Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Santa Ágata (ou Águeda)

 

 

 

 

 

Legionário, 4 de fevereiro de 1940, N. 386, pag. 4

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Iluminura do martírio de Santa Ágata (ca. 235-251) no Códex Bodmer 127 de ca. 1170/1200. Atualmente, sua festa é celebrada a 5 de fevereiro

Santa Ágata, grande heroína da Igreja primitiva, tem o seu nome incluído na lista dos grandes santos todos os dias invocados no Cânon da Santa Missa.

Pertenceu a uma das mais nobres famílias da Sicília. Sendo a mais rica herdeira do país, as atenções do governador Quinciano para ela se voltaram, e este, suspeitando ser ela católica, mandou-lhe ordem de prisão.

Ágata logo percebeu o que Deus dela exigira. Orou portanto: “Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, Vós vedes o meu coração e lhe conheceis o desejo. Tomai posse de mim e de tudo o que me pertence. Vós sois o Pastor, meu Deus; eu sou Vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demônio”.

O governador, que só a conhecia de nome, ficou impressionado pela sua beleza, estranhando ainda mais que uma pessoa tão extraordinariamente dotada vivesse afastada de toda e qualquer preocupação mundana.

Não podendo calcular até onde ia o pudor dessa jovem, e tomado de uma violenta paixão, Quinciano foi levado a fazer-lhe propostas indecorosas, que Ágata rejeitou violentamente, declarando que em nenhuma hipótese ele dela se aproximaria.

Desconhecendo ainda a resistência dos que se alimentam dos Sacramentos, fingiu desistir de seus planos, mas impôs como condição ser a donzela entregue a Afrodisia, mulher de péssima fama, para que esta a corrompesse. Mas como Afrodisia nada conseguisse num mês de inúteis tentativas, pediu por fim a Quinciano que lhe tirasse de casa criatura tão embaraçosa.

Começou então o martírio da nobre siciliana. Tendo-a Quinciano citado perante seu tribunal, disse-lhe: “Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do catolicismo, pertencendo a nobre família?” A esse escravo dos vícios Ágata respondeu: “A servidão de Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis”. A estas palavras respondeu o elegante romano com bofetadas no rosto da jovem patrícia. Sob ameaça de coisas piores, foi jogada numa enxovia.

No dia seguinte o tirano ordenou que a donzela fosse estendida sobre a catasta, seus membros desconjuntados e o corpo todo queimado com chapas de cobre em brasa, os seus seios perfurados com torqueses de ferro e depois cortados.

Como não morresse apesar de todas as mutilações, foi de novo levada ao cárcere, tendo o carcereiro ordem expressa de impedir que ela recebesse qualquer lenitivo.

Durante a noite, o Apóstolo São Pedro apareceu-lhe em sonho, elogiou-a pela sua corajosa atitude, e curou-a em Nome de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ágata, acordando absolutamente curada, e com todos os seus órgãos intactos, entoou a Deus cânticos de ação de graça. Ouvindo-a cantar, os guardas aproximaram-se curiosos, e fugiram apavorados por não encontrar um corpo ignominiosamente mutilado. As companheiras de Ágata aconselharam-lhe a fuga. Ela entretanto não quis abrir mão da palma do martírio.

Quatro dias depois, foi de novo conduzida à presença de seu iníquo juiz, que não poude esconder a sua admiração à vista do que via. Mas em lugar de se deixar vencer pela evidência, irritou-se e, escumando de ódio, mandou que ela fosse imediatamente despida e revolvida sobre cacos de vidro e atirada depois sobre brasas.

Enquanto a jovem se submetia a essa prova humilhante e dolorosa, a terra tremeu, e um muro enorme desabou sobre os amigos do tirano que assistiam ao tormento, soterrando-os. O próprio povo se revoltou, à vista de tantos milagres, contra a brutalidade do juiz. Ágata, de novo no cárcere, pediu a Deus que a levasse para a Sua Glória. Ouviu-a Deus, e o que não poude o ferro em brasa, poude a oração daquela que sem morrer passou por dois martírios.


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