Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

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Combatividade

 

 

 

 

 

 

Legionário, 26 de julho de 1942, N. 515, pag. 2

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Indubitavelmente, um dos piores venenos com que o liberalismo ameaçou as consciências católicas foi a ideia de um desarmamento espiritual. Assim como o pacifismo posterior à guerra de (19)14 foi ruinoso para a paz mundial, pois na realidade não passava de um pacifismo amedrontado e covarde, que abriu as portas a todas as arrogâncias dos totalitários, assim também esta espécie de pacifismo religioso compromete em extremo os interesses da Igreja, permitindo as arremetidas dos seus inimigos implacáveis e cruéis.

É verdade que a Igreja é indefectível e eterna, mas quantas almas não foram arrancadas ao seio maternal pelas incursões dos adversários, que não foram contidos em sua sanha pela falta de combatividade dos que lhes deveriam ter sido uma barreira natural? Assim, por não querer ferir os inimigos, se lhes entregam os irmãos inocentes, o que é, certamente, das piores faltas de caridade.

Não se pode negar que o espírito de conciliação, principalmente em matéria religiosa, está muito de acordo com o comodismo da natureza humana. Mas, exatamente por ser demasiadamente humano, é muito pouco divino. Não foi outra a razão do sucesso que, a seu tempo, obteve Renan, com a sua caricatura naturalista e sentimental do “meigo rabi da Galileia”. E por aí também se explica a tempestade que se abateu sobre o ínclito Dom Vital, que, pela sua coragem apostólica, iniciou um novo capítulo na história religiosa do Brasil. Dom Vital triunfou cruenta e brilhantemente da perseguição que lhe moveu a maçonaria em nome do espírito liberal, e conquistou para os católicos brasileiros esta vitória inestimável e definitiva, que foi a ruptura com as acomodações e os “panos quentes”, esta santa liberdade de ação e de palavra, que nada pode compensar. Dom Vitral demonstrou, em terras de Santa Cruz, que a arma da perseguição sempre acaba por ferir aos que a empunham.

Aliás, o mais moderno dos inimigos da Igreja, o nazismo, evita, quanto possível, a perseguição franca e declarada. E é interessante notar que é a Igreja que por meio de seus órgãos oficiais de expressão, procura caracterizar e denunciar a perseguição. Esta, hoje em dia, é um espantalho mais para os inimigos da Igreja do que para os católicos. Mesmo porque toda a força de nossos inimigos reside apenas em nossa timidez, nada mais, nada menos. E se alguém duvidar, leia as Pastorais Coletivas do Episcopado Paulista, exemplos edificantes de franqueza e coragem no desmascarar os erros e condená-los.