Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

Comentando...
 
“O perigo da má influência norte-americana”

 

 

 

 

 

Legionário, 9 de abril de 1944, N. 609, pag. 2

 

 

Sob os auspícios da União Cultural Brasil-Estados Unidos, o professor Carleton Sprague Smith, da Universidade de Colúmbia, pronunciou, a 25 de março próximo findo, na cidade de Casa Branca, uma conferência subordinada ao tema “O perigo da má influência norte-americana”.

Iniciando a palestra, o prof. Carleton Smith observou que esse título poderia parecer estranho, num momento em que tudo se faz para estreitar as boas relações entre o Brasil e os Estados Unidos. Poderia a má influência norte-americana constituir um perigo? E o conferencista responde que, francamente, achava que sim.

Esclarecendo melhor seu ponto de vista, o prof. Carleton Smith dividiu sua crítica em quatro tópicos: cinema, arquitetura, literatura e música, abordando cada um destes pontos separadamente.

Sobre o cinema, entre outras coisas, disse o conferencista que uma de suas más influências é despertar nos jovens o desejo de copiar o que veem na tela. Cópia de vestidos, de penteados, e até mesmo, gestos das estrelas de Hollywood, o hábito de fumar em público, tendência para ler somente a literatura fictícia e sem valor que o cinema vulgariza, etc. Somente os cegos podem negar a má influência da grande maioria dos filmes norte-americanos, péssimos sobretudo do ponto de vista moral.

Quanto à arquitetura, à literatura e à música, mostrou o prof. Sprague Smith os males que sua importação faz à arte tradicional brasileira nestes três ramos estéticos.

Pena é que o conferencista não tenha abordado um tema capital em se tratando da má influência norte-americana, e que para um país nitidamente católico como é o Brasil, sem dúvida alguma é o mais grave e nefasto: queremos nos referir ao proselitismo protestante.

Aplaudimos todos os esforços feitos no sentido de estreitar as relações entre os dois maiores países do continente americano, desde que se eliminem desse intercambio influências nocivas idênticas às apontadas pelo prof. Sprague Smith, às quais acrescentamos a propaganda das seitas protestantes.

Ainda recentemente, outro ilustre norte-americano, o Revmo. Mons. Thomas J. Mc Donwell, Diretor da Sociedade da Propagação da Fé nos Estados Unidos, tecia oportunos comentários em torno da intenção do Santo Padre para o mês de março próximo findo, que era no sentido de “livrar a África do sectarismo”, conforme notícia que publicamos em outro local (vide abaixo). Antigamente a Cristandade oferecia resistência ao sectarismo muçulmano que procurava invadir a Europa. Hoje o sectarismo protestante, surgindo do seio de nações outrora católicas, invade o Continente africano e ali vai semear o erro e a heresia.

O mesmo perigo nos ameaça, o maior perigo que vemos na má influência norte-americana.