Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Santa Cunegundes
 
3 de março

 

 

 

 

 

Legionário, 26 de fevereiro de 1939, N. 337, pag. 5

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Santa Cunegundes, com cerca de 20 anos, esposou o Duque de Baviera, o qual em 1002 foi coroado Rei da Alemanha e em 1014 Imperador

Pelos fins do século décimo, nascia Cunegundes, condessa de Luxemburgo. Seu pai, o conde Sigefredo, e sua mãe, a condessa Hedwiges, soberanos de Luxemburgo, favorecidos pela fortuna, muito se esmeraram na educação dessa princesa, cuja beleza e inteligência cresciam com a idade.

Desde a sua infância, o traço característico de seu caráter foi uma constante inclinação às coisas santas. O desejo de servir a Deus e a Maria Santíssima em perfeita castidade, brotou espontâneo de seu coração. Deus satisfez milagrosamente esse seu santo desejo. Não podendo se furtar aos deveres de seu nascimento, aceitou como esposo a Henrique, Imperador da Alemanha, e com o seu esposo recebeu a coroa imperial das próprias mãos do Papa Benedito VIII, em Roma. Piedoso e de grandes virtudes, Henrique estimava a castidade tanto quanto a sua esposa, e no próprio dia do casamento fizeram de comum acordo o voto de castidade, afastando assim as consequências, para eles desastrosas, desse casamento político.

Viviam eles na maior alegria, trabalhando imensamente pela maior glória de Deus e pela felicidade de seus súditos.

Tão grande virtude, em tamanha altura, não podia deixar indiferente o inimigo de todo o bem. Por toda a corte imperial começou a murmurar-se que a Imperatriz facilmente se consolava das virtudes de seu esposo. No início sofreu Cunegundes com paciência a calúnia levantada contra a sua honra, e procurava sofrear a revolta de todo o seu ser contra tanta maldade.

Mas quando não soube mais duvidar da insistência desses boatos, e portanto das consequências desastrosas que eles podiam acarretar, quando viu que até o próprio esposo já manifestara a sua apreensão, a Imperatriz fez uma declaração pública, desfazendo claramente as calúnias de seus detratores. E, em confirmação de suas palavras, andou descalça sobre umas grelhas em brasa, recorrendo ao testemunho do próprio Deus.

Ninguém mais, à vista desse milagre, pôde duvidar de sua santidade e o próprio Imperador, prostrando-se a seus pés, pediu-lhe perdão pelos seus juízos temerários.

Um ano depois da morte do Imperador, Cunegundes apresentou-se com toda a pompa imperial na igreja de um convento de sua fundação para assistir à sua solene sagração.

Estavam presentes o clero e toda a corte. Logo depois da sagração, Cunegundes ofereceu à igreja uma partícula do Santo lenho. Logo após ao Evangelho da Missa, que então se rezou, ela despiu todos os ornamentos imperiais e revestindo-se de um hábito tecido pelas suas próprias mãos, ordenou que lhe cortassem os cabelos, e depois, coberta com um véu, foi por um prelado entregue à comunidade. Desde esse dia, ela viveu constantemente sujeita à regra e à santa obediência, e dando a todas às irmãs exemplos das maiores virtudes.

Percebendo nos seus últimos momentos que as irmãs traziam vestes preciosíssimas para a exposição do corpo daquela que fora Imperatriz da Alemanha, pediu, porque não podia mandar, que a deixassem com o hábito da Ordem e a enterrassem simplesmente ao lado de seu virtuoso esposo e senhor.

Conta a tradição, que por ocasião de ser aberta a sepultura, ouviu-se uma voz dizer: “O Virgo virgini, locum tribue!” (Virgem, dê lugar à virgem). E o sarcófago de Henrique espontaneamente se movera para ceder lugar ao de sua esposa.

O túmulo desses Príncipes foi glorificado por inúmeros milagres, e Cunegundes foi, em 1200, santificada pelo Papa Inocêncio III.

Como a vida desses antigos Imperadores deve ser hoje por nós meditada, hoje em que os rapazes não são católicos por causa da castidade e em que a pureza afasta tantos da religião! Os que tem a graça inestimável de serem católicos, isto é, de crerem e praticarem integralmente a doutrina cristã, esmerem-se nessa virtude angélica, porque ela é hoje a verdadeira pedra de toque dos servos do Senhor.


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