Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Nossa Senhora Auxiliadora

24 de maio

 

 

 

 

 

 

Legionário, 21 de maio de 1939, N. 349, pag. 5

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Nossa Senhora Auxiliadora, na homônima igreja em Turim

A festa de Nossa Senhora Auxiliadora foi instituída por Pio VII pelo Decreto de 16 de setembro de 1816. Essa instituição é a última e das mais afetuosas confirmações da profecia da própria Mãe de Deus: “E todas as gerações chamar-me-ão bem-aventurada”.

O fim da Igreja, instituindo esta festa, foi principalmente: 1) comemorar um acontecimento dos mais notáveis da história do catolicismo, em que Maria de um modo patente mostrou o seu poder; 2) aumentar nos fiéis a confiança em Maria Santíssima.

O acontecimento foi o seguinte: Napoleão, que só respeitava leis e tradições quando lhe convinha, detestava o Papa Pio VII por se ter ele negado a declarar inválido o matrimonio de Jeronimo Bonaparte, legitimamente casado com uma protestante, filha de uns negociantes da América do Norte.

Sem se dar ao trabalho de procurar um pretexto plausível, mandou o general Miollis ocupar Roma em seu nome, declarando: “Sendo eu imperador de Roma, exijo a restituição do Estado eclesiástico, doação de Carlos Magno. Declaro findo o Império dos Papas”. Pio VII protestou contra esta arbitrariedade inaudita, e na noite de 10 para 11 de junho de 1809, aparecia fixada na porta da basílica de São Pedro a bula de excomunhão contra o usurpador do trono de França.

Nessa mesma noite, às 2 horas da madrugada, o general Radet forçou o palácio do Quirinal, onde encontrou o Sumo Pontífice, com todos os seus ornatos pontificais, sentado num dos imensos salões do palácio abandonado, tendo a seus pés o Cardeal Pacca.

O general Radet, sentindo-se criminoso, apesar de lá ter ido para prender o Santo Padre, disse com voz trêmula: “Cabe-me a execução de uma ordem desagradabilíssima: tendo, porém, prestado juramento de fidelidade e obediência ao meu imperador, devo cumpri-la: em nome do imperador declaro-vos que deveis renunciar ao governo civil de Roma e aos Estados eclesiásticos e se a isso vos negardes, levar-vos-ei ao general Miollis”.

Pio VII respondeu com voz firme e tranquila: “Julgais ser do vosso dever executar as ordens do imperador, a quem juraste fidelidade e obediência. Deveis compreender de que modo somos obrigados a respeitar os direitos da Santa Sé, nós, que a eles nos ligamos por tantos juramentos. Não podemos renunciar ao que não nos pertence; o poder temporal pertence à Igreja Católica e nós somos apenas seu administrador. O imperador pode nos esquartejar, mas do que ele nos pede nada lhe daremos”.

Radet conduziu o Sumo Pontífice e o Cardeal Pacca a uma carruagem. O calvário do Augusto Ancião, havia pouco começado com a invasão de Roma, estava ainda no seu início. Todas as pessoas que rodeavam o Sumo Pontífice, e mereciam a sua confiança, tinham sido afastadas, para que o isolamento aumentasse ainda as suas angústias. O Breviário lhe foi proibido.

O Velho Representante de Cristo na terra não foi conduzido ao general Miollis, mas à sua prisão rodante tomou a estrada de França. Assim que a notícia da passagem do Sumo Pontífice se espalhava, as populações acorriam a se lançar aos pés de Sua Santidade, e Pio VII, pela janela de sua carruagem, abençoava os fiéis.

A alimentação, porém, dos prisioneiros, como os denominaram os maçons de França, era tão minguada, que Sua Santidade, debilitado, caiu gravemente enfermo.

Foi durante suas tribulações, estando Pio VII moribundo em Savone, e os inimigos da Igreja a falar no último dos Papas, que o voto de se coroar solenemente a Nossa Senhora foi feito por Pio VII.

Em 1812 foi o Papa transportado a Paris, onde sofreu os maiores vexames. Inesperadamente, porém, as coisas mudaram. Napoleão perdeu a batalha de Leipzig, e teve pouco tempo depois de assinar a sua abdicação no mesmo castelo em que matinha preso o Sumo Pontífice.

Retorno de Pio VII a Roma, 24 de maio de 1814

Pio VII voltou imediatamente a Savone, onde, em presença de SS. MM. a rainha da Etrúria e o rei da Sardenha, e de um número enorme de Cardeais, corou a imagem da Mãe de Misericórdia fazendo logo em seguida a sua solene entrada em Roma, entusiasticamente aclamado pela multidão.

Enquanto o Papa voltava ao pleno gozo de seus direitos, Napoleão esperava em Santa Helena a hora de prestar contas Àquele que não se apressa em toma-las.

Pio VII atribuiu a vitória da Igreja sobre as forças da Revolução, à poderosa intercessão de Maria Santíssima. E aos católicos, hoje tão perseguidos em tantos países, é prudente lembrar que se ainda há perseguidores vulgares como Napoleão, a Mãe de Deus também continua a ser a mesma dispensadora de graças.


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