Plinio Corrêa de Oliveira

 

Comentando...
 
Construtivos ou edificantes

 

 

 

 

 

 

 

 

Legionário, 18 de maio de 1941, N. 453, pag. 2

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Há certos slogans que se propagam rapidamente, como uma epidemia que se alastra em populações predispostas. Acabam por entrar na linguagem corrente, e são repetidos inconscientemente por quase todos. Nesta classe se encontram as expressões “atividade construtiva”, “esforço construtivo”, e outras, em que se acha a palavra “construtivo”. A três por dois aparecem estas expressões nas conversas ou nas leituras.

Que ironia! É nestes nossos tempos em que as sociedades, mais do que nunca dessoradas, estéreis, se agitam febrilmente na ilusão de uma atividade fecunda, sem produzirem nada de profundo e definitivo; é nestes nossos tempos em que estas sociedades catequéticas, possuídas de delírio, se lançam umas contra as outras, despedaçando-se, de modo que nunca se viu tanta destruição sobre a face da terra; é justamente agora que se tornou moda o “construtivismo”. Se não fosse doloroso, seria ridículo!

Porém, confere. O “construtivismo” é a forma protestante e rotariana da “edificação” cristãmente católica. Em épocas em que a Fé era mais viva, os homens não queriam ser “construtivos”, porque desejavam ser “edificantes”, segundo o verdadeiro espírito de Caridade sobrenatural, que não se confunde com o humanitarismo naturalista e “construtivo”. Entretanto, os homens desfibrados do século chocam-se só com a palavra “edificante”, palavra canônica e inspirada porque, mais do que nunca, os ouvidos efeminados sentem pruridos de ouvir fábulas.

O homem sobrenaturalmente “edificante” sente muitas vezes o imperativo de tomar atitudes definidas, de romper lealmente com o que lhe repugna à consciência católica, de esclarecer situações, de combater o erro e o mal, com que não pode transigir, custe o que custar. É este esforço penoso e mortificado que a covardia contemporânea não quer aceitar.

Hoje, há um horror generalizado das afirmações claras, das atitudes definidas. Mas, como esta covardia não quer parecer covarde procura justificar-se com pretextos. Diz ela: vamos ignorar os males que nos cercam, vamos mesmo transigir com eles; assim, criaremos um ambiente de simpatia e, poderemos com muita prudência, propagar alguma ideia benéfica. Assim, abafa-se a consciência na ilusão da “atividade construtiva”, que, na realidade nada poderá construir, porque, da confusão do erro e da verdade, do bem e do mal, outra coisa não poderá surgir senão a ruína e a destruição. “Bonum ex integra causa”...

Ocorrem-nos estas considerações a propósito da visita que S. Excia. Revma. o Sr. Arcebispo Metropolitano honrou o LEGIONÁRIO. No discurso de saudação, afirmou o diretor desta folha que muito custava ao LEGIONÁRIO manter invariável a sua linha de conduta, sendo obrigado, muitas vezes por isso a desgostar pessoas, cuja estima nos era tão preciosa e cara. Respondendo, o ilustre visitante concitou-nos a manter a mesma atitude apesar não só das oposições abertas, como das surdas malquerenças, as mais dolorosas.

Confortados, portanto, pela mais alta autoridade eclesiástica de São Paulo, continuaremos a trabalhar. Nossa atividade não será uma atividade “construtiva”. Será uma atividade “edificante”, pela graça de Deus.


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