foi mais ou menos este o substractum de seu recente discurso na Câmara dos Comuns, a propósito da política colonial do governo trabalhista. Os homens colaboracionistas como Chamberlain levaram a Inglaterra às portas da ruína. Os homens intransigentes como Churchill salvaram-na do abismo cavado em seu caminho pela covardia colaboracionista.

O Sr. Attlee e o trabalhismo britânico seguiram o rumo colaboracionista. É o veso de todas as "esquerdas". Na aparência, lutam contra o comunismo. Mas esta luta é principalmente espalhafato. No fundo, tomam sistematicamente, quando se tratam de grandes temas essenciais, as medidas de que melhor possam servir ao comunismo. É tão impossível uma esquerda seriamente anticomunista, quanto é impossível um demônio que deseje seriamente o fracasso dos planos de Satanás. Não há, neste sentido, demônios "anti-luciferinos". E, no mesmo sentido, não há esquerdistas anticomunistas.

Em várias ocasiões, os trabalhistas têm feito frente à URSS no terreno internacional. Ai deles se  não tivessem agido assim: o gabinete britânico teria caído, e seria sucedido por um gabinete conservador que iria mais longe. Assim, pois, o trabalhismo preferiu executar a tarefa a perder o lugar. Mas ao mesmo tempo, desagrega o Império, entrega a Ásia e quiçá a África à sanha comunista, distancia-se dos Estados Unidos para adotar uma posição intermediária ridícula e impossível e na Inglaterra, por meio das leis de socialização, açula a luta de classes e prepara o socialismo integral.

Se homens destes são amigos da ordem cristã, será o caso de dizer a respeito deles o que dizia Voltaire: "meu Deus, livrai-me de meus amigos, que eu mesmo me livrarei de meus inimigos!"

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Em linhas gerais, gostamos do discurso de Truman em Waco. É possível que a posição doutrinária anti-socialista por ele assumida se inspire mais em razões financeiras do que doutrinárias. Mas pelo menos teve a coragem de reivindicar para a iniciativa individual o lugar que lhe cabe à luz do sol, e mostrar que há campos em que a economia dirigida é fundamentalmente incompetente.

A política e a sociologia tem modas, e são tão intransigentes contra os costumes démodés [fora de moda] quanto as senhoras. A iniciativa individual está fora de moda. É preciso coragem - uma nobre e autentica coragem - para mostrar os méritos perenes e insubstituíveis que ela tem na ordem humana.

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Causa-nos satisfação que a Suprema Corte dos Estados Unidos tenha condenado ao pagamento de considerável multa o leader socialista John Lewis, por motivo de sua ação sindicalista subversiva. Temos, no Brasil certos democratas radicais - cuja ação é tão profícua para URSS - que sentem calafrios e estremecimentos sempre que se cogita de cercear as atividades subversivas entre nós. Imediatamente, salta-lhes nos lábios a afirmação de que se extinguirá assim a Democracia. Entretanto, esses Srs. hão de convir em que a Suprema Corte dos Estados Unidos não é menos democrática do que eles.

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Outra grande e autêntica democracia é o Canadá. Contudo, na Província de Quebec, vai ser posta em execução uma lei que autoriza quaisquer buscas e diligências nas sedes dos partidos comunistas. A polícia federal, a municipal, e a polícia montada estão em preparativos para iniciar quanto antes a aplicação de tal lei.

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Quando dizemos que já vivemos em pleno paganismo, os colaboracionistas que gostam de adorar a um tempo Cristo e Mamon protestam.

Entretanto, os fatos saltam aos olhos. Como qualificar, senão de puro paganismo a greve que os enfermeiros do manicômio do Juqueri promoveram, e que teve como efeito que vários doentes mentais ficaram soltos e expostos a todos os desatinos e riscos, na rua vizinha daquela casa de saúde?

Nota: Os negritos são deste site.


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