Plinio Corrêa de Oliveira

 

Comentando...

Proíba-se o espiritismo

 

 

 

 

 

 

 

 

Legionário, 31 de março de 1940, N. 394, pag. 2

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Realizava-se em Belo Horizonte uma sessão espírita. Em dado momento, o “medium” se propôs transformar em vinho a água, que estava num copo, à sua frente. Dito e feito, com grande pasmo para os presentes, o copo apareceu cheio de vinho, após rápidos passes. Havia, porém, entre os circunstantes, um “mau espírito”, que, não se dando por achado, protestou contra o sucedido e, interrompendo a sessão, procedeu a rigorosa pesquisa, em torno do copo de vinho. E, daí, resultou a descoberta da força “astral”, responsável pela maravilhosa transmutação: uma bolsa cheia de vinho, habilmente dissimulada sobre o abdômen do “medium”, e que despejava no copo por meio de pequenos canais. Muito provavelmente este “medium” contava já com uma porção de prosélitos entusiastas, que aceitavam a sua doutrinação por mais idiota que fosse, bem como seriam capazes de fazer o que lhes mandasse.

Da mesma forma, aquele maluco de Guareí, que só proferia bobagens e tinha convulsões epilépticas, conseguiu arregimentar em seu centro espírita toda uma turba de fanáticos, que enfrentou resolutamente a Polícia, pronta a morrer pelo seu chefe, o que foi causa dos mais lamentáveis episódios já de todos conhecido. Falou-se até de um sacrifício humano, a ser consumado por ato de antropofagia. Posteriormente, desmentiu-se esta versão. É até digna de nota a solicitude com que se procurou desagravar a honra do “santo” de Guareí, acusado de querer promover aquele sacrifício, de tal modo que o homem parece a mais inocente das criaturas...

O que, entretanto, é absolutamente positivo é que se estava formando em nosso interior um reduto de perigoso fanatismo, oriundo daquele centro espírita, e que poderia, para o futuro, vir a constituir uma grave ameaça para as populações daquela região do Estado. É preciso ter em vista que as nossas populações rurais, embora sejam o sustentáculo do país, vivem, por via de regra, numa condição verdadeiramente abjeta, mercê de uma defeituosa organização social, que outorga os benefícios da civilização apenas aos grandes centros litorâneos. Estas populações vivem na mais extrema penúria, privadas de qualquer conforto, corroídas por toda espécie de endemias, na mais absoluta indigência mental, em que se embotam os dons da inteligência, e, o que é pior, num ambiente de sensualidade morna e grosseira. Há nesta pobre gente um desejo adormecido de libertação, uma espera inconsciente de um libertador, um homem ou um milagre. Esta mentalidade, aliás, se reflete até nas mais altas camadas de nossas capitais, onde sempre se espera por algum acontecimento imprevisto, a descoberta do petróleo por exemplo, que venha “endireitar” uma vez por todas o país.

Ora, esta atmosfera espiritual se presta às explorações de todos os energúmenos. Portanto, enquanto não se faz algo de positivo em prol de nossas populações do interior, cumpre livrá-las desses perigos. A primeira providência seria a proibição do espiritismo, conforme a sugestão apresentada, lá vai já bastante tempo, pela Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro, e cujo destino é hoje um mistério insondável...


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