Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

7 Dias em Revista

 

 

 

 

 

Legionário, 14 de janeiro de 1945

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O noticiário internacional desta semana tornou evidente que as Nações Unidas consideram muito provável o prolongamento da guerra até os últimos dias de 1945. A notícia é lamentável sob muitos aspectos. O primeiro que acode é, evidentemente, o quadro de dores das batalhas sangrentas que se desfecham na cercanias do Reno, dos Apeninos e do Danúbio. São aos milhares, jovens que morrem ou ficam mutilados, famílias que imergem e soçobram num desespero ímpio e sem remédio, cidades destruídas, tesouros que se dispersam, monumentos insubstituíveis que desaparecem. São almas atiradas a centenas de milhares no cadinho da dor, sem a preparação prévia, de sorte que a provação significa para elas, não raro, a perdição. E, ao par deste quadro triste, vem o quadro mais restrito porém, e tão e tão mais luminoso, das almas que aceitam a Cruz, que se purificam no sofrimento, que crescem com a adversidade e se glorificam na humilhação, na miséria, na ruína. Nós que ficamos, nós a quem Deus não impôs o fardo que pesa sobre os povos da Europa e da Ásia, devemos ser os Cirineus de nossos irmãos que sofrem. Pelos recursos materiais, devemos aliviar suas misérias físicas. Pela oração, pela penitência, devemos ajudá-los a se santificar na dor.

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A esmola material é excelente. Mas é absolutamente insuficiente. O homem não vive só de pão, diz o Evangelho. E poderíamos acrescentar que o pão do corpo lhe é muito menos necessário para viver do que o pão do espírito, isto é, o bom conselho, o bom exemplo, a oração e a expiação. E, já que não podemos enviar a nossos irmãos que sofrem nem conselhos, nem exemplos, pelos menos rezemos por eles.

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"Pelo menos", escrevemos. Estranha linguagem para um católico! De todos os meios a nosso alcance, nenhum é tão eficaz quando a oração. Se soubéssemos verdadeiramente rezar, se tivéssemos a confiança e a humildade que tornam grata a Deus a oração do homem, seríamos onipotentes. A oração confiante e perseverante do justo, tudo alcança. E a História da Igreja é sobretudo a narração dos triunfos que Ela alcançou pela oração dos fiéis.

Deus nos livre qualquer forma de inércia. Isto não quer dizer que não devemos agir. Pelo contrário, nossa obrigação é de nos esforçarmos como se tudo dependesse só de nós. Mas, mais importante do que isto, é rezarmos e confiarmos sabendo que tudo depende de Deus.

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E nem mesmo basta apenas a oração. Precisamos penitência, e a penitência cristã é como um vasto tesouro, para cuja formação todos devem contribuir. Com efeito, Nosso Senhor não quer apenas as penitências valiosíssimas das almas contemplativas e expiatórias, recolhidas ao silêncio e à clausura perpétua das Trapas, dos Carmelos ou das Cartuxas. Nosso Senhor nem sequer Se contentou com os méritos infinitamente preciosos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele quis que contribuíssemos com nossas expiações pessoais, com nossas penitências individuais, sofridas em união com Cristo, para enriquecer o tesouro da Santa Igreja. Não nos basta agir e rezar. Precisamos sofrer. Sofrer de bom grado as provações que Nosso Senhor manda ou permite. E procurar generosa e voluntariamente outros sofrimentos, para os oferecer a Deus.

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O mistério dessa expiação é magnífico e insondável. O escárnio que o Congregado Mariano afronta varonilmente para afirmar a castidade de sua vida, pode ser utilizado por Nosso Senhor para a salvação de inúmeras almas na China ou no Luxemburgo. O sacrifício que a Jocista, a lecista, a Filha de Maria faz, vestindo-se com recato cristão quando suas amigas ou companheiras de trabalho só reconhecem como elegante a jovem que use trajes pagãos, pode fazer recuar em Budapeste os exércitos russos, ou salvar em plena Berlim algumas almas que periclitam à vista da propaganda neo-pagã. Uma dama de caridade, um vicentino, abandona um instante de lazer para levar a um pobre da Barra Funda ou do Belenzinho um remédio: seu sacrifício está sendo utilizado por Nosso Senhor para poupar a alguma esposa extremosa a perda de seu marido, ou para suavizar com mais abundante consolação a dor de algum coração materno golpeado pelo luto. O bem que fazemos e vemos é grande, graças a Deus. Maior, porém, e mais meritório, é o bem que fazemos e não vemos.

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É preciso que tudo isto se lembre e se afirme; que se lembre e se afirme nesta seção dos "7 Dias em Revista", consagrada em dias normais, à análise das notícias principais ocorridas durante a semana. Hoje, todas essas notícias se resumem a uma, a guerra continua e a Rússia avança. Rezar, sofrer, lutar é o único comentário que a essa única notícia pode fazer nossa seção.

Que Deus apresse o esmagamento do nazismo, reduza em seguida a pó o comunismo, coroe de vitórias nossas armas e exalte a sua Igreja Santa, Católica, Romana. Nisto se resumem todas as aspirações de nosso coração.

Nota: Os negritos são deste site.


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